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20 de fevereiro de 2008

Mundo cinzento

Free Kareem

Faz dia 22 um ano que o blogger egípcio foi preso por dizer o que pensa.

12 de outubro de 2007

8 de outubro de 2007

Liberdade de imprensa

José Rodrigues dos Santos à Pública por causa de interferências externas na direcção de informação da RTP. (in Correio da Manhã)

16 de agosto de 2007

Wikipédia Socrática

O Francisco José Viegas chama-nos a atenção para mais uma pérola de gestão de informação. Anda para aí tanta gente a fazer mestrados na coisa, mas eu acho uma perda de tempo. Aqui teremos um caso em que vale a pena defender uma re-centralização do Ensino (superior, diga-se). Já se percebeu que em matéria de gestão de informação o governo é barra, tem doutores. O ministro Mariano Gago, sapiens sapiens, podia chamar a si - já agora - a realização de mestrados (dos velhos) e doutoramentos sobre esta matéria e outras correlacionadas. Não acreditam? Então vejam lá como o governo gere a informação da Wikipédia, e depois digam-me se não se podia abrir curso, com saber de experiência feito. E ainda há quem diga que são "os longos braços da censura socrática". Por favor, já não se pode trabalhar.

4 de julho de 2007

Liberdade de imprensa

A coisa está a mexer, o que me deixa muito satisfeito.
Petição pela Liberdade de Imprensa:

Movimento Informação é Liberdade
«O grupo de jornalistas abaixo assinados constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República.»

29 de junho de 2007

O festival do respeitinho no seu esplendor

Repetem-se os excessos de autoridade. O zelo é imposto pelo medo. O bom funcionário público não pode criticar o chefe. Não pode ter opinião, a não ser longe da local de serviço, na penumbra da higiene política das instituições. É um velho-novo-velho zelo em acção. Já era assim no tempo do senhor Presidente do Conselho, era assim, era. Era?
Se, por exemplo, fossem demitir todos os directores de escolas que permitem, na sala de professores, papéis afixados com piadas à ministra da Educação, não sobrava um. Digo eu, porque também há escolas onde os cachorinhos políticos são lobos de guardar rebanho.
estamos bem, no bom caminho.
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Polémica no Centro de Saúde de Vieira do Minho
Manuel Alegre: exoneração ordenada por Correia de Campos é "desproporcionada" e "intolerante"
29.06.2007 - 09h12 Lusa in Público

O deputado do PS Manuel Alegre considerou hoje "desproporcionada" e "intolerante" a decisão de Correia de Campos de exonerar a directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho que, segundo a tutela, se recusou a retirar um cartaz com um comentário considerado jocoso em relação ao ministro da Saúde.
Em declarações aos jornalistas, o ex-candidato presidencial disse ter lido o despacho publicado ontem em Diário da República, classificando-o como "confuso".Segundo o deputado socialista, pelo despacho "é difícil perceber-se o que se terá passado no Centro de Saúde de Vieira do Minho"."Em todo o caso, penso que se está perante uma reacção desproporcionada e pouco conforme com a tradição de tolerância e de espírito crítico dos socialistas", declarou Manuel Alegre.Manuel Alegre deixou ainda um recado para o interior do PS e para o Governo: "Pretendi educar muita gente no PS dentro desse espírito de tolerância, mas, pelos vistos, sem resultados". O despacho de exoneração de Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso foi publicado ontem em Diário da República. A agência Lusa diz ter recebido uma cópia das mãos de deputados socialistas que se manifestaram "incomodados com a situação"."Pelo despacho (...) do Ministro da Saúde, de 5 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo", lê-se no despacho.Perante este caso, o ministério considerou demonstrado que Maria Celeste Cardoso não reúne condições "para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde".

29 de maio de 2007

Cartas Para Sakhalin - Diário de Aveiro (006)

