21 de Maio de 2008
O lugar da história
c/ José Mattoso Historiador
Moderação: Teresa Roberto DLC - Universidade de Aveiro
_____________________________________________________________
3 anos, 30 ideias Fórum::UniverSal
Debate aberto sobre actualidade 60 Anos Direitos Humanos [2008-12-10]
Guilherme d’Oliveira Martins Centro Nacional de Cultura José Ferreira Mendes Departamento de Física UA Fernando Nobre Assistência Médica Internacional Júlio Pedrosa Conselho Nacional da Educação Manuel Augusto Oliveira Associação dos Amigos da Ria e Barco Moliceiro Rui Marques ACIME-ACIDI Laurinda Alves Jornalista – Público Adriano Moreira CNAVES Margarida Santos Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres Fernando Vieira CERCIAV 30 anos José Carlos Vasconcelos Jornal de Letras, Coordenador editorial VISÃO D. Ximenes Belo Bispo Emérito de Díli - Prémio Nobel da Paz 1996 João de Deus Ramos Ex-Embaixador de Portugal na China, Fundação Oriente Paulo Borges Associação Agostinho da Silva, Universidade de Lisboa Victor Sérgio Ferreira ICS - Universidade de Lisboa Mons. João Gaspar Diocese de Aveiro. Academia Portuguesa de História Élio Maia Câmara Municipal de Aveiro Luis de Matos Artista mágico Martinho Pereira Banco Alimentar Aveiro João Fernandes OIKOS, ongd Luis Antero Reto ISCTE Lisboa Eduardo Marçal Grilo Fundação Calouste Gulbenkian Francisco Sarsfield Cabral Assuntos Económicos, Rádio Renascença João Abrunhosa Comunidade Vida e Paz - Sem abrigo Nuno Rogeiro Politólogo Amaro Neves Historiador. ADERAV Barbosa de Melo Ex-presidente da AR Isabel Alçada Plano Nacional de Leitura Polybio Serra e Silva Fundação Portuguesa de Cardiologia José Mattoso Historiador.
A não perder!
Qui 22 Maio, 22h30: Uptown Bar – Porto
Dom 25 Maio, 22h00: Festival Cidade da Música - Mourisca do Vouga
Tio BiTle é um singela homenagem à banda mais famosa do mundo: The BeaTles. Ultrapassam gerações e fazem parte da história ao ter mudado para sempre o rumo à música mundial. Tio BiTle dá novas sonoridades a temas do enorme legado deixado pelos 'quatro fabulosos de Liverpool', fugindo da réplica e aproveitando as diversas influências musicais de cada músico. Clássicos tão famosos como "Love me do", "Strawberry Fields", "Get Back" e outras músicas menos conhecidas do grande público são apresentadas com um som actual, mas com a beleza, a magia e o "beat" que, quarenta anos depois, continuam a encantar audiências. Qualquer semelhança com factos, músicas ou nomes não será pura coincidência.
# Guitarra, Kazoo e Voz : Paulo "McCartney" Brites
http://www.dorfeu.com/
Instituição Cultural de Utilidade Pública Estatuto de Superior Interesse Cultural
d'Orfeu Associação Cultural
Águeda: microclima cultural
18 de Maio de 2008
Realiza-se no próximo dia 21 de Maio, em Lisboa, pelas 17:30, na sala 512 A da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, uma sessão de apresentação do livro Estado, Sociedade Civil e Administração Pública: Para um novo paradigma do serviço público.
Os keynote speakers serão António Carrapatoso e José Manuel Moreira, numa sessão moderada por João César das Neves que contará também com a participação de Carlos Jalali e de André Azevedo Alves.
******************************************************************************* Causa
Em:
Liberal - Liberdade Individual sob a Lei
www.causaliberal.net
www.blog.causaliberal.net
16 de Maio de 2008
(Correio da Manhã)
Montemor-o-Velho - jovem de 12 anos tem necessidades educativas especiais
‘Professor, vou-te partir os óculos!’
Dois novos políticos (no blog da Laurinda Alves):
Dois políticos apostados em contribuir para mudar a realidade política, que se encontraram ontem à noite num debate público promovido pelos universitários do CUPAV, para tentar responder a uma questão fundamental: criar ou reciclar os partidos políticos?»
Para os anais:
15 de Maio de 2008
13 de Maio de 2008
por Redacção Soberania em Maio 09, 2008
SP: Mas não sente que os portugueses estão cansados dos partidos?
.
SP: Qual tem sido a adesão dos aveirenses ao MEP?
