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29 de maio de 2008

Leitura obrigatória

European Parliament to ban Eurosceptic groups (Telegraph)

29 de abril de 2008

Durão Barroso

O Presidente da República apoia a continuação de Durão Barroso na Comissão, diz o Público. Parece-nos bem, tendo e conta que o Presidente da Comissão tem feito, na generalidade, um bom trabalho. A sua prestação é, também, um orgulho para os portugueses. Deve ser. É preciso ver as coisas assim, e deixarmos de olhar para nós sem vaidade das coisas boas, sem algum gosto em sermos portugueses, sempre desconfiados de nós próprios, sempre invejosos. O Presidente da Comissão tem feito boa figura. E já viram como ele dá baile em termos das línguas que fala com a maior das naturalidades? Só isso, que, admitamos, é apenas simbólico, já dá motivo para orgulho.

20 de fevereiro de 2008

Mundo cinzento

Free Kareem

Faz dia 22 um ano que o blogger egípcio foi preso por dizer o que pensa.

6 de fevereiro de 2008

Menos conflitos armados, menos guerra, menos agressões


"In a world where war, terrorism and humanitarian crises can seem all-pervasive, the Human Security Report offers a rare message of hope."
Archbishop Desmond Tutu
The Desmond Tutu Peace Centre

28 de janeiro de 2008

Caucus

Um blog que interessa seguir.

Fim de Auschwitz

Dia Internacional Vítimas do Holocausto
Presidente da República evoca "dever de memória"
Aníbal Cavaco Silva marcou presença numa cerimónia na Sinagoga de Lisboa para "honrar a memória" das vítimas de um horror "que todos temos o dever de falar".
~
Cavaco Silva esteve bem ao ir a esta cerimónia. tem havido muita conivência com tentativas de esquecimento organizado.

Suharto

Morreu o velho ditador indonésio, de que gritei o nome seguido de coisas ainda mais feias. Outros tempos, e a defesa de uma Causa que me foi mordendo a partir da adolescência. Com toda a mudança que tem ocorrido, oxalá venha uma Indonésia diferente, porque a que conheci era muito à imagem do seu presidente - corrupta. Ou seria o presidente à imagem da Indonésia?
Xanana, o primeiro de Timor, foi ao funeral. Ele que esteve preso sob as garras de Suharto, ele que viu o seu povo massacrado sob as suas ordens - porquê? Porque é um homem inteligente e quer a paz, o futuro.
No JN pode ler-se: «"Até que enfim!". A reacção, em jeito de desabafo e sem hipocrisia, de Ana Gomes à morte do antigo ditador indonésio Suharto traduz o estado de espírito de muitos que viverem o drama do povo timorense. » Pois não é nada o meu. Gostava que ele tivesse sido chamado à justiça, mas não me agrada nunca a morte de uma pessoa, por pior que seja.

8 de janeiro de 2008

A ter em atenção


CONVÉM APRENDER UMA NOVA PALAVRA: OBAMAMANIA
João Miguel Tavares (DN)
jmtavares@dn.pt

Se no mundo desencantado em que vivemos ainda houver espaço para acreditar em homens providenciais, então eu quero acreditar neste. Minhas senhoras e meus senhores: Barack Hussein Obama, "o rapaz magrito de nome esquisito" (definição do próprio) que está a candidatar-se à Presidência dos Estados Unidos, pode muito bem vir a ser a melhor notícia para o Ocidente desde a queda do muro de Berlim. Com um pai queniano, uma mãe do Kansas, um nome árabe, crescido no Havai, educado na Indonésia e formado em Harvard, Barack Obama é a encarnação do sonho americano, numa época em que já poucos pareciam acreditar que ele continuasse a existir. Mas como o próprio afirmou no seu discurso de vitória nas primárias do Iowa, "a esperança é o pilar da América. A crença de que o nosso destino não vai ser escrito por outros, mas por nós". Se esta noite ele voltar a ganhar em New Hampshire, a sua candidatura será imparável e tem tudo para acabar na Casa Branca.A intervenção de Obama após os caucus de dia 3 (é fácil de encontrar no YouTube) é dos melhores discursos que ouvi na vida, sobretudo porque numa época completamente enjoada da política e dos políticos, e num país esmagado pela incompetência de George W. Bush, Barack é uma injecção de optimismo capaz de empurrar para as mesas de voto mesmo quem tinha jurado não voltar a sair de casa. Os cínicos dirão que ele é apenas profissional e fotogénico, e mesmo politicamente são muitos os europeus que preferem continuar a odiar a América a correr o risco de se entusiasmarem com um dos candidatos à sua liderança. Mas Obama é mesmo o político americano mais entusiasmante das últimas décadas, e só um cego o pode reduzir a uma construção engenhosa para tempos mediáticos. Bem pelo contrário: tudo nele parece genuíno, num cruzamento improvável entre John F. Kennedy e Martin Luther King, e a sua própria retórica é old school.O que ele conseguiu no Iowa é a todos os títulos admirável, levando os jovens em peso aos caucus, conquistando a esmagadora maioria dos independentes e arrebatando mais votos às mulheres do que Hillary Clinton. De Hollywood aos recantos anónimos da América, são cada vez mais os que dizem: "Nunca antes tinha visto um político assim." Por isso, de dia para dia, o fenómeno cresce, ao ponto de já se ter inventado esta palavra: "Obamamania." Consequência: no início de 2009, um homem negro pode vir a entrar na Sala Oval da Casa Branca. E, pela primeira vez, não será para sacudir o pó ao cadeirão presidencial, mas para se sentar nele. Obamamania - quem disse que a política já não entusiasmava ninguém?