Escravatura – uma coisa do passado
Têm sido demais – uma só seria demais – as notícias sobre trabalhadores portugueses que são explorados sob a promessa de uma vida melhor. Levados para o estrangeiro por agências intermediárias, nestes tempos difíceis e de desemprego crescente, são colocados a trabalhar em condições desumanas. São, em muitos casos, explorados à pior moda antiga, fazendo-nos duvidar das conquistas da história em matéria de direitos humanos. São, podemos dizer, independentemente da definição formal ou legal, escravizados. Estarão ainda frescos na memória de todos, pelo menos dos que não dormem sobre a desgraça alheia, os casos mais recentes em Espanha e na Islândia.
Mas nada disto tem grande significado por serem portugueses, não, mas antes por serem seres humanos como outros, muitos outros, ainda em piores condições. Estes poderão ser vistos por nós como a ponta portuguesa do iceberg – nada de mais (no contexto global), por mais que nos custe. São nossos e devemos defendê-los, claro que isso não está em causa. Mas devemos fazê-lo na consciência de que esta gélida e profunda vergonha humana é feita de muitas dezenas de milhões de escravos “modernos”, num movimento que não tem fronteiras e onde não há países inocentes.
Também estão em Portugal. Seres humanos traficados de todo o mundo, sobretudo da Europa de Leste, a quem começam por prometer uma vida melhor e depois subjugam, primeiro pela apreensão de documentos, depois pelas dívidas eternizadas (alojamento, refeições, supostos subornos para conseguir a legalização), caçando-lhes a maior parte do salário. Caso os infelizes transpirem vontade de fuga, mostram-lhes que sabem onde moram os familiares nos países de origem.
Calcula-se que cerca de 4 milhões de mulheres sejam metidas no negócio da “carne branca” todos os anos. Às vezes são os próprios pais ou “namorados” que as vendem. Vêm de lugares pobres, de países ou regiões em crise económica. Há milhares de crianças na mesma situação. Outras são raptadas e vendidas por estas redes “empresariais” do crime organizado multinacional. É o pior dos parasitismos.
Mas há também os que são escravizados nos seus países, trabalhando à frente do chicote sem descanso, sobrevivendo a pão e água, metendo produtos baratos no mercado da globalização – que não tem culpa nenhuma do facto – para o nosso próprio bem-estar. São aos milhões. São, em grande parte dos casos, crianças com menos de 10 anos. Hoje têm novos senhores, do seu próprio povo, o que só agrava a miséria da sua condição. Subjugados por gente sem escrúpulos, com a conivência de antigos vendedores de sonhos que deram em corruptos estadistas e com a complacência diplomática da “realpolitik”, têm poucos motivos para sonhar com a verdadeira libertação. É bom que não esqueçamos que não estamos livres desse peso na consciência da nossa (actual) política externa. Temos convenientes relações com a maioria desses Estados.
Em muitas das ocasiões em que a escravatura é referida, no cenário das relações internacionais e no âmbito das correcções da história, lá aparecem as referências ao tráfico de africanos para a América feitas por europeus – justas –, e as exigências de pedidos de desculpa formais – apenas mais uma palhaçada no triste espectáculo da humanidade.
O pior mesmo é que existem actualmente mais escravos do que alguma vez foram comercializados durante esse período de cerca de 300 anos. O pior é que muitos dos líderes dessas nações não se olham ao espelho. Os seus gestos indignados, exigindo reparação, em regra, não são mais do que poeira atirada para os olhos da ignorância e o coração da inocência. Procuram encher o vazio em que se transformaram muitos dos movimentos de libertação nacional, esconder vícios internos, e alimentar, em muitos casos, o romantismo complexado, oco e bacoco, pouco construtivo, mas politicamente correcto, de pretensos defensores dos direitos humanos – um enfeite.
Quase 60 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), depois do fim da Colonização – embora haja ainda países que convenientemente as conservam –, depois do fim da segregação racista nos EUA, depois do fim do apartheid, tudo isto é miserável!
Ainda era um miúdo quando ouvi pela primeira vez, arrepiado, a repetição do discurso inflamado, inspirador, de Martim Luther King frente ao Lincoln Memorial em 1963. King dizia à multidão «I have a dream»: tinha o sonho de que um dia fosse possível que filhos de escravos e filhos de antigos donos de escravos pudessem sentar-se juntos, nas colinas vermelhas da Geórgia, à mesa da fraternidade.
A realidade mostrou ser bem mais complexa. Esta culpa, sem nacionalidade nem cor de pele, deixa-nos a todos profundas marcas de chicote na alma.

Respeito, muito respeitinho e medo
As coisas andam feias e crispadas. A nossa vida em sociedade anda tensa. Estamos afastados da política. Não acreditamos na justiça. A economia não ajuda. Talvez nos valha aquele ditado popular: casa onde não há pão, todos ralham, e ninguém tem razão. Andamos um pouco irritados com a sorte, mas isso não pode servir de desculpa para tudo
Há por aí gente muito zelosa em garantir o respeitinho ao Senhor Presidente do Conselho (se é que me entendem). Cuidado, muito cuidadinho. Parece que voltámos uns anos atrás. Subtilmente estas coisas acontecem, porque na verdade, lá no fundo, as pessoas não mudaram assim tanto, como se desejaria. Há sempre tendências, inclinações, tiques que perduram. Fazer vigilância ideológica, defender o chefe,a “família”, tudo isso serve de desculpa para perseguir no trabalho (na função pública) e alimentar a carneirada de queixinhas bajuladores. Não está correcto, nem pode ser admitido. Venha de quem vier.
A Sra. Directora-Geral de Educação do Norte, ao instituir o processo disciplinar ao professor, que terá feito um comentário jocoso ou uma ofensa (?), em privado, ao primeiro-ministro, mostrou bem a sua cepa. Mesmo que o comentário fosse, e não me interessa nada saber, do mais reles possível, isso não lhe dava o direito de fazer o que fez. Na verdade, nem interessa o que disse o professor, porque, se foi em privado e sobre uma figura pública, não pode constituir motivo de processo disciplinar, nem pode ser visto como uma ofensa.
Não vale a pena vir para a televisão contar estórias da carochinha, nem vale a pena a ministra da Educação vir dizer que está a decorrer um inquérito para justificar a sua inacção. Mau, afinal, o cargo de directora-geral* não é de confiança política? Inquérito?! Basta o comunicado da direcção-geral* para a demitir.
Respeito, muito respeitinho. Tenham medo.
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* Errata: directora-regional, direcção-regional (de Educação do Norte)