16 de outubro de 2007

Momentum

Papéis por cima da mesa, soltos, alguns perdidos. Uma ordem própria. O mundo é um pouco assim. A vida é uma constante procura de ordem, cansativa, exasperada. Manter a desistência a uma certa distãncia, mas sempre próxima do olhar, como se tudo fosse efémero, frágil, desnecessário. Um café, aromas, livros. Um livro sempre à mão, livros por todo o lado. São sempre um referencial, uma muleta, um apoio para os braços exaustos. A cabeça assente numa miragem de mar, de praia, de um porto cheio de barcos, num suave baloiço que aguarda a partida. E um bar de marinheiros, homens velhos, lobos do mar, barbas brancas, rugas do sol. Histórias de antigamente. Ah, antigamente é que era. Casas com cores desbotadas pelo salitre da maresia sob o intenso fulgor da luz, essa luz que ainda nasce todos os dias. Essa luz própria das enseadas. O pé em terra depois do mar. O pensamento depois da leitura. Acolhimento, pertença.

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