SP: Admite que o MEP possa concorrer às eleições do próximo ano?
História da Geografia em Portugal
Entrada gratuita
9 de Maio de 2008
Leia aqui a entrevista do Ângelo Ferreira ao jornal "Soberania do Povo", co-autor deste blog, sobre o Movimento Esperança Portugal, do qual é membro fundador.Critique. Mande vir.
Educação
Educação
Aulas serão todas leccionadas em inglês
Cinco universidades portuguesas criam MBA de âmbito internacional
(jornal Público)
A Universidade de Aveiro faz parte do consórcio.
Jornais
E abre hoje com uma boa notícia: «É de Estarreja um dos três fisioterapeutas da Equipa Senior do Benfica» (leia)
Não me importo...
8 de Maio de 2008
Leitura obrigatória
(Rui Cerdeira Branco no Jornal de Negócios)
“O seu Banco sabe avaliar o risco?”
Fica a nota de orgulho: o Rui é membro do MEP. Não perca o seu blog sobre Economia e Finanças, que é isso mesmo, imperdível.
Na Linha Da Utopia
1. Ninguém duvida que esta fase histórica que vivemos é riquíssima, como nenhuma outra, na existência de formas de comunicação. Estas abundam por todos os lados e em todos os minutos e, à partida, deveriam de pressupor uma correspondente consciência de comunidade. Mas não é verdade automática que a comunicação representa comunhão. São as gerações que hoje têm a maioridade que confirmam que é cada vez mais difícil o fomentar dos laços de pertença e de identificação com projectos comuns. Onde outrora bastava fazer um «clic» e já estava a motivação acordada, hoje será necessário injectar doses abundantes despertadoras de motivação. Nada de novo esta constatação, pois hoje superabundam mil e uma ferramentas coisificantes que acentuam a vertente da individualidade, chegando-se a pontos, para ninguém se zangar, de se comprar uma TV para cada um.
2. Pode parecer que o dinheiro compra tudo mas tal não é verdade: relações que não são alimentadas pela relação humana franca e dialogal são laços que vão perdendo a ligação e desatam-se quase sem dar por isso. Fala-se e esboçam-se milhentos projectos que procuram mobilizar ao «sair de si» e de sua casa para participar em projectos comuns; realizam-se esforços diversos cada vez mais apurados na pertinência, rasgo, eficácia, urgência, com divulgação, marketing, mas que quase são o pregar no deserto de um tecido social que parece infecundo. E mesmo nestes encontros muitas vezes procura-se dar um safanão nos pessimismos da não motivação e não participação, assumindo que grão a grão lá iremos!
3. Um contraditório da ausência persegue a era das comunicações. E dizer-se da evidência de novas formas de comunidade e participação (como as comunidades virtuais ou todos os múltiplos movimentos de intervenção) não chega para deixar se constatar que a construção de comunidade social será hoje das tarefas mais exigentes e mais difíceis. Uma dificuldade que radica logo nas evidentes fragilidades das famílias, num mundo e mercado de trabalho que absorve grande parte do tempo da vida… O futuro que se faz cada dia exige toda a esperança e optimismo, mas este precisa de bases que saibam reconstruir aquilo que com o atrito das preocupações vais limitando o horizonte. É aqui, na sabedoria, que radica a essência da construção do espírito de comunidade. Não há comunidade na indiferença: esta um reflexo do pântano sócio-existencial. A comunidade quer a presença de todos, onde as diferenças sabem ser e estar com os outros; não na pressa da sobrevivência, mas na partilha da qualidade de vida!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [08.05.2008]
Na Linha Da Utopia
A insegurança da segurança
1. Não há sociedades perfeitas. Mas as que, em regimes de liberdade, procuram essa aproximação à perfeição têm na justiça e na segurança os seus alicerces fundamentais. O mapa da justiça portuguesa, numa naturalmente complexa rede de relacionamentos, hierarquias, competências e responsabilidades, tem procurado corresponder aos desafios da actualidade. Mas em si mesmo, e nestes últimos anos com o eclodir de «casos» mediáticos que desafiam a própria consistência de toda a estrutura, a justiça vai ceifando as suas próprias lideranças. Um facto problemático. Os números estão aí: com os acontecimentos dos últimos dias da demissão do director da PJ, «em 10 anos realizaram-se cinco mudanças de direcção da PJ, tendo sido só um mandato cumprido até ao fim». Mais ainda, dos diversos lados da questão, a insatisfação (explícita ou implícita) faz os cidadãos temerem e tremerem pela essencial segurança, da estrada à porta de casa.
