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15 de abril de 2008
8 de novembro de 2007
31 de outubro de 2007
Entrevista ao MNEC
O desígnio de Portugal é o mundo, é o mundo (Correio da Manhã)
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22 de outubro de 2007
Vergonha Lula, vergonha Brasil
No A Origem das Espécies:
«Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, dois boxeurs cubanos, desertaram da delegação cubana durante os jogos Pan-Americanos do Rio. O governo brasileiro mandou que eles fossem presos e deportados, a 4 de Agosto último. Regressaram a Cuba num avião colocado à disposição por Hugo Chávez. A Comissão de Relações Experiores do Congresso Brasileiro decidiu investigar as condições em que o governo de Lula devolveu os cubanos à procedência, sobretudo depois de a imprensa noticiar que eles já não estão em Havana e sim num local recôndito e desconhecido da ilha. Assim, decidiu enviar um grupo de deputados a Cuba, a fim de entrevistarem os rapazes. O embaixador de Cuba em Brasília negou o visto, com o argumento de que se trata de um assunto interno do seu país.O embaixador de Cuba tem razão. A vergonha foi cometida no Brasil e os seus responsáveis têm nome. Lula é o primeiro deles, no topo da lista.»
«Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, dois boxeurs cubanos, desertaram da delegação cubana durante os jogos Pan-Americanos do Rio. O governo brasileiro mandou que eles fossem presos e deportados, a 4 de Agosto último. Regressaram a Cuba num avião colocado à disposição por Hugo Chávez. A Comissão de Relações Experiores do Congresso Brasileiro decidiu investigar as condições em que o governo de Lula devolveu os cubanos à procedência, sobretudo depois de a imprensa noticiar que eles já não estão em Havana e sim num local recôndito e desconhecido da ilha. Assim, decidiu enviar um grupo de deputados a Cuba, a fim de entrevistarem os rapazes. O embaixador de Cuba em Brasília negou o visto, com o argumento de que se trata de um assunto interno do seu país.O embaixador de Cuba tem razão. A vergonha foi cometida no Brasil e os seus responsáveis têm nome. Lula é o primeiro deles, no topo da lista.»
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4 de outubro de 2007
João Vário
Livro 1
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EXEMPLO GERAL
.
COIMBRA, 1966
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para Dalila
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.
Mas ontem, ontem falámos desse homem.
E, no entanto, a cruz é a menor das promessas.
Oh, sim, lembramo-nos de que ignorávamos
o que se chama o domicílio, o valor,
o opúsculo, esta ou aquela agrura
mais do que matar o irmão. E de como
serve ama casa morta, o irmão morto,
a intensidade ou tal coisa
mesmo intensa, intensíssima.
De resto, há quanto tempo, oh
há quanto tempo não sabemos falar
do passado? Certamente,
o rigor, a infidelidade, a tensão—
espantos do último trimestre, esta
quase arte funerária com que elevamos as vozes
não ignoram que nos vendemos
por outro contágio: esse gosto
de ser verdadeiro, ou tal juro.
Porém, ontem, mas vede bem, ontem,
Omitimos, propositadamente, o que
sabemos da perplexidade. Mas quem sabe,
quem sabe se tal será legítimo ainda?
In João Vário (2000). EXEMPLOS: Livros 1-9. Mindelo: Edições Pequena Tiragem.
E, no entanto, a cruz é a menor das promessas.
Oh, sim, lembramo-nos de que ignorávamos
o que se chama o domicílio, o valor,
o opúsculo, esta ou aquela agrura
mais do que matar o irmão. E de como
serve ama casa morta, o irmão morto,
a intensidade ou tal coisa
mesmo intensa, intensíssima.
De resto, há quanto tempo, oh
há quanto tempo não sabemos falar
do passado? Certamente,
o rigor, a infidelidade, a tensão—
espantos do último trimestre, esta
quase arte funerária com que elevamos as vozes
não ignoram que nos vendemos
por outro contágio: esse gosto
de ser verdadeiro, ou tal juro.
Porém, ontem, mas vede bem, ontem,
Omitimos, propositadamente, o que
sabemos da perplexidade. Mas quem sabe,
quem sabe se tal será legítimo ainda?
In João Vário (2000). EXEMPLOS: Livros 1-9. Mindelo: Edições Pequena Tiragem.
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Como tinha prometido, publicarei extractos da poesia de João Vário, ou João Varela, escritor cabo-verdiano que faleceu recentemente, para nosso prejuízo. Uma homenagem mínima.
