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4 de outubro de 2007

João Vário

Livro 1
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EXEMPLO GERAL
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COIMBRA, 1966
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para Dalila
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Mas ontem, ontem falámos desse homem.
E, no entanto, a cruz é a menor das promessas.
Oh, sim, lembramo-nos de que ignorávamos
o que se chama o domicílio, o valor,
o opúsculo, esta ou aquela agrura
mais do que matar o irmão. E de como
serve ama casa morta, o irmão morto,
a intensidade ou tal coisa
mesmo intensa, intensíssima.

De resto, há quanto tempo, oh
há quanto tempo não sabemos falar
do passado? Certamente,
o rigor, a infidelidade, a tensão—
espantos do último trimestre, esta
quase arte funerária com que elevamos as vozes
não ignoram que nos vendemos
por outro contágio: esse gosto
de ser verdadeiro, ou tal juro.
Porém, ontem, mas vede bem, ontem,
Omitimos, propositadamente, o que
sabemos da perplexidade. Mas quem sabe,
quem sabe se tal será legítimo ainda?

In João Vário (2000). EXEMPLOS: Livros 1-9. Mindelo: Edições Pequena Tiragem.
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Como tinha prometido, publicarei extractos da poesia de João Vário, ou João Varela, escritor cabo-verdiano que faleceu recentemente, para nosso prejuízo. Uma homenagem mínima.

9 de agosto de 2007

Faleceu João Varela

Fotografia retirada de A Origem das Espécies

Faleceu João Varela. Registo-o com profunda tristeza. É importante dizer, sublinhar, que é pena que não tenha tido o reconhecimento devido, quer pelas entidades de Cabo Verde, quer pelas portuguesas. Por tudo, pelo que fez pela língua, que usou com mestria especial, com sabores novos, com aromas de mestiçagem. Um grande Homem, cientista, professor, neurologista, poeta, contista. Vale a pena ler o que dele diz Francisco José Viegas. Aqui, com tempo, publicarei excertos da sua obra.