2. É certo que a actuação das múltiplas forças de segurança deve primar por uma eficácia discreta. E sabe-se do bom conceito, mesmo internacional, tido em relação aos nossos agentes de segurança, onde a qualidade e competência são valores reconhecidos. Mas talvez o pior de tudo, que abre permeabilidade mesmo a instâncias maléficas do crime, seja que normalmente quando se fala das forças de segurança, é em circunstâncias menos boas para um clima socialmente ordenado que se deseja. Nestes contextos, a própria credibilidade das estruturas fica afectada. Apesar da forte componente hierárquica que preside às instâncias de segurança, a verdade é que muitas vezes o que se pede como realização eficaz não tem a devida correspondência nos equipamentos, nos recursos materiais, nas tecnologias de informação,... Infelizmente pode-se dizer que não é só em escolas que chove, também em agências de autoridade policial a chuva ou o calor perturba claramente o normal funcionamento.
3. Já há tempos um órgão de informação nacional entrou e mostrou a realidade por dentro, lá para o nosso interior do país. Do papel de fotocópia à energia eléctrica, sem palavras!... A autoridade situada, necessária, precisa de bases (também materiais) para ter sustentabilidade e ser credível nas populações. Se é insegura em si mesma, nada a fazer! É verdade que estão muitos mais agentes em formação… Mas o seu enquadramento em sociedade democrática precisa que toda a estrutura se apresente “firme” e segura na natureza e missão de todos e de cada um. Cada vez mais a questão da (in)segurança é uma problemática de cidadania. De justiça, de todos!
Na Linha Da Utopia
António Vieira ou o poder da palavra
1. Quando Fernando Pessoa (1888-1935) atribui a António Vieira o título de Imperador da Língua Portuguesa, fala-nos de uma concepção não meramente literária da língua mas da dinâmica andante e reconstrutiva da vida, cultura e do homem do séc. XVII que foi António Vieira (1608-1697). Em 2008 assinala-se o Ano Vieirino, celebrando-se em múltiplos acontecimentos os 400 anos do seu nascimento (http://www.ua.pt/vieira2008). Na actualidade do séc. XXI que vivemos, na imensidão poderosíssima das mil imagens, também esta pode ser uma oportunidade de regressar à fonte primordial da comunicação que é a palavra. Claro que não meramente palavras por palavras; mas ideias, concepções, dinamismos, estímulos que derrubem muros e ergam todas as pontes onde as diferentes culturas, na riqueza da diversidade, interajam de forma inclusiva, estimulante e culturalmente acolhedora.
2. Poder-se-á considerar este projecto humaníssimo e decisivo, que Vieira registou de modo incontornável na sua época, como o sentir da “língua viva” dando vida e ser às línguas, sempre compostas de mudança, no que elas representam como encontro com o mais profundo do sentir humano e do encontro dignificante com os outros em espírito de fraternidade. Assim sempre fosse!... É por isso que do Brasil profundo e explorado (até ao tutano, diria Vieira) de seiscentos, quem aprende as línguas indígenas (dos índios às gentes provenientes de África) chega a Lisboa pronto, porque autenticamente livre, para se propor à limpeza dos vazios e superficialidades da linguagem de muito do Barroco do seu tempo. Tão estético e elegante que “vazio” da autenticidade do ser e da tão rica profundidade humana. Vieira, filho mestiço de boa gente, sente: o deixa andar, a redoma de vidro, o conformismo, o apagamento, o vazio, tudo e todos os que estão indiferentes ou intolerantes recebem de Vieira o espevitar do compromisso!...
3. Em boa hora esta viagem retrospectiva à complexidade da portugalidade e do período da catarse do primeiro tempo verdadeiramente global de seiscentos quer acolher, neste ano de 2008, olhares prospectivos quanto ao futuro que se desenha no ser e no tempo da globalização que nos interpela e à reinvenção diária da vida. Não é como dantes, mas os “passados” que nos precederam oferecem, a quem se abre a essa totalidade da experiência humana, chaves de leitura para mais e melhor sermos resposta. Uma das peças de Vieira, aos 47 anos de idade e nos decisivos anos 50, é o Sermão da Sexagésima (1655) proferido na Capela Real de Lisboa, onde ele procura libertar os seus contemporâneos das amarras de concepções vazias enaltecendo o conteúdo.
4. Integrado no CICLO DE POESIA “O MAR”, da organização da Fundação João Jacinto de Magalhães, esta quinta (21.30h), na Fábrica de Ciência Viva, a cidade acolhe, de viva voz pelo actor António Fonseca, a película que ousou abanar os alicerces da cómoda retórica: O Sermão da Sexagésima. Entrada livre, um momento único de rasgo da cultura portuguesa, um privilégio para esta terra de ria e mar!