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Janela
Governador do DF 'demite o gerúndio'
Arruda diz que idéia é acabar com a típica burocracia dos governos.Ato foi publicado na edição desta segunda-feira no Diário Oficial do DF.
(via Blasfémias)
DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
.
Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.
.
Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA
Arruda diz que idéia é acabar com a típica burocracia dos governos.Ato foi publicado na edição desta segunda-feira no Diário Oficial do DF.
(via Blasfémias)
DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
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Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.
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Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA
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2 de outubro de 2007
Janela
artigo de Luís Serrano sobre João Varela no Primeiro de Janeiro
(clique para ampliar e ler)
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28 de setembro de 2007
21 de setembro de 2007
Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (16)
Paixões proibidas?
Sempre que me perguntam, no estrangeiro, de onde sou, tenho uma grande dificuldade em dar uma resposta clara. Recordo-me de uma vez, na Indonésia – corria o ano de 2003 – que o meu interlocutor, um guia turístico balinês, olhou algo incrédulo a minha explicação balbuciante e, acredito que por momentos, terá mesmo suspeitado estar perante um perigoso apátrida. Dizia-lhe eu que tinha nascido em Angola, tendo depois de 1975 ido viver para Portugal, mas que estava a trabalhar em Timor-Leste e me sentia uma espécie de cidadão da língua portuguesa.
O meu novo amigo, que me conduzia ao hotel de Bali onde passaria uma noite, em trânsito para Díli, depois de breves instantes em silêncio, de mais algumas explicações, nomeadamente do que significava a expressão do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”, exclamou para meu espanto: «Então, também eu sou um pouco dessa pátria!»
Tinha razão, de certa forma, aquele amável indonésio da ilha de Bali. Afinal, admiravelmente, tínhamos tido aquela longa conversa na língua de Camões. Surpreendidos? Como havia muitos portugueses a passar por Bali na sua viagem para Timor e muitos timorenses também, ele havia decidido aprender português, por sua conta e risco, sozinho. E falava lindamente. Além disso, conhecia muito da nossa geografia, da nossa história e da nossa cultura, que admirava, e dizia-se, para minha tristeza, que sou sportinguista, adepto do Futebol Clube do Porto. Tinha descoberto, nos seus estudos, que a língua indonésia tinha dezenas e dezenas de palavras com origem neste pequeno país da Europa, como jenela (janela), sepatu (sapato) e gereja (igreja). A agradável conversa logo se estendeu ao recepcionista do hotel, agora em inglês, com uma abordagem dos laços históricos entre Portugal e a Indonésia, o que justificava, numa situação ímpar, uma sala no Museu Nacional dedicado a Portugal.
Vem esta inesquecível memória a propósito daquilo que é ser português ou, mais precisamente, habitante dessa pátria que é uma língua. Talvez choque muitas pessoas ao dizer que, para mim, é português quem fala a língua e a sente como sua.
Declaro-me, portanto, defensor dessa pátria, acima de quaisquer fronteiras, acima de quaisquer diferenças, acima de todos os conflitos. A língua portuguesa pode e deve ser um espaço de história comum, de pontes culturais, de fraternidade e de paz. Diria que deve ser esse veículo, activo, de promoção do humanismo português, desse Portugal ao jeito do Padre António Vieira ou do filósofo Agostinho da Silva. Um Portugal para além do país físico, para além dos portugueses, que tantos teimam em ver apenas como membro da União Europeia, esquecendo aquela vocação que deu mundos ao mundo.
Esta afirmação que faço tem, é claro, implicações muito para além do simples romantismo que muitos simpaticamente me atribuirão. E é aí que quero chegar. E esqueçam, por favor, qualquer emoção nacionalista, imperialista ou colonialista, que não me agrada nem um pouco. Não é para aí que quero ir. Venham comigo.
Acabou recentemente uma boa série televisiva – “Paixões Proibidas” – baseada na obra de Camilo Castelo Branco, que trouxe para a ribalta a nossa história comum com o Brasil, esse grande Portugal. O período retratado foi aquele em que, depois da fuga da Corte para o Rio de Janeiro, após as invasões napoleónicas, um Império tinha a sua capital fora do seu centro original. Aí se viu como, apesar da feliz independência do Brasil, depois do famoso grito do Ipiranga, saído das goelas do Príncipe D. Pedro – o português que foi o primeiro brasileiro – somos uma família, e é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa. Isto é o que, para nossa desgraça, tanto portugueses como brasileiros esquecem frequentemente, para logo encontrar diferendo nas diferenças (como a pobre discussão sobre a posse da língua), que acabam por nos afastar mais do que o Atlântico. As diferenças constituem a diversidade que dá alma e cor a essa terra imaginária (a língua), unida pelo mar oceano que os portugueses tiveram a coragem transformar em caminho de encontro, nesse feito gigante da gesta humana.
