Foi tempo de ser bom, de desejar
que toda a gente em volta
fosse saudável, próspera, feliz.
Foi tempo de esquecer, de perdoar
e de dar rédea solta
à ternura que de uso não se diz.
Mas eis que já regressa
à desfilada, a toda a pressa,
o tempo habitual.
O tempo de ter guardada
a máscara que há-de ser usada
no próximo Natal.
Torquato Luz in Ofício Diário
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27 de dezembro de 2007
19 de outubro de 2007
11 de outubro de 2007
Poesia
Tatuagem
Não é este o meu mundo, não pertenço
a estas ruas, estas casas, esta gente.
Sou de um país distante, onde me penso
vagabundo incessante e sorridente
por praias que a ternura me consente.
Não é este o meu mundo, não me vejo
ligado a coisas que não posso amar.
Sou de uma terra que namora o mar
e navega nas ondas do desejo,
liberta do temor de naufragar.
Não é este o meu mundo, não aceito
render-me à solidão desta paisagem.
Sou dos campos abertos que no peito
transporto, em traço simples e perfeito
gravados como numa tatuagem.
Torquato Luz in Ofício Diário (mesmo aqui ao lado)
Não é este o meu mundo, não pertenço
a estas ruas, estas casas, esta gente.
Sou de um país distante, onde me penso
vagabundo incessante e sorridente
por praias que a ternura me consente.
Não é este o meu mundo, não me vejo
ligado a coisas que não posso amar.
Sou de uma terra que namora o mar
e navega nas ondas do desejo,
liberta do temor de naufragar.
Não é este o meu mundo, não aceito
render-me à solidão desta paisagem.
Sou dos campos abertos que no peito
transporto, em traço simples e perfeito
gravados como numa tatuagem.
Torquato Luz in Ofício Diário (mesmo aqui ao lado)
9 de outubro de 2007
Pink Floyd - Roger Waters
Hey You (Waters) 4:39
.
Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, dont help them to bury the light
Don't give in without a fight.
.
Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
.
But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.
.
Hey you, standing in the road
always doing what you're told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.
.
[Click of TV being turned on]
[Click of TV being turned on]
.
"Well, only got an hour of daylight left. Better get started"
"Isnt it unsafe to travel at night?"
"It'll be a lot less safe to stay here. You're father's gunna pick up our trail before long"
"Can Loca ride?"
"Yeah, I can ride... Magaret, time to go! Maigret, thank you for everything"
"Goodbye Chenga"
"Goodbye miss ..."
"I'll be back"
.
(colhida aqui)
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2 de outubro de 2007
Janela
artigo de Luís Serrano sobre João Varela no Primeiro de Janeiro
(clique para ampliar e ler)
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Janela,
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Poesia/poetas
21 de agosto de 2007
Poesia
THE FLY
.
Little Fly,
Thy summer's play
My thoughtless hand
Has brushed away.
Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?
For I dance,
And drink, and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.
If thought is life
And strength and breath,
And the want
Of thought is death;
Then am I
A happy fly.
If I live,
Or if I die.
.
9 de agosto de 2007
Faleceu João Varela
Fotografia retirada de A Origem das EspéciesFaleceu João Varela. Registo-o com profunda tristeza. É importante dizer, sublinhar, que é pena que não tenha tido o reconhecimento devido, quer pelas entidades de Cabo Verde, quer pelas portuguesas. Por tudo, pelo que fez pela língua, que usou com mestria especial, com sabores novos, com aromas de mestiçagem. Um grande Homem, cientista, professor, neurologista, poeta, contista. Vale a pena ler o que dele diz Francisco José Viegas. Aqui, com tempo, publicarei excertos da sua obra.
6 de agosto de 2007
Poesia
Tiger
Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?
What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?
Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
William Blake (aqui)
~
Uma boa tarde a todos.
Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?
What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?
Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
William Blake (aqui)
~
Uma boa tarde a todos.
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William Blake
4 de agosto de 2007
Poesia
AO DESCONCERTO DO MUNDO
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
Luís de Camões
In Poesia Lírica (Antologia organizada por Fernando Pinto do Amaral), Dom Quixote
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
Luís de Camões
In Poesia Lírica (Antologia organizada por Fernando Pinto do Amaral), Dom Quixote
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26 de julho de 2007
Boa Noite
o sol deita-se
o sol deita-se lentamente
sobre as árvores e as pessoas
numa carícia antiga.
e as arvores e as pessoas deixam-se
dormitar,
embalam-se no calor das vozes
ao longe.
e na luz que se quebra.
silvia chueire
o sol deita-se lentamente
sobre as árvores e as pessoas
numa carícia antiga.
e as arvores e as pessoas deixam-se
dormitar,
embalam-se no calor das vozes
ao longe.
e na luz que se quebra.
silvia chueire
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25 de junho de 2007
Poesia
Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
Olavo Bilac in Tormentas
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
Olavo Bilac in Tormentas
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30 de abril de 2007
De um leitor
Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Plabo Neruda - Poeta chileno (12/7/1904-23/9/1973). Prêmio Nobel de Literatura de 1971.
Anónimo na caixa de comentários, 29 de Abril de 2007 10:50
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Plabo Neruda - Poeta chileno (12/7/1904-23/9/1973). Prêmio Nobel de Literatura de 1971.
Anónimo na caixa de comentários, 29 de Abril de 2007 10:50
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