Na Linha Da Utopia
Gratidão + Esperança = Compromisso
1. Não que seja uma fórmula matemática (Gratidão + Esperança = Compromisso), mas formula, poderemos dizer, a construção sustentável de projectos de vida em vidas com projecto. As palavras são, por si, cheias de significado: Gratidão: mobiliza-nos para apreciar que tudo quanto somos o devemos não só a nós mesmos mas a muitos que nos ajuda(ra)m na caminhada de vida. Como muitas vezes dizemos, quem não agradece não reconhece, e reconhecer será valorizar com sensibilidade os alicerces nos quais queremos construir a nossa vida. Esperança: é o desejo do futuro que está cada momento, aí, a interpelar-nos para reinventarmos tudo o que pode ser melhor. Projecta-se na esperança, tanto mais, quem redobra a sua confiança confiando para além de si mesmo, no Amor-Absoluto divino. Essa abertura de espírito, naquilo que é construtivo (o bem e o belo), abre margens para a inclusão de outras experiências e caminhos diversificados de vida. Esta esperança profunda, que não quer ser palavra oca, assim, só pode brilhar como gosto de transformação positiva. A isso pode-se chamar Compromisso. Não um compromisso qualquer… Mas o compromisso que nos torna mais próximos e felizes na comum pertença à humanidade, pessoal e globalmente.
2. Foi com este espírito que no passado domingo familiares e finalistas do Ensino Superior aveirense, em ambiente de festa académica, acolheram a celebração da bênção dos finalistas, manifestando gratidão e esperança comprometida diante do futuro. Não o fim, mas um princípio de expectativas que querem ser contributo para derrubar as “barreiras” que pertencem à vida. Brotando do pensamento e escrita dos finalistas, partilhamos com a comunidade mais alargada o sentir da Oração de Compromisso dos Finalistas: «Amar, respeitar e apoiar, com humildade, todos aqueles que vão estar, pensar, viver e trabalhar connosco, sabendo, em abertura de espírito, caminhar em grupo, assumindo a colaboração com os outros como um valor fundamental da nossa vida; Viver no esforço e no empenho, em tudo aquilo que fizermos, partilhando os nossos conhecimentos na luz da dignidade da Pessoa Humana e da integridade social e ambiental do meio que nos irá rodear, e assim vivendo sempre em espírito de fraternidade; Dar o melhor de nós na promoção da ética da responsabilidade e na construção da paz, acolhendo a sabedoria que garante a força de nos sabermos levantar nos momentos mais difíceis da vida, alimentando a felicidade na perseverança dos ideais contra todas as tempestades; Ter sentido humano de gratidão e de criatividade na inovação, para sermos parte das soluções solidárias, educativas e científicas nos grandes problemas do mundo actual, querendo aprender mais cada dia, em ordem ao justo desenvolvimento humano; E não permitas, Senhor, que esqueçamos o verde da esperança, que durante estes anos nos inspirou e hoje enche os nossos corações, e auxilia-nos a cumprir todos os dias da nossa vida toda a grandeza do ideal que assumimos, perante todos, neste maravilhoso dia!»
3. Será significativo, ainda, dizer-se que cada ano essa imensa comunidade festiva manifesta toda a gratidão para com a Cidade que os acolheu e a Instituição de Ensino que lhes proporcionou a via do conhecimento. Razões, sempre a zelar, para acreditar no futuro! http://1632un.blogspot.com AC [05.05.08]
Na Linha Da Utopia
1. Este ano foi Maputo a acolher as cerimónias centrais do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de Maio). É neste contexto que a instância Iniciativa Africana dos Média reflecte de forma aberta e plural sobre a «situação, desafios e oportunidades, expansão e consolidação da Liberdade de Imprensa e do direito à Informação em África». Tratam-se, assim, de dimensões essenciais da pessoa humana em sociedade, como janelas abertas para democracia em liberdade de comunicação. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos inscreve-se nesta mesma matriz, ao destacar que «todo o ser humano tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião» (art. XVIII). Estes são os “lugares” mais profundos do ser humano.
