12 de outubro de 2007

Angel

Sabe bem uma música fresca para começar a tarde. Bom fim-de-semana.

Pedofilia, Casa Pia e pianço

Isto pode dizer-se assim desta maneira? Não anda este mundo um pouco louco? E malcriado, já agora? Mas numa coisa ela tem razão: devia tudo ser investigado a sério. Esta sociedade apodrece com a Justiça que tem.

Monarquia ou república?

Espanhóis já discutem a questão do regime no DN

Nobel da Literatura

Doris Lessing vence contra as previsões no Expresso

Aconteceu

Nobel da Paz para Al Gore e Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas

Janela

A MANIF A QUE TEMOS DIREITO de Fernanda Câncio, no DN
COMPETITIVIDADE DEMOCRÁTICA de António Vitorino no DN
Cavaco chamou Catalina no Correio da Manhã
"Algo está podre na República portuguesa" no DN

11 de outubro de 2007

Fórum UniverSal - 10 de Outubro

O fórum UniverSal de ontem contou com a presença de Marçal Grilo como convidado central e a moderação de José Manuel Moreira (Prof. Catedrático da UA). Pode ver o que diz a Lusa/Diário Digital sobre o assunto.

Poesia

Tatuagem


Não é este o meu mundo, não pertenço
a estas ruas, estas casas, esta gente.
Sou de um país distante, onde me penso
vagabundo incessante e sorridente
por praias que a ternura me consente.

Não é este o meu mundo, não me vejo
ligado a coisas que não posso amar.
Sou de uma terra que namora o mar
e navega nas ondas do desejo,
liberta do temor de naufragar.

Não é este o meu mundo, não aceito
render-me à solidão desta paisagem.
Sou dos campos abertos que no peito
transporto, em traço simples e perfeito
gravados como numa tatuagem.

Torquato Luz in Ofício Diário (mesmo aqui ao lado)

Na Linha Da Utopia

A manifestação das liberdades
.
1. Há dias realizou-se a comemoração do cinquentenário do I Congresso Republicano, realizado em Aveiro, momento do qual saiu oportuna sugestão para a realização de um IV Congresso, agora já em tempos de liberdade (os outros foram realizados em 1969 e 1973). Estando o país a caminho do centenário da República (2010), muito terreno de reflexão, que se deseja ampla, estará na agenda nacional, debate este que deverá envolver todos os cidadãos humanos (optamos por esta nomenclatura “cidadãos humanos” que prioriza a dignidade do ser humano, enraizada na Declaração dos Direitos Humanos, pois há muitas visões de cidadania, até a cidadania só para alguns, ficando excluídos os que estão “fora”, na marginalidade, da(s) cidade(s).
2. Por vezes deixa-nos a pensar tanto um governado poder chamado social(ista) que vai esquecendo a sociabilidade (tudo são números de uma economia sempre à frente de tudo!), como nos deixa a reflectir (na essência) também o limitado alcance e a menor profundidade de “ser”, de “sentido do essencial”, de visões que exaltam e mesmo quase “divinizam” a “república”, como se ela fosse bem mais importante que as pessoas concretas. Colocar qualquer sistema sócio-político acima das pessoas será o primeiro passo para esquecê-las... Tantas histórias da história humana e nacional já mostraram indignificantes realizações neste contexto. É certo que, caminhando na história, os sistemas sociais haverão de garantir não só uma neutralidade (que nunca ninguém consegue), mas uma “inclusão” proporcionada de tudo quanto for bom para a comunidade, “seja bem-vindo quem vier por bem!”
3. Saber (con)viver com a manifestação da diferença de pensamento social, político, religioso, clubístico, será sinal de uma autêntica preparação democrática assente na respeitabilidade da opinião de cada pessoa. Mas o discernimento sobre a razoabilidade desta ou daquela diversidade é terreno sempre novo. Neste contexto erguer-se-á a formação humana como referencial construtivo e uma visão de pluralismo que seja garantida pelo sistema de regulação humanista e dignificante (esta uma função nuclear do Estado de Direito). A democracia, assim, por inerência, contextualizará tanto as manifestações da liberdade de pensamento, como também o respeito das regras previamente acordadas e dignificantes das mesmas manifestações. Uma qualquer causa não justifica uma qualquer manifestação ou a sua fiscalização ou mesmo impedimento. Temos, ainda, muito a caminhar para chamar “LIBERDADE” às liberdades que vamos experimentando. Precisamos de cidadãos humanos. Venha o (livre) Congresso de Aveiro!
Alexandre Cruz [10.10.07]

10 de outubro de 2007

Canto da Saudade

Mário Galiano/Caras in Expresso

Faleceu Raúl Durão. Sinto uma tristeza profunda, pois este homem foi um dos rostos marcantes da RTP. Um dos rostos com quem se aprendia a falar, a comunicar, sem erros, com respeito pelas pessoas, pelos convidados, coisa que hoje começa a ser rara.

Faleceu uma referência de qualidade na televisão.

Lembro-me de ser puto e o ouvir e ver a dizer que Sá Carneiro tinha morrido. O primeiro grande acontecimento político, humano, mediático, que me afectou e fez desenvolver em mim e nos meus colegas de Escola Preparatória um sentido político, e nos colocou a discutir coisas para além da sala de aula e das nossas distrações.

Sinto um forte tristeza, agravada pelo facto de ver uma televisão que, fora as honrosas excepções, enxutou o respeito pelo rigor, pela qualidade, pelas pessoas, pela liberdade, para um canal memória.

~


~

Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (18)