Dizem-se muitas barbaridades por ignorância, ou estupidez, que promovem o afastamento dos povos, como aquela do Caetano Veloso de que os portugueses só tinham ido ao Brasil sugar e matar índios. Perdoamos-lhe pela qualidade da sua música, em português.
Mas também nós temos pecados feios na forma como tratamos os nossos “irmãos”. Não vale a pena esboçar exemplos, que todos reconhecerão no seu dia-a-dia a forma como alguns se referem aos brasileiros, e mesmo aos dos outros países da CPLP. Andamos algures entre a vassalagem política e o racismo imbecil.
A nossa desconfiança em relação aos imigrantes lusófonos muda, porém, quando nos emocionamos com os feitos desses ilustres representantes do país como o nosso velho Pantera Negra (moçambicano), o campeão do mundo de triplo-salto Nélson Évora (cabo-verdiano), a campeã europeia de salto em comprimento Naide Gomes (são-tomense), o Nani do Manchester (cabo-verdiano), o Deco do Barcelona (brasileiro) ou mesmo o nigeriano Francis Obikwelu, recordista europeu dos 100 m, entre tantos outros. Pessoas que vieram para Portugal à procura de uma vida melhor, lutaram contra grandes dificuldades, trabalharam, integraram-se, venceram, e deram um enorme contributo ao país.
Não é apenas no desporto, naturalmente, que temos casos de imigrantes de sucesso. Descobri, por exemplo, ao consultar na Internet o blog “De Rerum Natura”, de conhecidos investigadores da nossa praça, que também grandes cientistas como o Padre Bartolomeu de Gusmão (criador da passarola), José Bonifácio de Andrada e Silva (mineralogista-metalurgista) e Alexandre Ferreira (notável explorador-naturalista) eram, afinal, brasileiros, nascidos respectivamente em Santos (São Paulo), os dois primeiros, e em São Salvador da Baía, o último.
Podia falar de muitos outros casos – por exemplo na literatura, onde pouco nos interessa onde nasceu o escritor ou o livro –, para mostrar que é mais inspiradora essa pátria do tamanho da língua e da inteligência do que aquela cheia de fronteiras, assentes na pequena mentalidade que nos fechou do mundo e tanto nos prejudicou.
Isso, sejamos sérios, também nos obriga a acolher melhor os imigrantes, todos eles, sejam estrelas de futebol ou pedreiros anónimos.
É preciso vencer a ignorância, os complexos do passado colonial e o medo do desconhecido. Aqui está um novo desafio que não será certamente uma paixão proibida.
Sempre que me perguntam, no estrangeiro, de onde sou, tenho uma grande dificuldade em dar uma resposta clara. Recordo-me de uma vez, na Indonésia – corria o ano de 2003 – que o meu interlocutor, um guia turístico balinês, olhou algo incrédulo a minha explicação balbuciante e, acredito que por momentos, terá mesmo suspeitado estar perante um perigoso apátrida. Dizia-lhe eu que tinha nascido em Angola, tendo depois de 1975 ido viver para Portugal, mas que estava a trabalhar em Timor-Leste e me sentia uma espécie de cidadão da língua portuguesa.
O meu novo amigo, que me conduzia ao hotel de Bali onde passaria uma noite, em trânsito para Díli, depois de breves instantes em silêncio, de mais algumas explicações, nomeadamente do que significava a expressão do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”, exclamou para meu espanto: «Então, também eu sou um pouco dessa pátria!»
Tinha razão, de certa forma, aquele amável indonésio da ilha de Bali. Afinal, admiravelmente, tínhamos tido aquela longa conversa na língua de Camões. Surpreendidos? Como havia muitos portugueses a passar por Bali na sua viagem para Timor e muitos timorenses também, ele havia decidido aprender português, por sua conta e risco, sozinho. E falava lindamente. Além disso, conhecia muito da nossa geografia, da nossa história e da nossa cultura, que admirava, e dizia-se, para minha tristeza, que sou sportinguista, adepto do Futebol Clube do Porto. Tinha descoberto, nos seus estudos, que a língua indonésia tinha dezenas e dezenas de palavras com origem neste pequeno país da Europa, como jenela (janela), sepatu (sapato) e gereja (igreja). A agradável conversa logo se estendeu ao recepcionista do hotel, agora em inglês, com uma abordagem dos laços históricos entre Portugal e a Indonésia, o que justificava, numa situação ímpar, uma sala no Museu Nacional dedicado a Portugal.