2. Continua, ainda, grande a lista de países em que o bloqueio à liberdade de expressão é limitação de vivência no respeito inclusivo pelas diferenças. Quando a intolerância triunfa (ou triunfou…e a sua história é bem longa e de muitos quadrantes) é sinal fechado do assumir explícito da dignidade da pessoa humana. Não é por acaso que uma boa parte dos relatórios diagnósticos internacionais baseia-se na percepção da liberdade e alguns autores, mesmo, apresentam a referência «o desenvolvimento como liberdade» (obra pioneira de Amartya Sen, Nobel da Economia 1998). É nesta linha que os direitos humanos destacam que «todo o ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras» (art. XIX da Declaração Universal).
3. Também neste 4 de Maio, no âmbito do 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Bento XVI salienta que «quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade. São muitos a pensar que, neste âmbito, seja actualmente necessária uma «info-ética» tal como existe a bio-ética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida» (Mensagem de Bento XVI para o 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 4 de Maio).
4. Os novos desenvolvimentos sociais geram novos imperativos no apurar da reciprocidade das liberdades, e nestas a justa liberdade de imprensa nos novos alcances das comunicações actuais. Quem não se lembra há uns tempos das polémicas caricaturas de Maomé…onde se entrecruzavam ausências de ética social na percepção da liberdade de cada um… Informar a profundidade do ser humano com o reconhecimento da dignidade do outro continua a ser a maior tarefa humana, porque caminho de tolerância, paz e desenvolvimento. http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [02.05.2008]
Na Linha Da Utopia
Revisitar Maio de 68
1. Estas semanas serão oportunidade de revisitar um período especial da história do século XX. Na segunda metade do século passado, o ano de 68 assinalou um tempo de viragem. Exageradamente, para alguns esse foi o ano que mudou o mundo recente; para outros, foi só mais um momento de rebelião social. À medida que os anos vão passando, de forma mais justa e equilibrada, pode-se considerar que os anos 60 foram um tempo de rupturas e de transição, mas do brotar de determinadas concepções de liberdade e ética questionadoras dos considerados valores tradicionais sociais. Quarenta anos depois, são muitas as publicações que virão à luz do dia neste Maio de 2008, o primeiro do século XXI em tempos de aceleradas transformações sociais globais.
2. Em 1968 o General De Gaulle e a elite bem pensante francesa abalaram com uma revolta contra o elegante “status quo” conservador. Tudo começou com a revolta de estudantes de Paris, movimento que alastrou a toda a França, fazendo parar mais de 10 milhões de pessoas trabalhadoras. Os partidos comunistas, tendencialmente mas não exclusivamente, aproveitaram a boleia, embarcando e agigantando a onda que fez parar a França. De Gaulle geriu a resposta possível, acabando mesmo por dissolver a Assembleia Nacional e refugiando-se algum tempo na Alemanha. A insurreição superou todas as barreiras (étnicas, culturais, idade, classe, sexo), extravasando em muito a ideia dos seus populares e anarquistas impulsionadores.
3. Em Junho de 68 realizaram-se eleições. O partido gaullista ressurgiu vencedor com mais força. A ressaca desta surpreendente (e de algum modo gratuita) revolução popular, se por um lado terminou ali (como começou acabou com brevidade), por outro na sua filosofia mais profunda o «Maio de 68» assinala socialmente «o ano que não acabou». A força das liberdades galupantes das juventudes, indiferentes aos referenciais que os mais velhos ainda procuram transmitir, esta tensão não só continua como avoluma-se de problemáticas actualmente. Maio de 2008, quarenta anos depois, existem condições de crise e de desigualdade crescente, a par de uma multidão que não consegue um «lugar» na sociedade de todos e de uma certa classe política que persiste nos sinais de viver distanciada dos reais problemas das pessoas.
4. Todavia, hoje também se verifica uma sociedade civil muitas vezes indiferente e anémica…mas que sente cada dia as limitações sócio-económicas que impedem milhares de pessoas de construírem um interveniente projecto (pessoal e familiar) de vida. Ora nas causas, ora nas consequências, a crise sempre foi motor de rebelião e gerador de impulsos (por vezes irracionais) de expectativas. É por isso necessário continuamente diluir as tensões dos «nós» sociais a fim de orientar todas as energias e dinamismos, em diálogo ético de gerações, em ordem ao bem social comum. Foi o que faltou em 68 e que importa evitar que falte hoje.
Na Linha Da Utopia
1. As mudanças estão em curso. A par de toda a especulação económica, a incerteza cresce abalando mesmo com alguns fundamentos encontrados pelo pensamento ocidental, como a dignidade da pessoa humana no mundo do trabalho. No geral, os novos paradigmas asiáticos emergentes na lógica da quantidade nem sequer perdem muito tempo a discutir as questões, e a corrente social da China que esboça um primeiro alinhamento de algumas leis do trabalho não iludem a desumanização reinante. Uma nova regulação diante de um novo mundo torna-se um imperativo. Tanto a regulação do que anda desregrado como uma nova concepção reguladora, pois que as formas de ver antigas não respondem à nova complexidade e universalidade das problemáticas.
