8 de maio de 2008

Na Linha Da Utopia


Revisitar Maio de 68
1. Estas semanas serão oportunidade de revisitar um período especial da história do século XX. Na segunda metade do século passado, o ano de 68 assinalou um tempo de viragem. Exageradamente, para alguns esse foi o ano que mudou o mundo recente; para outros, foi só mais um momento de rebelião social. À medida que os anos vão passando, de forma mais justa e equilibrada, pode-se considerar que os anos 60 foram um tempo de rupturas e de transição, mas do brotar de determinadas concepções de liberdade e ética questionadoras dos considerados valores tradicionais sociais. Quarenta anos depois, são muitas as publicações que virão à luz do dia neste Maio de 2008, o primeiro do século XXI em tempos de aceleradas transformações sociais globais.
2. Em 1968 o General De Gaulle e a elite bem pensante francesa abalaram com uma revolta contra o elegante “status quo” conservador. Tudo começou com a revolta de estudantes de Paris, movimento que alastrou a toda a França, fazendo parar mais de 10 milhões de pessoas trabalhadoras. Os partidos comunistas, tendencialmente mas não exclusivamente, aproveitaram a boleia, embarcando e agigantando a onda que fez parar a França. De Gaulle geriu a resposta possível, acabando mesmo por dissolver a Assembleia Nacional e refugiando-se algum tempo na Alemanha. A insurreição superou todas as barreiras (étnicas, culturais, idade, classe, sexo), extravasando em muito a ideia dos seus populares e anarquistas impulsionadores.
3. Em Junho de 68 realizaram-se eleições. O partido gaullista ressurgiu vencedor com mais força. A ressaca desta surpreendente (e de algum modo gratuita) revolução popular, se por um lado terminou ali (como começou acabou com brevidade), por outro na sua filosofia mais profunda o «Maio de 68» assinala socialmente «o ano que não acabou». A força das liberdades galupantes das juventudes, indiferentes aos referenciais que os mais velhos ainda procuram transmitir, esta tensão não só continua como avoluma-se de problemáticas actualmente. Maio de 2008, quarenta anos depois, existem condições de crise e de desigualdade crescente, a par de uma multidão que não consegue um «lugar» na sociedade de todos e de uma certa classe política que persiste nos sinais de viver distanciada dos reais problemas das pessoas.
4. Todavia, hoje também se verifica uma sociedade civil muitas vezes indiferente e anémica…mas que sente cada dia as limitações sócio-económicas que impedem milhares de pessoas de construírem um interveniente projecto (pessoal e familiar) de vida. Ora nas causas, ora nas consequências, a crise sempre foi motor de rebelião e gerador de impulsos (por vezes irracionais) de expectativas. É por isso necessário continuamente diluir as tensões dos «nós» sociais a fim de orientar todas as energias e dinamismos, em diálogo ético de gerações, em ordem ao bem social comum. Foi o que faltou em 68 e que importa evitar que falte hoje.