Vem esta inesquecível memória a propósito daquilo que é ser português ou, mais precisamente, habitante dessa pátria que é uma língua. Talvez choque muitas pessoas ao dizer que, para mim, é português quem fala a língua e a sente como sua.
Declaro-me, portanto, defensor dessa pátria, acima de quaisquer fronteiras, acima de quaisquer diferenças, acima de todos os conflitos. A língua portuguesa pode e deve ser um espaço de história comum, de pontes culturais, de fraternidade e de paz. Diria que deve ser esse veículo, activo, de promoção do humanismo português, desse Portugal ao jeito do Padre António Vieira ou do filósofo Agostinho da Silva. Um Portugal para além do país físico, para além dos portugueses, que tantos teimam em ver apenas como membro da União Europeia, esquecendo aquela vocação que deu mundos ao mundo.
Esta afirmação que faço tem, é claro, implicações muito para além do simples romantismo que muitos simpaticamente me atribuirão. E é aí que quero chegar. E esqueçam, por favor, qualquer emoção nacionalista, imperialista ou colonialista, que não me agrada nem um pouco. Não é para aí que quero ir. Venham comigo.
Acabou recentemente uma boa série televisiva – “Paixões Proibidas” – baseada na obra de Camilo Castelo Branco, que trouxe para a ribalta a nossa história comum com o Brasil, esse grande Portugal. O período retratado foi aquele em que, depois da fuga da Corte para o Rio de Janeiro, após as invasões napoleónicas, um Império tinha a sua capital fora do seu centro original. Aí se viu como, apesar da feliz independência do Brasil, depois do famoso grito do Ipiranga, saído das goelas do Príncipe D. Pedro – o português que foi o primeiro brasileiro – somos uma família, e é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa. Isto é o que, para nossa desgraça, tanto portugueses como brasileiros esquecem frequentemente, para logo encontrar diferendo nas diferenças (como a pobre discussão sobre a posse da língua), que acabam por nos afastar mais do que o Atlântico. As diferenças constituem a diversidade que dá alma e cor a essa terra imaginária (a língua), unida pelo mar oceano que os portugueses tiveram a coragem transformar em caminho de encontro, nesse feito gigante da gesta humana.
Dizem-se muitas barbaridades por ignorância, ou estupidez, que promovem o afastamento dos povos, como aquela do Caetano Veloso de que os portugueses só tinham ido ao Brasil sugar e matar índios. Perdoamos-lhe pela qualidade da sua música, em português.
Mas também nós temos pecados feios na forma como tratamos os nossos “irmãos”. Não vale a pena esboçar exemplos, que todos reconhecerão no seu dia-a-dia a forma como alguns se referem aos brasileiros, e mesmo aos dos outros países da CPLP. Andamos algures entre a vassalagem política e o racismo imbecil.
A nossa desconfiança em relação aos imigrantes lusófonos muda, porém, quando nos emocionamos com os feitos desses ilustres representantes do país como o nosso velho Pantera Negra (moçambicano), o campeão do mundo de triplo-salto Nélson Évora (cabo-verdiano), a campeã europeia de salto em comprimento Naide Gomes (são-tomense), o Nani do Manchester (cabo-verdiano), o Deco do Barcelona (brasileiro) ou mesmo o nigeriano Francis Obikwelu, recordista europeu dos 100 m, entre tantos outros. Pessoas que vieram para Portugal à procura de uma vida melhor, lutaram contra grandes dificuldades, trabalharam, integraram-se, venceram, e deram um enorme contributo ao país.
Não é apenas no desporto, naturalmente, que temos casos de imigrantes de sucesso. Descobri, por exemplo, ao consultar na Internet o blog “De Rerum Natura”, de conhecidos investigadores da nossa praça, que também grandes cientistas como o Padre Bartolomeu de Gusmão (criador da passarola), José Bonifácio de Andrada e Silva (mineralogista-metalurgista) e Alexandre Ferreira (notável explorador-naturalista) eram, afinal, brasileiros, nascidos respectivamente em Santos (São Paulo), os dois primeiros, e em São Salvador da Baía, o último.
Podia falar de muitos outros casos – por exemplo na literatura, onde pouco nos interessa onde nasceu o escritor ou o livro –, para mostrar que é mais inspiradora essa pátria do tamanho da língua e da inteligência do que aquela cheia de fronteiras, assentes na pequena mentalidade que nos fechou do mundo e tanto nos prejudicou.