Assumir as rédeas da Escola

No passado dia 5 de Outubro, nas Comemorações da Instauração da República, o Senhor Presidente Cavaco Silva centrou o seu discurso num desígnio inspirador: a Educação.
Todos sabemos que é na Educação que reside o sucesso de um país, de um povo. Nunca é demais sublinhar que as pessoas são o nosso melhor e mais durável recurso. Se é assim, é na Educação que devemos colocar grande parte do nosso esforço, do nosso investimento. Mas esse empenho não tem que ver apenas com dinheiro. Provavelmente, tem até muito mais a ver com outras coisas.
Portugal fez um investimento financeiro grande no sistema educativo nos últimos anos, mas os resultados não são animadores – basta olhar para a elevadíssima taxa de abandono escolar e de insucesso, em todos os níveis de ensino.
Demos um salto gigantesco na generalização do acesso à Educação, é certo, mas isso não basta se a maioria desiste e tem maus resultados. Há inúmeros e difíceis problemas por resolver. A democratização do sistema de ensino, que antes do 25 de Abril não era para quem queria, mas para quem podia, transformou-se numa massificação confusa, redutora da diversidade, da motivação, da ambição.
A Escola vive hoje problemas complexos – sem respostas fáceis – que urge combater com o envolvimento persistente de todos.
A mensagem do Presidente, apelando a uma Escola “nova”, entregue às comunidades locais, é, portanto, motivo de forte inspiração e a abertura de uma oportunidade valiosa.
O repto lançado a toda a comunidade, com especial acento tónico na responsabilidade dos pais, coloca perante os nossos olhos um horizonte, uma ambição, uma responsabilidade, um dever inadiável. E faz uma crítica clara ao actual estado de coisas, apontando o dedo ao desleixo dos pais, ao desrespeito pelos professores, o que nem é muito habitual no discurso político. Podemos dizer, em jeito de desculpa, que muitos dos pais fazem o pouco que sabem e podem, coitados, que ninguém lhes ensinou mais, que não têm tempo para acompanhar os filhos. Mas só acredita nisto quem quer. Se continuarmos neste caminho de desculpabilização, pedindo ao Estado – esse ente mítico de bolsos largos e vista curta –, que tudo resolva, estaremos fritos enquanto o diabo esfrega um olho.
A Escola não é um armazém, onde os pais depositam os seus filhos de manhã e os vão buscar quase à noite, à hora de jantar-xixi-cama. Também não pode ser refúgio de professores acomodados, fechados num casulo de segurança, onde a idade é um posto, e os novos, por melhores que sejam, não têm lugar.
As nossas escolas não deverão ser, certamente, linhas de montagem, monótonas, trituradoras das convicções de cada um, do pensamento, da criatividade e do sentido crítico, mas antes uma comunidade viva, com respeito pela diversidade, que inclua os pais, familiares, autarquias, empresas, associações, polícias, bombeiros, e por aí adiante.
Um projecto de Escola que seja mais atractivo, mais inspirador, que convide as pessoas para dentro da Escola e leve a Escola à casa de cada um. Um projecto de Escola mais responsabilizante, mais exigente, mais rigoroso, sem promessas de falsa e perigosa facilidade. Uma Escola onde os professores se mantém actualizados, dinâmicos, motivados pela qualidade e o seu trabalho é avaliado pelos resultados dos seus alunos em exames externos. Contudo, isto só será possível numa Escola onde os professores têm instrumentos para trabalhar e se fazer respeitar, e onde podem consolidar um projecto de carreira baseado no esforço, na dedicação e na vocação.
Uma Escola mais livre, rica na pluralidade, aberta ao mundo, ambiciosa, assente no trabalho, formadora de gente livre e capaz.
O desafio lançado pelo Presidente da República é sem dúvida inspirador e obriga-nos a uma atitude bem diferente. A primeira mudança deverá partir do próprio Estado centralista, que tem de devolver as rédeas das escolas às pessoas e às comunidades. A segunda, de assumir o desafio localmente, depende das pessoas e das entidades locais, que devem abrir caminho, sem demoras.
Vamos ver o que Aveiro dirá sobre isto.
.
(Hoje no jornal Diário de Aveiro)

Hoje

Hoje é um dia especial. O sol brilha intensamente. Há uma brisa no ar, que me traz a maresia. Quase ouço o mar dizendo-me coisas do mundo, do outro lado. Vêm no vento, quando sopra um pouco mais forte, cheiros tropicais, aromas fortes, amizade. Vem a família, nesse calor bom e manso. Paz.

9 de outubro de 2007

Na Linha Da Utopia

Pena da Vida”
.
1. É uma virtude apreciar a vida! Não só quando ela escapa ou quando é colocada em perigo por visões que a desprestigiam, mas todos os dias o apreciar a vida como um “dom”, superior à nossa própria ordem da racionalidade, ao nosso “querer”, é sinal de autêntica profundidade de uma existência pessoal que abre “portas” a um autêntico sentido de vida. Como em tudo, só quando se reflecte e aprecia se pode proteger!...
2. Na pressa agitada e “stessada” dos tempos que correm cada vez tornar-se-á mais difícil esse apreço pelo mistério do “Ser pessoal” que nos envolve tudo o que somos; os tempos são mais de quantidade que de qualidade. Talvez o altíssimo conhecimento científico do nos viesse garantir (quase como obrigação ética) esse nova sensibilidade no apreciar da vida; mas nem por isso, com pena, mais conhecimento tantas vezes não é sinónimo de maior zelo cuidadoso…
3. Dia 10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental e Dia Mundial Contra a Pena de Morte, o Conselho da Europa decidiu proclamar este dia como “Jornada Europeia Contra a Pena de Morte”, decisão esta que havia sido bloqueada ao nível da União Europeia pelo veto de Varsóvia, Polónia. A irreverente razão polaca toca no essencial, dizendo que a Europa precisa de fazer um reflexão mais ampla sobre o direito à vida, aspecto que toca problemáticas como o aborto e a eutanásia. Fracturante, mas é a verdade da vida!...
4. Cruzaram-se, nesse contexto, as visões diplomáticas com a visão objectiva da própria realidade. Dir-se-á que, mais que dias “contra” (que têm o seu lugar como início de um caminho) a Europa pós-racionalista precisará, para se refrescar, dos dias a favor dos valores fundamentais, entre eles o valor que fundamenta a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a dignidade da Pessoa Humana. Terá de ser esta a fonte, quando não reflectimos já “poluídos”! Talvez seja hora, para além destes dias comemorativos, de incentivar todos os esforços dos que têm “pena da vida”.
5. Quando não, continuamos a querer o sol na eira e a chuva no nabal. Defendemos dias “contra” os males terríveis que se fazem (entre eles a pena de morte que todos os anos continua a ceifar milhares de pessoas em países chamados de modernos), por outro lado, esquecemo-nos da coerência interna dessa defesa da dignidade humana ao permitir, diplomática e elegantemente, outras execuções de vidas inocentes. Devolvamos (pedagogicamente) à VIDA toda a sua grandeza, não estraguemos. Ela é, por essência, intocável, inviolável, única, um “dom” que nos ultrapassa e que não temos o direito de gerir como dá jeito! Seja em que latitude for. Só assim haverá rumo certo! Enquanto isso, vamo-nos enganando e a vida passa!
.
Alexandre Cruz [09.10.2007]

Pink Floyd - Roger Waters

Hey You (Waters) 4:39
.
Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, dont help them to bury the light
Don't give in without a fight.
.
Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
.
But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.
.
Hey you, standing in the road
always doing what you're told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.
.
[Click of TV being turned on]
.
"Well, only got an hour of daylight left. Better get started"
"Isnt it unsafe to travel at night?"
"It'll be a lot less safe to stay here. You're father's gunna pick up our trail before long"
"Can Loca ride?"
"Yeah, I can ride... Magaret, time to go! Maigret, thank you for everything"
"Goodbye Chenga"
"Goodbye miss ..."
"I'll be back"
.
(colhida aqui)

Pink Floyd Dark Side Of The Moon Video Album Part 2

Esta fica em homenagem a uma amiga antiga, dos tempos de liceu, que me ajudou a aprofundar o gosto pelos Pink Floyd. Coisas que não se esquecem.