2. Por vezes aquilo que vai acontecendo todos os dias tem momentos de forte safanão. É o que tem acontecido nestes últimos meses. Uma onda de mobilidade económico-social que não pára, mas que se vai consolidando como permanente agitação. São as «dores do parto» do ajustamento da globalização económica em realização: conflituosa para quem estava acomodado, bem-vinda para quem descobre que um mundo com mais dignidade (pelo menos pão, água, medicamentos, mais esperança de vida) está à porta. As ditas sociedades de bem-estar estão a deixar esse lugar ao sol, no perigo que se corre nestas épocas de o sol continuar nascer só para alguns. O bem-estar, que não pode ser sinónimo de consumo (quanta educação para o consumo é hoje uma urgência!), é conceito móbil, vai mudando, adaptando-se aos novos cenários.
3. É o nosso regresso à terra! Vivemos séculos agrícolas, tudo vinha daí; depois com a revolução industrial absolutizámos a máquina; na revolução digital, agora, endeusámos a tecnologia. Até houve quem criasse quase incompatibilidade psíquica com a agricultura…! Também aqui os tempos são de rápida mudança e hoje até se chama «produto biológico» àquilo que outrora era a forma mais artesanal de produção agrícola. A correcção da história está aí: voltamos a reconhecer que a terra é imprescindível e que a agricultura é um bem primeiro da nossa própria subsistência vital com qualidade. O que temos assistido sobre os graves problemas (já presentes) da alimentação mundial vai-nos obrigar a repensar os modelos de vida em sociedade e a relação com a terra. Esta «terra mãe» quer ser cultivada, não explorada ou dominada quimicamente…
4. Haverá pão e água para todos se o verdadeiro sentido da «justa distribuição dos bens» imperar sobre todas as lógicas do ter (de alguns). Para isto é preciso uma filosofia ética e universal para a vida deste tempo. Também aqui, estamos como as terras… Abandonámos as filosofias, o pensamento, as ideias. Ainda estamos agarrados ao poder (tão frágil) das «coisas». Seja o pensamento humano (e humanitário) sempre o condutor de todas as regulações a reinventar. Sem ele não há bem comum. É mesmo urgente e cada vez mais inadiável!
Na Linha Da Utopia
As Juventudes, todos os dias
1. Como hábito, o discurso presidencial do chamado dia da liberdade trouxe à ribalta sentimentos e preocupações que são reflexo da vivência diária da sociedade portuguesa. Desta feita o centro de referência foi a juventude. Duas tónicas foram sublinhadas: a «ignorância dos jovens» em relação à história política recente de Portugal, e nela a do 25 de Abril, e a «notória insatisfação» dos portugueses em relação ao funcionamento da vida política e democrática. Do que foi revelado pelo estudo efectuado sobre o alheamento das juventudes face à política, a configuração político-partidária tem deixado bastante a desejar nestas décadas democráticas.
2. Se por um lado se pode justificar o alheamento dos jovens da nossa história contemporânea pelo facto da idade, pois os jovens de hoje não viveram esse tempo concreto, por outro toda a complexidade da história que encerra a revolução dos cravos parece ainda mal compreendida, carecendo de uma pacificação na sua justa e contextual análise. No fundo, como tem sido passado esse testemunho e que «liberdade» tem falado da liberdade do 25 de Abril? Sem ocultar todos os complexos ângulos da questão, mas sem revivalismos que bloqueiam entendimentos em ordem ao futuro. Também, ainda que a história já fosse pacífica (se é que algum dia o será), uma certa indiferença da liberdade das juventudes vai assumindo contornos de desconhecimento dos pilares sociais fundamentais. Sem simplismos, tudo hoje corre demais e a história corre o perigo de passar à história.