7 de janeiro de 2008

Eleições na América

SE UM DIA PENSAR IR A HOPE APANHE O AUTOCARRO DO GALGO
Leonídio Paulo Ferreira no DN
jornalista
leonidio.ferreira@dn.pt

A Dignidade Humana das Nações

Esta quarta-feira,
Nuno Rogeiro vem a Aveiro falar sobre
a Dignidade Humana das Nações.
Não perca!

Fórum UniverSal

(clique para ampliar)
A Dignidade Humana das Nações
com Nuno Rogeiro
Aveiro, 9 de Janeiro, Quarta-feira, 21h


Não perca mais esta tertúlia/debate organizada pelo Centro Universitário de Fé e Cultura, que decorrerá no auditório do Centro, que fica no Campus Universitário, mesmo em frente aos Departamentos de Ambiente e de Electrónica da Universidade.

19 de dezembro de 2007

Leituras

Tempos de verdeamento
Outra forma caprichosa de olhar para o inimigo de Brown é ver Mugabe e não reparar nos outros ditadores.
José Manuel Moreira in DE
Proponho outra forma de olhar para a cimeira UE-África. Antes de mais, temos que reconhecer a tendência dos media para a discriminação: é que ninguém dá nota da senhora. Não tolero que se tenha falado tanto de Mugabe e nada na “caprichosa sra. Mugabe”, com excepção da “Sábado”, mas só para dar má nota dos luxos da Grace: “Em Londres, onde passeava de Rolls Royce, gastou 56 mil euros em lojas numa tarde”.
Outra forma caprichosa de olhar para o inimigo de Brown é ver Mugabe e não reparar nos outros ditadores – segundo um entendido na “TSF”, talvez meia dúzia, uma dúzia ou até mais.
Não há nada como alargar o mal para o relativizar. É verdade que há uns chatos que querem levar a coisa mais a sério, como S. M. Osman em relação à situação do Darfur, mas se há acusação que não nos podem fazer é de falta de valores. Quando muito haverá excesso. Um excesso que permite que o defensor de um regime nazi (6 milhões de mortos) seja sempre nazi, mas o de um regime comunista (com 60 milhões de mortos) possa sempre ser artista ou académico e, no futuro, até empresário ou ministro.
A educação para os valores duplos é a marca histórica das actuais elites europeias: da justiça burguesa e proletária à democracia burguesa e proletária, sem esquecer a violência (a revolucionária e a outra) e, naturalmente, a economia política capitalista e socialista, que deu em três mitos: do capitalismo selvagem, do futuro socialista e da ética superior do socialismo.
Foi esta nata intelectual que depois de convertida em creme social-democrata se derreteu em Estado de bem-estar: um conceito que pretendeu identificar bem-estar com Estado e assim fomentar a ideia – agora em crise – de que existe uma relação entre crescimento da despesa pública e mais bem-estar.
Foi ao olhar em pormenor para a forma como o Estado gasta os recursos que obtém através da cobrança de impostos que se descobriu a quantidade de dinheiro que o exército de funcionários faz desaparecer. Dinheiro destinado à prestação de serviços públicos, mas que, em parte, serve para a manutenção de funcionários dedicados a infernizar a vida de quem trabalha.