Blogosfera

De Nélson Peralta no A Ilusão da Visão (blog que recomendo):
.
«Em 2002 a Câmara de Aveiro, na altura sob a Presidência de Alberto Souto, escriturou uma permuta de terrenos com um particular que deveria ser efectuada até algures [Maio?] em 2003 . Deste contrato fazia parte a indemnização de 15.000 por cada mês de atraso na permuta.
.
ontem o assunto foi resolvido com um acordo e com a revogação da escritura de 2002, quando o caso já estava em tribunal e a indemnização (entre compensação, juros e penalizações) ascendia a 929.600 euros.

Pink Floyd Live at Pompeii - Echoes Part 1a

Haverá alguma coisa parecida? Não sei explicar, talvez a influência que tiveram na minha pré-adolescência e na adolescência, não sei, fico maravilhado quando os ouço.

8 de outubro de 2007

OuTonalidades



Conheça todos os 26 grupos desta edição e respectivo roteiro:
.
Conheça todos os 10 espaços desta edição e respectiva agenda:http://www.dorfeu.com/eventos/outonalidades/2007/img/desdobravel_digital_out07_c.gif11ª
.
edição 04 Outubro a 22 Dezembro 2007 circuito nacional
Águeda, Cantanhede, Estarreja, Évora, Fundão, Guarda, Lisboa, Paços de Ferreira, Tondela

OuTonalidades alarga circuito a oito distritos!
.
É cada vez mais nacional o roteiro do OuTonalidades, evento rotativo de música ao vivo que começou por ser um pequeno circuito local de bares e que já chega, nesta edição, a oito distritos: Aveiro, Évora, Lisboa, Viseu, Porto, Coimbra, Guarda, Castelo Branco.O OuTonalidades reforça, a cada nova edição, uma proposta de programação que privilegia a adesão de bares de vocação cultural, hábitos e condições de música ao vivo, nomeadamente espaços associativos e cafés-concerto. O Outonalidades não é um festival de bares com música, mas antes um festival de música nos bares. A evolução da lista de espaços aderentes ao OuTonalidades reforça essa ideia e estimula o cruzamento de esforços de muita da programação independente em Portugal.A preferência por este universo de locais tem como consequência o alargamento do roteiro a quase metade do território nacional, depois de ter iniciado há 11 anos como um pequeno circuito local de bares em Águeda, que continua aliás a ser epicentro do circuito. Depois de na última edição ter já percorrido cinco distritos, este ano o OuTonalidades vai chegar a oito: Porto, Aveiro, Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Évora.Por outro lado, esta foi a edição que mais procura por parte dos grupos suscitou. De uma bolsa inicial de mais de 80 grupos inscritos, facto absolutamente inédito, chegou-se a um programa com a presença de 26 grupos no roteiro, oriundos de todo o país e também de Espanha, de genéros que vão do jazz ao tradicional, do rock ao humor, do pop ao fado, do experimental às músicas do mundo.O circuito actual do OuTonalidades, em franca expansão geográfica e em enorme palco de oportunidades, estimula o sentido de rede, partilhando pequenos espectáculos em pequenos espaços. É um evento de pequeno formato, mas com o envolvimento e visibilidade dos grandes acontecimentos.O OuTonalidades®, que é Marca Nacional Registada enquanto evento cultural, é reconhecido como actividade de Superior Interesse Cultural pelo Ministério da Cultura desde 2003. Os Municípios de Estarreja e de Águeda são parceiros desta 11º edição, que é produzida pela d’Orfeu Associação Cultural.Com um OuTonalidades assim, escolha o roteiro e viva o Outono a cores!

Gesto Orelhudo - D'Orfeu

Pagagnini fechou o 6º Festival “O Gesto Orelhudo”com um espectáculo arrebatador!
.
Dificilmente alguém pensou que, depois de noites como a de Leo Bassi, Ferloscardo, Slampampers ou mesmo The First Vienna Vegetable Orchestra, seria ainda possível a programação do 6º Festival “O Gesto Orelhudo” surpreender o público. Pois foi com o magnífico “Pagagnini” que o festival, na noite de encerramento, chegou aos píncaros do brilhantismo, da admiração e da completa rendição do público que fez de Águeda, durante uma semana, o seu destino cultural.Na noite de encerramento, os madrilenos Yllana apresentaram “Pagagnini”, um arrebatador concerto cómico de música clássica dirigido pelo incrível violinista libanês Ara Malikian. A ovação do público foi das mais estrondosas da semana perante um encerramento com chave de ouro.Foi com intenso entusiasmo, fidelidade e grande espírito cultural que o público viveu esta semana inesquecível em Águeda. Um festival que se construiu com inúmeros apoios locais, nacionais e internacionais, qualquer deles decisivo para o êxito público do 6º Festival “O Gesto Orelhudo”, co-produzido pela d’Orfeu Associação Cultural e pela Câmara Municipal de Águeda.Esta grande festa da fusão músico-teatral mobilizou às centenas de espectadores por noite, enchendo diariamente a Tenda do Espaço d’Orfeu ou o Cine-Teatro São Pedro. O festival chegou ainda, com os espectáculos paralelos, a cerca de 1500 crianças e jovens das escolas do concelho. Com esta programação de 15 espectáculos de 6 países em 8 dias, “O Gesto Orelhudo” pôs assunto cultural na boca dos comentários matinais da cidade e na agenda diária de toda a região.