3. Talvez, neste incompleto de essência da própria liberdade, afirma-se como imperativo tanto a consciência de que o regime da liberdade não pode esquecer a sua origem, como o não perder a consciência de que essa liberdade não é um dia histórico mas será tarefa diária. Talvez já seja pacífico entre as diversas correntes políticas a frase que o presidente da República referiu, pensamento semelhante ao de anteriores presidentes: que «num certo sentido, o 25 de Abril continua por realizar». Efectivamente, só quando as liberdades sintonizarem com todas as responsabilidades então atingiremos a meta... O estudo apresentado (como caminho de reflexão) revela que os jovens mostram aptidões extraordinárias para o voluntarismo social. Esta energia, que os partidos foram perdendo progressivamente, quererá ser integrada como dinamismo positivo na sociedade de todos…
4. O partido do governo no comentário ao discurso presidencial, destacava a «necessidade de envolver os jovens na política». Mas esta urgente consciência de participação cívica e democrática não cai do céu de forma instantânea. Importa alimentar de valores, éticas e princípios toda a vida social e, em particular, corresponsabilizando os jovens pelo presente (que é já futuro). Os jovens olham e perguntam: em que escala de valores se alicerça a vida social? Qual o lugar do ter em relação ao ser? É nesta fonte que a água terá de deixar de ser inquinada, quando não a mensagem não passa, antes pelo contrário. Também o optimismo precisa de raízes (no ser) para ter sustentabilidade. Quantas decisões, explícitas ou não, vão no caminho contrário ao da corresponsabilidade dos jovens na vida da comunidade…Vale a pena parar, apreciar e promover as instâncias que efectivamente apoiam os jovens numa vida com sentido e com valores sociais.
Na Linha Da Utopia
A crise do arroz
1. Cerca de metade da população mundial tem no arroz a sua base alimentar. Este mapa cresce tanto mais quando tomamos consciência da acentuação demográfica da Ásia, populações nas quais o arroz se assume quase como uma matriz cultural. A reconfiguração mundial da globalização económica vai-nos trazendo os seus efeitos inevitáveis, e a adaptação aos novos contextos é tarefa sempre difícil. Lembramo-nos de há algumas semanas a crise dos cereais, nomeadamente de trigo, ter despertado as instâncias económicas mundiais para cenários de crise sem precedentes, ou não fosse o trigo da base do pão, o elemento mais básico da alimentação, das mesas humanas.
2. Sem alarmismos, mas na consciência realista do que está a acontecer, vem agora o alerta estatístico da crise no mercado mundial do arroz, tido de «consequências imprevisíveis». O preço tem subido em catadupa, recordes de sempre são batidos. Os níveis de produção são, desproporcionalmente, dos mais baixos desde a década de oitenta. As reservas mundiais estão em risco de colapso histórico, enquanto a procura não para de aumentar. As instâncias dos fundos alimentares e os programas das Nações Unidas da área estão cabalmente em risco... Até mesmo o Banco Mundial vem lançando alertas para os trágicos perigos de problemas sociais para mais de trinta países, onde o arroz tem sido a salvação das gentes.
3. Já se reconhece abertamente que não há arroz para responder às encomendas necessárias. Os países produtores fecham-se nos receios da revolta de suas populações. O grande Brasil suspendeu as exportações, medida com efeitos imediatos; os EUA já têm racionamento à sua venda. América Latina e África, na ausência do arroz agravam a sua crise de fome e instabilidade social. Como sempre, que o diga a negociata global do petróleo, é a oportunidade para os grandes negócios de alguns. A crise tem sempre o reverso da medalha, sendo para uns poucos a oportunidade de enriquecimento na subida astronómica dos preços, como se verifica na Tailândia, o maior exportador mundial de arroz.
4. É o «tsunami silencioso», que já faz da fome a notícia que este século tecnologicamente pródigo vai semeando. Segundo agências de informação, no Vietname os produtores foram proibidos de assinar contratos de exportação a partir de Junho; o Egipto, já desde Outubro, baniu os carregamentos para o exterior; na China, o governo aplicou uma taxa extra de 5% a produtores que pretendam exportar. As medidas restritivas, diante das crescentes incertezas de uma economia mundial comandada pela loucura dos preços do petróleo, vão-se multiplicando. Também se pode juntar a este cenário, não só a nova força dos biocombustíveis mas a chegada dos novos especuladores americanos, que da tragédia dos mercados imobiliários, transitaram agora para as matérias-primas. Novos contextos do ajustamento da globalização económica, mas com novos riscos que fazem temer o pior: a chocante e gritante fome, aqui ao lado, em pleno séc. XXI. Quanto a nós, é proibido esbanjar e estragar comida! Seja um pedacinho de pão!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [27.04.2008]
Na Linha Da Utopia
XVIII FITUA: privilégio para Aveiro
1. A tradição está criada, a qualidade sempre garantida. As gentes da cidade acolhem o XVIII FITUA – Festival Internacional de Tunas da Universidade de Aveiro. Como todos os anos, é em beleza que se iniciam as festas académicas. Da organização cuidadosa da TUA - Tuna Universitária de Aveiro (www.tua.com.pt), núcleo cultural da Associação Académica da Universidade de Aveiro, o FITUA dá o verdadeiro espírito da confraternização festiva da cidade com a universidade, dos estudantes com a sociedade em geral. Faz-nos bem, a uma comunidade construtiva chamada a ser participativa, apreciar este esforço que traz a Aveiro tunas de estudantes de outras paragens: este ano o FITUA, além da habitual presença colaboradora dos da casa e de Portugal, no espírito animado intercultural que caracteriza as juventudes, Aveiro acolherá tunas de Espanha e Peru.