Um Estado que exige, mas não cumpre, que cobra e não paga, mesmo quando condenado em tribunal, e que nem o básico – a justiça e a segurança – assegura. Mas que, mesmo assim, está sempre disposto a dar lições de moral sobre os perigos de tudo, desde o endividamento (em que é o maior especialista) ao saco plástico e à globalização.
Um dia, em 2000, num almoço no Forum de Davos, um dirigente da ONG Oxfam perguntou em voz baixa ao presidente do Senegal A. Wade, como pensava aliviar os males que a globalização estava a causar ao seu país. Para surpresa Wade respondeu: “Que globalização? Que mercados? A globalização ainda não chegou a África.” O mesmo Wade que agora não confia na UE.
É verdade que há líderes africanos a abandonar o tradicional queixume e os pedidos de ajuda e a perceber que o que mais urge é pôr a casa em boa ordem. Mas a maioria quer é a ajuda da UE e o branqueamento. Só que os tempos agora são mais de parcerias e verdeamento, de gente a correr e mesmo assim a ser apanhada em falta, embora com atestados de verdeamento em dia.
Não me venham com a corrupção no fisco ou nas autarquias e muito menos com o último estudo da Transparency International.
O país pode não ter a ética em muito boa conta, mas está cada vez mais verde…o verde é o que está a dar. Até o “Expresso” está mais verde, poderia pensar-se ser influência do director, mas é só sinal dos tempos, que serão cada vez mais verdes, religiosamente verdes. O eco-fanatismo dá dinheiro, facilita a dupla certificação e os novos mandamentos, como me escreveu um jovem à pergunta sobre exemplos de valores éticos: “Amar a natureza e respeitar o ambiente”.
É verdade que, em contrário, há um tal A. Coutinho a defender que a limpeza faz bem às alergias e alguns media a divulgarem que o divórcio faz mal ao ambiente, mas, tudo somado, “a tenda e o circo” podem até ter sido maus para o ambiente, mas a Cimeira foi boa para Lisboa cinco estrelas. Será que os milhões de ajuda aos ‘Mugabes’ ainda vão acabar em compras, bares e hotéis de luxo por essa Europa fora?
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José Manuel Moreira, Professor universitário e membro do ‘Mont Pélerin Society’

18 de dezembro de 2007

Leituras

Iran Receives Nuclear Fuel in Blow to U.S. (New York Times)

10 de dezembro de 2007

Só visto!


O original é a cores, mas, como a mim não me pagaram nada, eu só posso divulgar a preto e branco. Riam-se.

26 de novembro de 2007

Chávez há uns anos, há uma antiguidade



Enviaram-me para o e-mail este vídeo fantástico de Hugo Chávez, que parece ter sido feito há uma eternidade, quando o menino guerreiro da Venezuela, comandante, ainda se fazia passar pelo capuchinho vermelho, antes de virar lobo-mau.

22 de novembro de 2007

Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (22)

Que Chávez para o futuro?