Os comentários em blogues:
.
Os vídeos do 6º Festival “O Gesto Orelhudo”
.
As fotos do 6º Festival “O Gesto Orelhudo”
http://www.dorfeu.com/
.
(in D'Orfeu Mailing List)

Liberdade de imprensa

José Rodrigues dos Santos à Pública por causa de interferências externas na direcção de informação da RTP. (in Correio da Manhã)

Homo obscuris

Para aqueles que dizem que, se os pais de Maddie estiverem envolvidos na sua morte ou na ocultação de cadáver, ficam, surpreendentemente, com um olhar diferente sobre o ser humano, vamos coleccionar aqui alguns exemplos. E vai um. E vão dois.
É que, independentemente da bondade desta gente, há motivos de sobra para manter alguma desconfiança da espécie, algum reconhecimento da realidade. As coisas, infelizmente, não são como desejaríamos.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Na Linha Da Utopia

Legislação simples para mais eficácia
.
1. Diz-se muitas vezes que a nossa legislação é profundamente complexa, impenetrável na linguagem, só consegue “entrar” quem é especialista, ficando à margem quem não estudou tal área de especialidade. Se é naturalíssimo em certas áreas de fronteira científica só conseguir acompanhar quem está “por dentro”, talvez naquilo que deve ser preocupação de todos a simplicidade comunicacional torna-se uma virtude indispensável. É sempre difícil mas é mesmo importante, para um maior envolvimento da comunidade. Esta área do direito precisará do esforço que noutras áreas se tem feito (por exemplo destaque-se o empenho de projectos na área da Ciência Viva que procura sensibilizar o grande público para a ciência). Precisaremos de programa “direito vivo”?!
2. Os especialistas dizem que somos “especialistas” em desdobramentos e “prolongamentos” prolixos no que ao direito diz respeito. Saliente-se, cabalmente, que nesta área específica quantidade não é sinónimo de qualidade e será a “praxis” (prática) a desafiar a teoria em que temos vivido. Será olhando para o estado da justiça, saúde e educação que vemos os frutos (ou a sua ausência) de tanta e tanta legislação. Se ao fim das décadas democráticas estamos como estamos, onde as três áreas fundamentais continuam titubeantes ainda em “experiências”, ter-nos-á faltado (?) uma capacidade maior de legislação que tivesse contextualizado e presidido, ela própria, ao máximo consenso possível nas áreas fundamentais de um país.
3. Extremamente interessante é a constatação que, nos primeiros tempos globais, nos vem dos escritos da Utopia (1516). Tomás Moro (1478-1535) diz que nessa ilha ideal as leis eram simples, por forma a que todos pudessem compreender. Precisamos desta (re)aproximação. A comunidade em geral carece de conhecer mais esta área estruturante e sustentável, afinal, da própria democracia. Quanto mais esta distância existir mais dificuldades entre governantes e governados reinará, persistindo o diálogo de surdos e a falta dos consensos fundamentais. Tudo isto a pretexto das 11 páginas maçudas e impenetráveis que António Barreto comentou (Público 07.10.07). Esses decretos eram sobre “Educação”. Seria de pressupor uma melhor comunicação educativa...! Por isso estamos onde estamos; decretos atrás de decretos que até os da especialidade têm dificuldade em entender. Menos quantidade, mais clareza e objectividade!
.
Alexandre Cruz [08.10.07]

Deolinda no Mercado Negro

Na passada sexta-feira assisti a um magnífico concerto do grupo "Deolinda" no espaço da D'Orfeu em Águeda, inserido no programa do Gesto Orelhudo. Fantástico. Absolutamente fantástico. A cantora, intérprete deliciosa, em termos de voz, canto e teatralidade, é excepcional, assim como os músicos que a acompanham. Vale muito a pena. Uma abordagem inovadora da canção popular portuguesa, misturando novos sons, boas letras, magia. Uma lufada de ar fresco.

Na Linha Da Utopia

Quantas Barragens?!
.
1. Há dias foi apresentado o Plano Nacional de Barragens. Sabemos que as necessidades de energia são muitas, sendo esta uma fatia fundamental de despesa habitual do país. Neste sentido, todo o esforço, tardio, é estratégico e por isso bem-vindo. Mas, serão três, quatro barragens? Cinco, já soaria a promessa exagerada! De forma alguma: a promessa é mesmo a construção não de sete ou oito, mas (números redondos) dez barragens! Claro, depois de dez estádios, dez barragens para 2020, é essa a última promessa, para produzir 7000 megawats nesse final da década de 20. (Bom, ao menos nestas barragens sabemos que, mais mês menos mês, ficarão cheias!...)
2. O discurso do 5 de Outubro elegeu, novamente, a “corrupção” como combate e (“inovadamente”) a EDUCAÇÃO como aposta decisiva. Sobre a primeira matéria, o Eng. João Cravinho, “aconselhadamente” agora emigrado, (em grande entrevista à Visão) continua a ver à distância o seu esforço da des-corrupção colocado na prateleira; quanto à educação, um forte apelo “cidadânico”, de empenho de pais e comunidade local desperta-nos para o sentido da hierarquia de prioridades, devendo-se destacar um sentido de exigência estimulante que (pro)mova a escola e a comunidade educativa como missão decisiva no “agarrar” os desmotivados, abandonados e auto-excluídos da escola. Que dramático o abandono escolar e a desqualificação dos portugueses que merecia a garantia de uma promessa para 2020!
3. Que democracia é esta que continuamente publicita e promete e tem ainda, “longemente”, por cumprir o que prometeu? (Os milhares de postos de trabalho?) É para levar a sério, ou será para não ligar?! Há dias falava-se que o “prometismo”, a forma elegante de fazer política, já chegou ao poder local… E ainda: porque é que os portugueses acreditam muitas vezes facilmente na proclamada “banha da cobra”?! Nos tempos em que estamos, é problemático (seja de que quadrante for) o prometer-se, como é sintomático da profundidade cívica (ou não!) o acreditar-se na promessa. Mas, já agora, quanto às dez barragens (sem derrapagens orçamentais!) previstas, para quê e para quem tanta energia, se a natalidade é o que é, a escola “idem aspas” e os cuidados de saúde são o que são?!
4. Será que continuamos a prometer ao lado?! As crianças, os doentes, idosos, desempregados, as pessoas com deficiências, os professores, escolas… também merecem uma promessa…! Sonhamos com o dia em que não se façam promessas, elas afastam-nos da autenticidade.
Alexandre Cruz [06.10.2007]

4 de outubro de 2007

João Vário

Livro 1
.
EXEMPLO GERAL
.
COIMBRA, 1966
.
para Dalila
.
.
Mas ontem, ontem falámos desse homem.
E, no entanto, a cruz é a menor das promessas.
Oh, sim, lembramo-nos de que ignorávamos
o que se chama o domicílio, o valor,
o opúsculo, esta ou aquela agrura
mais do que matar o irmão. E de como
serve ama casa morta, o irmão morto,
a intensidade ou tal coisa
mesmo intensa, intensíssima.

De resto, há quanto tempo, oh
há quanto tempo não sabemos falar
do passado? Certamente,
o rigor, a infidelidade, a tensão—
espantos do último trimestre, esta
quase arte funerária com que elevamos as vozes
não ignoram que nos vendemos
por outro contágio: esse gosto
de ser verdadeiro, ou tal juro.
Porém, ontem, mas vede bem, ontem,
Omitimos, propositadamente, o que
sabemos da perplexidade. Mas quem sabe,
quem sabe se tal será legítimo ainda?

