18 de setembro de 2007

Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (16)

Paixões proibidas?

Sempre que me perguntam, no estrangeiro, de onde sou, tenho uma grande dificuldade em dar uma resposta clara. Recordo-me de uma vez, na Indonésia – corria o ano de 2003 – que o meu interlocutor, um guia turístico balinês, olhou algo incrédulo a minha explicação balbuciante e, acredito que por momentos, terá mesmo suspeitado estar perante um perigoso apátrida. Dizia-lhe eu que tinha nascido em Angola, tendo depois de 1975 ido viver para Portugal, mas que estava a trabalhar em Timor-Leste e me sentia uma espécie de cidadão da língua portuguesa.
O meu novo amigo, que me conduzia ao hotel de Bali onde passaria uma noite, em trânsito para Díli, depois de breves instantes em silêncio, de mais algumas explicações, nomeadamente do que significava a expressão do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”, exclamou para meu espanto: «Então, também eu sou um pouco dessa pátria!»
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(continua, depois de publicada no Diário de Aveiro)

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