Isso, sejamos sérios, também nos obriga a acolher melhor os imigrantes, todos eles, sejam estrelas de futebol ou pedreiros anónimos.
É preciso vencer a ignorância, os complexos do passado colonial e o medo do desconhecido. Aqui está um novo desafio que não será certamente uma paixão proibida.
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Crónica Diário de Aveiro,
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18 de setembro de 2007
Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (16)
Paixões proibidas?
Sempre que me perguntam, no estrangeiro, de onde sou, tenho uma grande dificuldade em dar uma resposta clara. Recordo-me de uma vez, na Indonésia – corria o ano de 2003 – que o meu interlocutor, um guia turístico balinês, olhou algo incrédulo a minha explicação balbuciante e, acredito que por momentos, terá mesmo suspeitado estar perante um perigoso apátrida. Dizia-lhe eu que tinha nascido em Angola, tendo depois de 1975 ido viver para Portugal, mas que estava a trabalhar em Timor-Leste e me sentia uma espécie de cidadão da língua portuguesa.
O meu novo amigo, que me conduzia ao hotel de Bali onde passaria uma noite, em trânsito para Díli, depois de breves instantes em silêncio, de mais algumas explicações, nomeadamente do que significava a expressão do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”, exclamou para meu espanto: «Então, também eu sou um pouco dessa pátria!»
Sempre que me perguntam, no estrangeiro, de onde sou, tenho uma grande dificuldade em dar uma resposta clara. Recordo-me de uma vez, na Indonésia – corria o ano de 2003 – que o meu interlocutor, um guia turístico balinês, olhou algo incrédulo a minha explicação balbuciante e, acredito que por momentos, terá mesmo suspeitado estar perante um perigoso apátrida. Dizia-lhe eu que tinha nascido em Angola, tendo depois de 1975 ido viver para Portugal, mas que estava a trabalhar em Timor-Leste e me sentia uma espécie de cidadão da língua portuguesa.
O meu novo amigo, que me conduzia ao hotel de Bali onde passaria uma noite, em trânsito para Díli, depois de breves instantes em silêncio, de mais algumas explicações, nomeadamente do que significava a expressão do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”, exclamou para meu espanto: «Então, também eu sou um pouco dessa pátria!»
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(continua, depois de publicada no Diário de Aveiro)
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17 de setembro de 2007
Artigo do Embaixador de Portugal no Brasil sobre o Acordo Ortográfico
Vale a pena verificar que a Embaixada de Portugal no Brasil aderiu à blogosfera e mantém um blog activo!
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Parabéns Sr. Embaixador. Uma lufada de ar fresco na nossa diplomacia.
17 de agosto de 2007
De acordo
DE HISTÓRIAS DESTAS GOSTO E MUITO, Ferreira Fernandes no DN
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Pepe, anuncia o DN sport nesta edição, já é cidadão português. Pepe, ex-futebolista do FC Porto, hoje no Real Madrid, nasceu em Maceió, no estado de Alagoas, Brasil. Maceió tem uma igreja que é dedicada a São Gonçalo de Amarante. Boa razão para querer jogar pela selecção portuguesa, como quer Pepe. É de Maceió? É dos meus. Como aqueles, os da selecção nacional que jogou em Inglaterra, em 1961: Costa Pereira (moçambicano), Lino (açoreano) e Hilário (moçambicano), Pérides (sul-africano), Lúcio (brasileiro) e Vicente (moçambicano); Iaúca (angolano) Eusébio (moçambicano), Águas (angolano), Coluna (moçambicano) e Cavém. Dos onze, só este era do rectângulo. E de resvés: nascera em Vila Real de Santo António. Ah, e o seleccionador era Fernando Peyroteo, de Benguela. Atirámos três bolas ao poste e acabámos a perder por 2-0. Perdemos e brilhámos. Conhecem coisa mais portuguesa? Bem-vindo à casa-mãe, Pepe.
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Pátria da Bola,
Sociedade +
9 de agosto de 2007
Faleceu João Varela
Fotografia retirada de A Origem das EspéciesFaleceu João Varela. Registo-o com profunda tristeza. É importante dizer, sublinhar, que é pena que não tenha tido o reconhecimento devido, quer pelas entidades de Cabo Verde, quer pelas portuguesas. Por tudo, pelo que fez pela língua, que usou com mestria especial, com sabores novos, com aromas de mestiçagem. Um grande Homem, cientista, professor, neurologista, poeta, contista. Vale a pena ler o que dele diz Francisco José Viegas. Aqui, com tempo, publicarei excertos da sua obra.
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