In João Vário (2000). EXEMPLOS: Livros 1-9. Mindelo: Edições Pequena Tiragem.
-------------------------------------------------------------------------------------
Como tinha prometido, publicarei extractos da poesia de João Vário, ou João Varela, escritor cabo-verdiano que faleceu recentemente, para nosso prejuízo. Uma homenagem mínima.

Na Linha Da Utopia

Será a Europa um Estádio?
.
1. Um jogo de futebol bem jogado é interessante! Com equipas que aliem a táctica ao desportivismo de forma enérgica, audaciosa mas saudável, é fenómeno que motiva e trás consigo um entretenimento que contagia as cidades e a, também saudável, emoção pública. Na generalidade, quem não gosta de ver o clube da sua cidade ou do seu país, no justo respeito pelas regras do jogo, a vencer um bom jogo de bola?! (Dizemos, na generalidade…)
2. Mas há muito que o futebol deixou de ser esse jogo em campo, nas quatro linhas, sendo na actualidade um autêntico império comercial. E quando se chega a este ponto, a tentação de vencer a todo o custo vai crescendo, multiplicando todas as redes de contactos, publicidades à frente, fusões e confusões, tendo nos “apitos da corrupção” o seu ponto alto de um estado de sítio que parece tornar-se numa grande “ilusão mentirosa” com que se convive pacificamente. Haja adeptos que não pensem no que está por trás de tudo isto, mas que gritem e, sabe Deus como, sem condições, deixam até a família e a vida para trás para depositar toda a esperança na vitória (vir) para a frente!
3. Bem mais que o jogo em campo, o futebolismo europeu (qual movimento político ou religioso com os seus símbolos e os seus seguidores, onde quer que o clube vá!), fez de um desporto um jogo económico que vive fora do próprio campo relvado. É um facto! Que o digam a multidão dos que vivem à sombra da bola, por exemplo, os empresários de jogadores (que enriquecem num já) e os comentadores e jornalistas (que fazem toda a exegese e analítica, tantas vezes do “nada” fazendo a notícia) e as própria televisões (que hoje atingem proporções inimagináveis).4. Quando em excesso, acaba por tal fenómeno ser o centro da vida, “onde estiver o teu tesouro, aí está o teu coração!” Muitos corações sofrem a vitória ou a derrota… A presente Liga dos Campeões Europeus atingiu um patamar sem precedentes na história europeia. Com aspectos bons, tal como o encontro de grande cidades europeias que hoje “combatem” no terreno futebolístico (ainda bem!), mas com um mega-escândalo económico que ultrapassa todas as regras da razão económica. Jogadores a 30 milhões de Euros?! A tal preço muito farão pela Humanidade! Mau investimento, é o que está (mal)! Desporto já há pouco, olheiros muitos, a ver qual a seguinte jogada $! Quem diria que na Europa chegávamos a isto?! Sobreviverá a Europa sem futebol? UEFA = UE?!
.
AC [04.10.2007]

Educação

De que precisa a Educação?
De liberdade e responsabilidade, de todos e para todos.

Janela

Governador do DF 'demite o gerúndio'
Arruda diz que idéia é acabar com a típica burocracia dos governos.Ato foi publicado na edição desta segunda-feira no Diário Oficial do DF.

(via Blasfémias)

DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
.
Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.
.
Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

3 de outubro de 2007

Exemplo da coisa

Aspecto da crónica "Cartas para Sakhalin" no Diário de Aveiro



Durão Barroso e Angela Merkel auf Deutsch

O presidente da Comissão Europeia tem mostrado grande proficiência em diversas línguas, o que, diga-se em abono da verdade, lhe dá algum brilho na Europa. Também devia dar por cá, independentemente das ideologias.

Durão Barroso e o Ensino Burguês

Uns amigos fizeram-me chegar esta preciosidade. É curioso ver o rumo que as pessoas levam. Não há nisto qualquer crítica. Só não muda quem é burro.

Na Linha da Utopia

Dia Mundial dos Animais
.
1. Os dias assinalados existem quando para “todos os dias” importa uma renovada tomada de consciência de determinada causa. 4 de Outubro é dia de São Francisco (1881-1226) e, nessa linha de uma unidade de respeitabilidade bio-universal, com “todas as criaturas”, como Francisco gostava de dizer; assim, 4 de Outubro é também o Dia Mundial dos Animais.
2. Que seria das nossas cidades sem uma atenção constante a esta dimensão da protecção dos animais? Será que só damos o devido reconhecimento (queixoso!) e consequente apoio na hora do acidente? Em São Paulo do Brasil, hoje, constata-se o drama de mais de 200 mil cachorros abandonados na cidade. Mas não é só lá longe que o drama existe.
3. No último verão, em Portugal, o abandono de animais atingiu todos os recordes. Por trás desta realidade, mesmo para além da crise económica, continua a persistir um défice de formação cívica que abranja a totalidade das dimensões e das relações das pessoas com a natureza e com as coisas. Ou então, que dizer de quem despeja o cão ou gato para a rua? E ainda, afinal, de quem é a rua pública?!
4. É dramática, e no fundo reflexo de como se sente a vida, a “coisificação” a ponto de que quando apetece (tudo bem!) queremos um cão ou um gato, já quando não apetece (ou custa algo) deita-se fora. É isto mesmo que acontece, e numa mentalidade tal em que a rua comum, em muitos destes gestos (e em mais um verão passado), é esse balde de lixo comum. Que o digam as heróicas pessoas que, contra ventos e marés, e ainda em Portugal sem a devida “protecção”, correm mundos e fundos nesta causa.
5. Ainda: à mudança de mentalidade não caberá a ideia de que é preciso esperar pelo cumprimento dos Direitos Humanos para depois, então, avançarmos pelos Direitos dos Animais (da Europa). Quando assim se pensa, “adiadamente”, nem uma coisa nem outra (sendo pressuposta a hierarquia de verdades). Há hoje uma reconhecida (na teoria) transversalidade que nos diz que todas as causas são iceberg da causa essencial: a ética global dos seres humanos.
6. Neste esforço colectivo, as entidades (sociais, políticas e educativas) só podem agradecer e corresponder eficazmente a quem dá o seu tempo de vida a cuidar de uma problemática de todos: a protecção e qualidade de Vida Animal. Antes que seja mais tarde, porque já o é!
.
AC [03.10.2007]

2 de outubro de 2007

Cinco figuras televisivas que marcaram a minha vida


1.................................2 ..............................3

4................................5
-----------------------------------------------------------------