O mais recente incidente diplomático na Cimeira Ibero-americana colocou a nu um dos maiores problemas da sociedade actual e da política internacional. Nunca os equilíbrios internacionais estiveram tão dependentes dos recursos energéticos e, no fundo, da capacidade de gerar dinheiro, bem-estar.
Claro que hoje temos sinais de esperança relativamente a fontes alternativas de energia, como as renováveis, mas são ainda incipientes, e quem não tem petróleo está condenado. Os empresários, a indústria, e também o governo, terão de fazer sérias apostas em matéria de energias alternativas, porque por aí passará boa parte do futuro. Mas enquanto o problema energético não é resolvido num passe de mágica à Luís de Matos ou David Copperfield, o ouro negro continuará a determinar (manchar) substancialmente as relações entre produtores e consumidores, moldando também as relações externas dos países, e toda a forma de fazer política.
Todos os líderes políticos procuram criar bem-estar para as suas populações, para os seus eleitores. Procuram ganhar poder económico, poder político. Ora isso faz-se cada vez mais na cena internacional. Dessa forma, não podem ficar alheios ao movimento de globalização económica e muito menos podem deixar passar a caravana do petróleo e demais recursos sem ir atrás.
A protecção dos emigrantes, a internacionalização das empresas, as trocas comerciais e a busca de recursos energéticos noutras paragens – de preferência controlando a intermediação –, são aspectos que timbram a política externa (e interna) das nações – é a chamada diplomacia económica. Toda a gente pensa primeiro em dinheiro e só no final da refeição, depois de rapado o fundo ao prato, este reflecte, qual espelho da bruxa má, a questão dos valores, dos direitos humanos, o risco para a segurança a longo prazo da perigosa conivência com déspotas amigos. Mas a bruxa está de barriga cheia, a barriga cheia dá sono e o sono vai esquecendo.
Nesta política um pouco rastejante há, porém, uma estranha dualidade. Alguns tiranos, supostamente de esquerda, lá vão tendo a simpatia de gente importante, já com idade para ter juízo. Não é o Prof. Boaventura Sousa Santos o arauto em Portugal do fantástico Hugo Chávez como exemplo da construção do socialismo do século XXI? Não se compreende. Tiranos, independentemente de terem sido eleitos, são tiranos. Homens que pensam mudar constituições para se perpetuarem nos cargos – hoje o Público noticia que a Câmara Alta do Parlamento Russo desafia Putin a violar a Constituição para se manter mais um mandato –, ou ditarem um mundo à sua medida, que não admite opinião diferente, não passam de tiranos, sejam lá de esquerda, direita, ou outra coisa qualquer.
Portugal, como a grande maioria dos países, define as suas relações externas em face dos seus interesses económicos e, depois, muito subtilmente, diz que vai pressionando pela defesa dos direitos humanos. Assina convenções internacionais e tal, mas depois a malta tem que ser realista e tal, e os tipos até são dos nossos e tal.
Em prol de uma Europa que se quer a Economia mais competitiva do mundo com base no conhecimento, lá nos vamos rebaixando, ora carregando os barris de uns, ora sonhando com o mercado de milhões de outros. Tivemos uma excepção chamada Timor-Leste, para a qual até procurámos o apoio de terceiros. Mas agora já não queremos saber do Tibete, de Cabinda, de Cuba, da Venezuela, do Darfur, e de muitos outros lugares. Será este um problema da diplomacia económica? Será um problema da globalização e da economia? Um pouco, como o mostra aliás a notícia sobre a pressão que o primeir-ministro José Sócrates diz que vai fazer a Mugabe se este vier à Cimeira Europa-África, numa estranha dualidade de critérios, se tivermos em conta que hoje janta simpaticamente com Chávez. Mas será mais do que isso, também um problema de perigosas conivências ideológicas, sob o disfarce dos interesses económicos que todos engolem mais facilmente, porque se fala à barriga. Mas cuidado, porque o peixe também morre pela boca.
A globalização, o mercado aberto, mas bem aberto mesmo, sem proteccionismos, sob regras claras que juntem na mesma panela a questão da livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas (ah pois), garantindo-se a defesa da dignidade humana e salários condignos, são o melhor instrumento para a paz e o desenvolvimento. Porém, a ver pela China, ficam ainda no ar as dúvidas sobre se os regimes mudarão em função desse desenvolvimento económico e dessa abertura – será que sim, como advogava Alan Greespan?
O incidente diplomático, que já referi, entre o Rei de Espanha e o Presidente da Venezuela, mostra parte de uma equação difícil de resolver na actual cena internacional: a arrogância dos ditadores que têm ou recursos ou mercado ou protecção ideológica e a arrogância e autismo dos países ocidentais, democráticos, que não perceberam, e de certo modo não percebem, que para haver paz é imprescindível criar condições para uma criação/divisão da riqueza no respeito por regras de jogo limpas (não artificialmente), apostando na Educação (instrumento de Cooperação), nos laços culturais e emocionais.
Contudo, é preciso sublinhá-lo, o Rei teve razão em enfrentar o malcriado e arruaceiro venezuelano, que chamava, impunemente, fascista ao ex-Presidente Aznar, eleito democraticamente, num país democrático – o que, diga-se em abono da verdade, não é o que se passa na Venezuela. A forma como o fez é que talvez se tenha tornado numa oportunidade perdida para o desmascarar com a forte chapada de luva branca, e talvez não.
Há chaves que a razão desconhece e razões que Chávez nem sonha.

20 de novembro de 2007

7 de novembro de 2007

Quem tem medo do referendo?