2. A estimulante história é longa, no mar alto, já é o XVIII FITUA. Nas sociedades do futuro, na historiografia a ser realizada sobre os dinamismos criados que construíram sentidos de festa e de comunidade, as tunas representam uma riqueza cultural e patrimonial académica de excelência. E em Aveiro o FITUA constará nessa história como o esforço e a ousadia de estabelecer pontes criativas e envolventes com a comunidade em geral. O tempo actual aproxima todas as distâncias antigas. A internacionalização da vida universitária foi transferida também para a cultura académica que as tunas representam. Dizer que já é o XVIII Festival Internacional representa que de forma precursora se assumiu um desígnio universalista que está inscrito na juventude, esta que estuda nas universidades por esse mundo fora.
3. O Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, nos dias 25 e 26 de Abril, acolhe este acontecimento que é um privilégio para Aveiro. O FITUA faz parte do mapa da cultura local e regional. As tunas, que colaboram generosamente em tantas iniciativas de solidariedade ao serviço de um mundo melhor, são, em si mesmas, esse sentido de comunidade universitária aberta e plural, onde a música e a animação querem colorir de sentido e esperança contagiante a própria vida diária. Como sempre, cada ano é único. Apreciar e reconhecer o mérito é, também, edificar comunidade viva e participativa. Os que foram semeando, organizando e apoiando este acontecimento (diríamos) insubstituível, o que faz dele «o terceiro festival mais antigo do país e um dos mais prestigiados da Península Ibérica» (www.ua.pt/uaonline), sentem a alegria de um momento marcante da vida universitária e da sociedade aveirense.
4. É importante, no tempo actual (por vezes, por um lado tão indiferente, por outro observador e comentador mas pouco “construtor”), reconhecer-se e transferir-se para a comunidade das juventudes esta energia positiva do mérito de tamanho projecto… que percorre os anos a transmitir a estimulante criatividade da festa, cheia de cultura e de vida universitárias! É isso mesmo!...
Na Linha Da Utopia
1. Embora esta afirmação pareça uma evidência muito prática, a verdade é que são já alguns milhares de anos de caminho percorrido nesta descoberta e o horizonte da «educação para todos» e para cada um apresenta-se ainda como tarefa ideal a realizar. Inesgotável por essência, ou não estivessem a riqueza e a pluralidade de expressões humanas inscritas no ser ilimitado, todavia, algumas balizas referenciais já, hoje, são assumidas de forma geral na educação. Mas na medida em que quer o contacto dos povos com a sua diversidade sócio-cultural, quer a própria multiplicidade cada vez mais emergente de tecnologias, tudo lança desafios (desinstaladores quanto estimulantes) às concepções de educação, na fronteira do discernimento entre o essencial que deve permanecer e o acessório a mudar.
2. Proclamado pela Conferência Geral da UNESCO (1995), 23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, na promoção de uma maior consciencialização, mesmo em tempos de Internet, da importância do livro na vida e no desenvolvimento das sociedades. Também este ano 2008, sendo Ano Europeu para o Diálogo Intercultural é o Ano Internacional das Línguas. As línguas como cultura, espelho de identidades e comunidades, super-abundam. São sete mil línguas que existem no mundo. Quanta riqueza! Mas segundo estudos recentes 50% delas, nos novos contextos de globalização de tendência “uniformizante”, correm o perigo de desaparecer. É bom o sentimento de uma língua que seja veículo de comunicação entre todos, mas essa uniformidade faz correr o perigo de um igualitarismo que empobrece a riqueza das expressões humanas nas culturas. Talvez o maior desafio contemporâneo seja o compreender-se, e o agir mesmo politicamente em conformidade, a promoção inclusiva de todas as diversidades de língua e cultura.
3. Este dia 23 de Abril, este ano de forma especial, merece todos os destaques. A globalização comunicacional vai-nos tornando em sintonia on-line. Se as tragédias humanas têm imensa visibilidade, que tenha bem mais o que pode resgatar o mundo.