Janela

«Os pequenos e a Praia Grande
.
Os “social-democratas” do PSD ainda não descobriram que o espaço da social-democracia já está ocupado, e bem.
.
José Manuel Moreira
.
Na vitória de Luís Filipe Menezes muitos viram uma calamidade imprevista, mas, se tivermos em conta a história recente do PSD, o acontecimento era previsível. Há uns anos, aceitei ser orador numas jornadas da JSD; o prestígio de Pedro Duarte, na altura presidente, explicará por certo o naipe de oradores envolvidos no evento. Dele faziam parte, para além de notáveis da área do PSD, nomes como os de João Cravinho, acabadinho de sair do governo de Guterres, e Medina Carreira. Embora fosse o último a falar nessa tarde, como ia do Porto e o local era em Sintra (Praia Grande), acabei por aceitar o convite para o almoço, o que me permitiu assistir, entre os simpáticos jovens da JSD, às intervenções de Manuel Porto, João Cravinho e Medina Carreira. Foi uma experiência única, para não mais esquecer. Ninguém tirava um apontamento, o pessoal parecia estar ali a fazer um frete, e mais preparado para a praia e a noite do que para o duro trabalho de reflexão política.»
(continue a ler no Diário Económico)

Cartas para Sakhalin - Diário de Aveiro (17)

Aqui a praxe é outra conversa
(leia até ao fim, pf)
.
Numa rua que dá acesso à nossa universidade, dei-me conta de muita gente nova em passo firme e acelerado, mais raparigas do que rapazes, papéis nas mãos, como se estivessem a agarrar o primeiro dia de um importante percurso.
Estando em Setembro, rapidamente percebi do que se tratava: com o Outono vem a primavera estudantil e a cidade vive dias de grande alegria e renovado dinamismo. Chegaram a Aveiro jovens esperançosos num futuro promissor e, por isso, dispostos a grande esforço para se tornarem bons profissionais, acreditando que isso lhes trará, apesar dos difíceis desafios a suplantar, uma carreira, sucesso, dignidade. Para alguns, oriundos de famílias humildes, é mesmo o sonho derradeiro de uma vida melhor, com menos sacrifícios do que os seus pais tiveram de suportar para que eles pudessem estudar.
Com a entrada no ensino superior começa igualmente uma nova fase das suas vidas, longe da protecção familiar, que os levará a assumir uma maior independência e considerável autonomia. Isso trará profundas transformações da sua personalidade, mas boas, que ninguém se assuste. Aqui construirão, num ambiente intelectualmente desafiante, competitivo, mas de grande solidariedade, fortes pilares da sua maturidade e da sua condição de cidadãos. Motivar-se-ão não apenas pela sua própria fortuna, mas também por cumprir um papel em sociedade, porque, sendo jovens – todos sabemos que os jovens sonham mudar o mundo –, sabem bem que o mundo começa a mudar dentro de cada um. Eles sabem que as pessoas são o nosso melhor “recurso natural”, uma pedra preciosa que precisa de ser burilada, com arte. A educação, que extravasa aquilo que se aprende nas salas de aula, é uma ferramenta preciosa de conhecimento, saberes e valores, que transforma a pedra em diamante.
Vieram, então, para a cidade e a universidade certas.
Aqui são bem acolhidos por todos, professores, colegas, aveirenses. A universidade é moderna, tem excelentes condições estruturais, bons professores e a aprendizagem é feita em ambiente de investigação, nalguns casos do melhor que há. Os professores são muito exigentes, mas também compreensivos e bons conselheiros. Além do estudo, incentivam-nos a usar o tempo livre em actividades enriquecedoras, desportivas ou culturais. Em Aveiro há um clima de participação cívica fora do comum. Os alunos são estimulados a participar em conferências, debates e tertúlias, a que os próprios professores não faltam.
A cidade recebe-os engalanada como moliceiros em tempo de festa, reconhecendo a mais valia que constitui a sua vinda, quer pelo dinamismo económico que proporcionam – deixam aqui elevadas somas em dinheiro -, quer pelo enriquecimento cultural que as suas actividades extracurriculares trazem. As instituições locais empenham-se, aliando-se à universidade e à associação de estudantes, para que se sintam em casa e tenham boas condições de vida, de trabalho, e possam explorar o máximo das suas capacidades. Aqui, ao contrário de muitos outros sítios, até as suas festas periódicas, algo barulhentas, são aceites com um sorriso na cara, como quem perdoa essas desventuras estudantis àqueles que se deixaram adoptar pela cidade e nunca mais a esquecerão. Uma coisa abona em seu favor: a academia procura envolver a cidade e evitar, tanto quanto possível, distúrbios contra as pessoas e os seus bens.
Tudo isto é uma cultura, que se ganha logo à chegada. No meu passeio, à medida que me aproximava do Campus ia encontrando grupos de estudantes mais velhos que, trajados, organizavam actividades de boas vindas para os recém-chegados, mostrando que em Aveiro a praxe é diferente e passa também por uma integração num referencial de valores. Aqui todos procuram proporcionar esse ambiente universitário fantástico, rigoroso, exigente, responsabilizante, mas de grande camaradagem, humanista e universalista, que promove o melhor da inteligência. Pelo meio, claro, há muita diversão, animando os espíritos, mas não há vestígios daquelas palhaçadas infantis que humilham os “caloiros”, os fazem sentir-se perdidos, para depois os encaminhar nessa brilhante descoberta científica de que o chumbo, afinal, é metal nobre, coroa de cábulas.
Para evidência poética deste cenário, um estudante trajado com alma recitava, junto à Reitoria: «Em perigos e guerras esforçados/ Mais que prometia a força humana, / E entre gente remota edificaram/ Novo Reino, que tanto sublimaram».
Não, em Aveiro queremos conquistar mares nunca dantes navegados e não temos tempo a perder. Aqui a praxe é outra conversa.
É assim, não é?