DEMAGOGIA E MALABARISMO
Vasco Graça Moura
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É evidente que discordo de Vital Moreira quando ele diz, no blogue Causa Nossa, que o título do meu último artigo no DN, "Quem tem medo do referendo?", poderia figurar no topo do Guinness da demagogia política...
Primeiro, porque as frases na interrogativa são, normalmente, muito menos demagógicas do que as afirmações peremptórias, como o reiterado "Estão a mangar connosco..." com que V. Moreira pretende arrumar expeditivamente o projecto de Alcochete, ou a sua afirmação, a esse respeito, de que a CIP foi "barriga de aluguer"...
Segundo, porque dispondo Portugal dos mecanismos constitucionais necessários para fazer o referendo e tendo tido a promessa dos dois maiores partidos de que ele seria feito, não se vê onde está a demagogia. Pacta sunt servanda, como V. Moreira sabe. Demagogia é tentar justificar o contrário.
Terceiro, porque hoje em dia, face à Constituição, a matéria que nos ocupa é referendável sem sombra de dúvidas, mas V. Moreira considera que a resposta séria à minha pergunta é a de que "nem tudo é referendável" e ponto final.
Fico perplexo ante uma tão elíptica quanto arrogante, impertinente e leviana formulação, sobretudo depois de ter lido, noutro passo do seu blogue, que "o que está em causa na aprovação do Tratado de Lisboa (seja ela feita por via parlamentar ou por referendo) são somente as alterações que ele introduz nos tratados existentes" (itálico meu). Aliás, a distinção é ociosa e capciosa, pois não consta que o Tratado incida sobre outra coisa, além de tais alterações. "O novo tratado é uma extensa sucessão de emendas singulares ao texto dos dois tratados existentes" (V. Moreira dixit, no Público de 23.10.07).
Uma resposta séria implicaria invocar melhores razões para enjeitar o referendo... A questão não é de possibilidade jurídica, é de oportunidade política.
Além disso, é V. Moreira quem propõe um referendo europeu a realizar entre nós, sobre se Portugal deve sair da União Europeia, de modo a suprir "aquele que deveria ter existido aquando da adesão (mas nessa altura a nossa Constituição não permitia referendos)".
Sustentar que se deve suprir agora a falta de um referendo que então a Constituição não admitia é coisa que não cabe no meu entendimento. Estará V. Moreira a pôr em causa uma adesão do País à Europa comunitária que, ao tempo, foi feita com observância de todos os requisitos constitucionais e é pacífica para a larguíssima maioria dos portugueses? Quer desvirtuar e banalizar o referendo nessa medida? Dispõe-se a questionar a certeza e a segurança do direito cuja fonte são os tratados internacionais? Pretende alterar a eficácia da Constituição, a 21 anos de distância?
Eis uma surpreendente demagogia "retroactiva" bem mais digna de figurar no Guinness do que a minha!
Afinal, parece-me que V. Moreira tem mesmo medo do referendo ao Tratado de Lisboa... E acha que só aos privilegiados é dado entendê-lo. Não se coíbe de decretar com sobranceria que "os leigos ficam arredados da leitura e da compreensão do tratado" (Público, artigo cit.).
Mas a lógica do eminente constitucionalista que ele é leva-o à necessidade de, por construção puramente racional, legitimar, ex-post (e por um referendo, note-se bem) toda a presença portuguesa na União. Sobrepõe uma dialéctica nominalista e atemporal dos conceitos a uma ponderação histórica e substantiva dos interesses. Sabe que seria insensatez promover-se um referendo sobre se devemos sair da UE e que, da direita à extrema-esquerda, ninguém quer o País fora dela. Propõe uma pura inviabilidade, mas sossega a sua boa consciência académica.
Só pode ser assim por V. Moreira entender ter havido alienação ou transferência de uma parcela da soberania nacional em 1986. Mas então deve dizer-nos se, com o novo tratado, há ou não mais alienação ou transferência dessa soberania.
Por outro lado, se para V. Moreira o todo é assim tão radicalmente referendável num "verdadeiro e genuíno referendo europeu" a fazer em Portugal, então a parte, por identidade de razão, também deveria sê-lo.
E, devolvendo bem-humoradamente à procedência o chiste de que fui alvo, estou em crer que a construção de V. Moreira tem já lugar cativo e preeminente no Guinness dos malabarismos conceptuais...