Na Linha Da Utopia

O Estado do Mundo
.
1. Com este título temático “O Estado do Mundo” a Fundação Calouste Gulbenkian levou a efeito um intenso programa internacional e multidisciplinar em Fórum Cultural que percorreu as comemorações dos 50 anos (www.gulbenkian.pt/estadodomundo). Neste mesmo contexto, como encerramento deste ano comemorativo, a Fundação apresenta a Exposição “Um Atlas de Acontecimentos”, uma mostra com a presença de 28 artistas provenientes de variados países e de diversas regiões culturais.
2. A estatura que caracteriza a FCG, na actividade cultural quotidiana, ao longo da viagem cinquentenária, e no levantar (de forma simples) das grandes questões fundamentais do nosso tempo [da política às re(li)giões] é meritória e reconhecida. A temática promovida que percorreu o ano desperta em nós a urgência de que é o mundo que nos preocupa, que o global toca (mais que nunca) o local e por isso há-de ser bem compreendido para nos situarmos neste tempo novo, integrando os seus dinamismos e lendo com espírito crítico as suas ambiguidades.
3. O Estado do Mundo? Sim, e nesta questão hoje poderemos colocar o estado da cidade, da freguesia, da associação, da comunidade, da política, da pessoa, da vida, da dignidade humana. A transversalidade das reflexões hoje tornam-se uma obrigação, e, é um facto, os localismos fechados acabam por asfixiar; todavia, também a abertura a tudo o que vem de novo, ilusória, pode deitar a perder identidades saudáveis, patrimónios, valores culturais. Vivemos, hoje, na fronteira do próprio tempo. Talvez a distracção nos torne desatentos ao que urge debater.
4. Globalização nem deverá significar sedução nem rejeição. Ergue-se nesta novíssima fase histórica global uma premente necessidade, sem absolutismos particularistas, de pensar criticamente a história que todos os dias construímos. Como que sem nos apercebermos, muita da história está a “ser” mais ausência que presença, mais distância que sentido (afecto) de Humanidade, mais virtual que real. Desafios inadiáveis estarão aí, onde teremos de reler os grandes “diálogos” da história humana e neles reaprender a reintegrar, acolher a diferença, aquecer a relação e o afecto. Por contraditório que pareça, nunca se falou tanto de certas matérias fundamentais, mas as mesmas para as quais não temos tempo nem alcance, nem modo. Teremos de repensar (quase) as relações de tudo. Sem dramas, sem “coisas” tecnológicas, como pessoas humanas. Os impulsos das globalizações são assim!
.
Alexandre Cruz [02.10.07]

Janela

O estado impenitente da fragilidade
artigo de Luís Serrano sobre João Varela no Primeiro de Janeiro
(clique para ampliar e ler)

Há coisas fantásticas, não há?

Este tipo, com todo o respeito, é que não entendeu nada. O que algumas pessoas aplaudem é o gesto, amigo, não o Pedro Santana Lopes. O gesto. Um gesto que fez reflectir sobre o abuso permanente dos jornalistas em directos e indirectos, em estúdio ou na rua, em funerais ou casamentos. Um abuso sobre convidados: má-educação. Sempre a interromper, sempre sem deixar a pessoa explicar-se, falar de ideias. Sempre à procura do sangue que corre apenas à superfície, aquele sangue falso que mancha as camisas dos actores nos filmes, palhaçada.
O resto, de resto, é linguagem. Figuras de estilo, compreende?
Há coisas...

Isto está lindo, está

Rapto, morte, rapto, morte, rapto, morte, rapto, morte. Coitadinha da menina, ela sim.

Há coisas fantásticas, não há?

O PSD não parece ir longe. Marques Mendes não soube ser oposição, apesar da oposição responsável, de que o país tinha muito a aprender. Menezes, ou muito me engano, ou não trará nada de novo a não ser populismo. Quando sair, virá à televisão chorar na presença da família?

Há coisas fantásticas, não há?

Hoje de manhã vejo na RTP a Dra. Manuela Ferreira Leite dizer, a propósito das análises do professor (Marcelo) - que todos sabemos serem um pouco adivinhatórias, portanto para relativizar, até pelo contexto em que são feitas -, que não admitia críticas de carácter ou qualquer coisa do género. Pouco importa, na verdade, a exactidão do que disse. Sempre me admirei com estas pessoas, que lá de cima, dizem que não admitem não-sei-o-quê-a-ninguém-nem-a-amigos. Não admitem porquê? Quem anda na política, e por isso é figura pública, tem de admitir quase tudo. Tem de estar preparado para quase tudo. E tem de saber aguentar com a cara levantada as interpretações que se podem fazer dos seus comportamentos e daquilo que eles parecem induzir. Mesmo que não seja verdade. E isso inclui análise de carácter. Afinal, pretendem ser mais do que quem?

1 de outubro de 2007

Bons exemplos

Scotland Yard responde em tribunal pela morte de cidadão brasileiro em 2005
in Público

Janela

Miopia legal e laicismo intolerante
Artigo de D. António Marcelino no Diário de Aveiro
(clique na imagem para ampliar e ler)

Janela

A Turquia e o Islão
Artigo de Pedro Jordão no Diário de Aveiro
(clique para aumentar e ler)

Na Linha Da Utopia

Celebrar a Música
1. Diz o filósofo grego Platão (428/27-347) que «a música penetra mais fundo na alma humana». A música, que exige a “pausa” despertando os sentidos humanos é, hoje, uma das expressões artísticas constantes com maior relevo. Mas há música e música! Quando Platão diz que a música penetra fundo na alma humana, convida-nos para a qualidade, sensibilidade, harmonia, virtudes fundamentais à própria experiência do ser pessoa. Conhecer e apreciar música é dar cor e poesia à vida!
2. Celebra-se a 1 de Outubro o Dia Mundial da Música. Uma oportunidade renovada, como uma rampa de lançamento, para valorizar e multiplicar as potencialidades da arte musical. Que seria do mundo sem música!? (Não seria!) Arte nobilíssima que se foi vendendo à lógica comercial da quantidade (e muitas vezes mesmo de sons reflexo da escuridão existencial), a música é, no fundo, a celebração da interioridade humana, no que ela tem da beleza da luz (mas também) da tristeza da “noite”.
3. Será possível medir o desenvolvimento de um país pela aposta formativa na área musical? Não sabemos. O certo é que saber música é “aprender” a linguagem matemática, e que nos países onde a música é rainha, a estética, a criatividade e a visão empreendedora triunfam. A música, como afinal toda a cultura, não dá resultados imediatos, não tem uma compensação lucrativa económica no primeiro momento. Exige a sabedoria da persistência no tempo, a capacidade de vencer mesmo a indiferença colectiva, o lutar todos os dias contra uma maré difícil. Só resiste quem ama!
4. São, ainda assim, muitos os grandes portugueses que se dedicam à música, sendo a sua força o “gosto” que os faz não cansar. A sua missão é heróica, para mais num país onde a música não faz parte do “programa”. Isto é, faz mas muito pouco; continuamos – por falta de dinheiros ou de visão?... - a esquecer as mil e uma potencialidades transversais da música. Talvez um dia! Felizmente que nestes dias, despertados pelo Dia Mundial da Música, renova-se a oportunidade valorizadora da arte musical, em conferências, concertos, numa viagem sempre sensibilizante pela música (o mesmo é dizer), pela Humanidade.
5. A 3ª Edição dos FESTIVAIS DE OUTONO (Universidade de Aveiro e Fundação João Jacinto de Magalhães), de 1 de Outubro a 9 de Novembro, são essa persistente e inspirada oportunidade renovadora, numa parceira envolvência regional, com grandes nomes da música nacional e internacional. Essencial ver e ouvir (programa): www.ua.pt
.
AC [01.10.2007]

30 de setembro de 2007

Na Linha Da Utopia

Implosão política?

1. Implosão? Certamente que não! Mas a conjuntura da eleição do líder partidário do maior partido da oposição confirmou como vamos andando. Claro que a actividade política, como fenómeno geral, não se esgota nos partidos, embora estes, com seus “aparelhos”, na hora da verdade, acabem por abafar outras opções. De quando em quando fala-se e vêem-se movimentos cívicos e mesmo outras novas formas de “participação” mas que, com pena, passado umas semanas, perdem a força por falta de estrutura própria acabando por ter vida breve.
2. O dizer-se que “cada país tem os políticos que merece”, além de ser comentário fácil e/ou mesmo de descomprometida analítica, sempre generalista, resulta em não acrescentar nada de bom e novo à realidade. Os fenómenos comunicacionais de hoje, que sobrepõem o entretenimento às questões de fundo (que o diga Santana Lopes na adiada Entrevista à Sic Notícias), acabam por ser o espelho de uma verdade cultural, da qual então se poderá dizer, isso sim, que “cada país tem os cidadãos que merece”, ou melhor: “cada país tem os cidadãos que tem (somos)!”
3. As recentes eleições do maior partido da oposição de feridas abertas merecem a maior atenção; como já antes haviam merecido a maior importância as eleições para a presidência da Câmara de Lisboa da qual saiu vitoriosa a abstenção. Tanto para os próprios como para o país, o “à deriva” confuso político-partidário é sempre sinal que deita a perder todas as boas intenções de todos. Fenómeno não novo e preocupante (por caricato) era tristemente interessante de observar na reclamação “ética” de ambas as partes, quando nenhuma delas tinha esse oxigénio vital de completa dignidade. Assim, não há condições!
4. Como edifício em implosão, diante de uma sempre inquietante abstenção cultural entretida, as bases de uma desejada credibilidade política vão ruindo. Não de fora, mas por dentro. Pior ainda! Mau para todos. Custando muito construir uma “torre”, num instante ela pode cair. Mas tudo continuará, a viagem humana sempre foi assim! Todavia, embora pareça interessante ao timoneiro do barco comum o desnorte alheio, não se pense que isso é bom… As eleições legislativas de 2009 trazem consigo o perigo da super-concentração do poder; isso sempre foi, no mínimo, menos bom (e por vezes mau)... A democracia real e dinâmica da liberdade precisa de oposições credíveis. Essa será a base saudável e autêntica de uma comunidade que sabe (con)viver com a diferença de opinião. Isso!
.
Alexandre Cruz [30.09.2007]

28 de setembro de 2007

FEIRAS EUROPEIAS DE EDUCAÇÃO

Tão amigos que eles estão

Orquestra de Vegetais em Águeda

ABERTURA DO FESTIVAL
Sábado 29 Setembro, 21h45 Cine-Teatro São Pedro, Águeda
.
The First Vienna Vegetable Orchestra (Áustria)
The First Vienna Vegetable Orchestra abre, em grande estilo, a programação do 6º Festival O Gesto Orelhudo. Surpreendem pela originalidade: pepinos, pimentos, cenouras, couves e abóboras são apenas alguns dos vegetais que esta invulgar orquestra transforma em instrumentos. A Vegetable Orchestra reúne um naipe de músicos austríacos de alta formação, sendo um deles também cozinheiro. Só usam vegetais frescos e de boa qualidade na suas actuações, para garantir a afinação e resistência dos... instrumentos. Por isso, no próprio dia do concerto, no mercado semanal de Águeda, vão ser adquiridos os legumes e hortaliças que, depois de transformados, deliciarão os ouvidos dos espectadores à noite. No final do espectáculo, os instrumentos acabarão numa bela sopa oferecida ao público (daí o cozinheiro).
DESCARREGUE O PROGRAMA COMPLETO DO FESTIVAL

27 de setembro de 2007

Na Linha Da Utopia

O Estado (da questão)
.
1. A liberdade anda perdida. A visão de liberdade que se proclama é mais a “exclusão neutralista” que o generoso acolhimento da diversidade valorativa. Para algumas mentalidades (pro)motoras, às quais a indiferença futebolística dá jeito, parece que ainda estamos na Revolução Francesa (1789), onde a “liberdade, igualdade e fraternidade” são unilaterais, só para alguns. A razão de Estado, até aí convergente e daí emergente, mais que acolher a riqueza da diversidade em dignidade da vida das pessoas, visa(va) impor o seu próprio modelo. Mais que uma liberdade que acontecesse na vida das pessoas, ela ganhava contornos de oposição bloqueadora da própria liberdade (pessoal e institucional). Pura ironia da história humana!
2. Qual o lugar das pessoas na decisão do Estado? Que margem de participação têm as pessoas a quem se dirige a lei aprovada? Quando legislação é sinónimo de imposição, temos a própria democracia em questão. Claro haverá a hierarquia de verdades, claro que nem tudo o que a maioria quer é automaticamente verdade com dignidade. A agenda do país está controlada, e nessa rede de (pre)ocupações tanto pouco lugar terão os excluídos da sociedade (sejam pobres sem curso ou com curso), como os que procuram cuidar o seu acompanhamento. Não sendo nenhuma diversidade proprietária de tudo, estes, conotados com isto ou com aquilo (esquecendo-se a agenda que o essencial é o serviço às pessoas), têm o campo de acção apertado, limitado, para fechar.
3. Pura ilusão, quando a razão de Estado asfixiará os próprios donos da agenda; eles também serão as vítimas da sua ilusão. Esquecem-se que as voltas da vida mudará os cenários e que um dia precisarão de cuidados médicos e, na humildade radical, de alguém que lhes dê uma “esperança”. O que faltará na profunda formação humana que nos venha, duma vez por todas, dizer que liberdade (não é exclusão da profundidade humana) mas será todos termos oportunidade de nos sentirmos em casa, cada um na sua diversidade de pensamento?! Há tanto a apre(e)nder! Mas até lá os estragos vão frutificando. (A última vergonha é o “afastamento” dos capelães hospitalares e da pessoa doente ter de “assinar” a sua vinda…! Para bom entendedor… Em liberdade, haja acolhimento de todas as perspectivas e não a sua exclusão. Para quê negar o próprio futuro?). Felizmente nem tudo (ainda?) é assim; mas a liberdade anda sem cor!
.
Alexandre Cruz [27.09.2007]