Na Linha Da Utopia

A regulação do regresso à terra
1. As mudanças estão em curso. A par de toda a especulação económica, a incerteza cresce abalando mesmo com alguns fundamentos encontrados pelo pensamento ocidental, como a dignidade da pessoa humana no mundo do trabalho. No geral, os novos paradigmas asiáticos emergentes na lógica da quantidade nem sequer perdem muito tempo a discutir as questões, e a corrente social da China que esboça um primeiro alinhamento de algumas leis do trabalho não iludem a desumanização reinante. Uma nova regulação diante de um novo mundo torna-se um imperativo. Tanto a regulação do que anda desregrado como uma nova concepção reguladora, pois que as formas de ver antigas não respondem à nova complexidade e universalidade das problemáticas.
2. Por vezes aquilo que vai acontecendo todos os dias tem momentos de forte safanão. É o que tem acontecido nestes últimos meses. Uma onda de mobilidade económico-social que não pára, mas que se vai consolidando como permanente agitação. São as «dores do parto» do ajustamento da globalização económica em realização: conflituosa para quem estava acomodado, bem-vinda para quem descobre que um mundo com mais dignidade (pelo menos pão, água, medicamentos, mais esperança de vida) está à porta. As ditas sociedades de bem-estar estão a deixar esse lugar ao sol, no perigo que se corre nestas épocas de o sol continuar nascer só para alguns. O bem-estar, que não pode ser sinónimo de consumo (quanta educação para o consumo é hoje uma urgência!), é conceito móbil, vai mudando, adaptando-se aos novos cenários.
3. É o nosso regresso à terra! Vivemos séculos agrícolas, tudo vinha daí; depois com a revolução industrial absolutizámos a máquina; na revolução digital, agora, endeusámos a tecnologia. Até houve quem criasse quase incompatibilidade psíquica com a agricultura…! Também aqui os tempos são de rápida mudança e hoje até se chama «produto biológico» àquilo que outrora era a forma mais artesanal de produção agrícola. A correcção da história está aí: voltamos a reconhecer que a terra é imprescindível e que a agricultura é um bem primeiro da nossa própria subsistência vital com qualidade. O que temos assistido sobre os graves problemas (já presentes) da alimentação mundial vai-nos obrigar a repensar os modelos de vida em sociedade e a relação com a terra. Esta «terra mãe» quer ser cultivada, não explorada ou dominada quimicamente…
4. Haverá pão e água para todos se o verdadeiro sentido da «justa distribuição dos bens» imperar sobre todas as lógicas do ter (de alguns). Para isto é preciso uma filosofia ética e universal para a vida deste tempo. Também aqui, estamos como as terras… Abandonámos as filosofias, o pensamento, as ideias. Ainda estamos agarrados ao poder (tão frágil) das «coisas». Seja o pensamento humano (e humanitário) sempre o condutor de todas as regulações a reinventar. Sem ele não há bem comum. É mesmo urgente e cada vez mais inadiável!

Na Linha Da Utopia


As Juventudes, todos os dias
1. Como hábito, o discurso presidencial do chamado dia da liberdade trouxe à ribalta sentimentos e preocupações que são reflexo da vivência diária da sociedade portuguesa. Desta feita o centro de referência foi a juventude. Duas tónicas foram sublinhadas: a «ignorância dos jovens» em relação à história política recente de Portugal, e nela a do 25 de Abril, e a «notória insatisfação» dos portugueses em relação ao funcionamento da vida política e democrática. Do que foi revelado pelo estudo efectuado sobre o alheamento das juventudes face à política, a configuração político-partidária tem deixado bastante a desejar nestas décadas democráticas.
2. Se por um lado se pode justificar o alheamento dos jovens da nossa história contemporânea pelo facto da idade, pois os jovens de hoje não viveram esse tempo concreto, por outro toda a complexidade da história que encerra a revolução dos cravos parece ainda mal compreendida, carecendo de uma pacificação na sua justa e contextual análise. No fundo, como tem sido passado esse testemunho e que «liberdade» tem falado da liberdade do 25 de Abril? Sem ocultar todos os complexos ângulos da questão, mas sem revivalismos que bloqueiam entendimentos em ordem ao futuro. Também, ainda que a história já fosse pacífica (se é que algum dia o será), uma certa indiferença da liberdade das juventudes vai assumindo contornos de desconhecimento dos pilares sociais fundamentais. Sem simplismos, tudo hoje corre demais e a história corre o perigo de passar à história.
3. Talvez, neste incompleto de essência da própria liberdade, afirma-se como imperativo tanto a consciência de que o regime da liberdade não pode esquecer a sua origem, como o não perder a consciência de que essa liberdade não é um dia histórico mas será tarefa diária. Talvez já seja pacífico entre as diversas correntes políticas a frase que o presidente da República referiu, pensamento semelhante ao de anteriores presidentes: que «num certo sentido, o 25 de Abril continua por realizar». Efectivamente, só quando as liberdades sintonizarem com todas as responsabilidades então atingiremos a meta... O estudo apresentado (como caminho de reflexão) revela que os jovens mostram aptidões extraordinárias para o voluntarismo social. Esta energia, que os partidos foram perdendo progressivamente, quererá ser integrada como dinamismo positivo na sociedade de todos…
4. O partido do governo no comentário ao discurso presidencial, destacava a «necessidade de envolver os jovens na política». Mas esta urgente consciência de participação cívica e democrática não cai do céu de forma instantânea. Importa alimentar de valores, éticas e princípios toda a vida social e, em particular, corresponsabilizando os jovens pelo presente (que é já futuro). Os jovens olham e perguntam: em que escala de valores se alicerça a vida social? Qual o lugar do ter em relação ao ser? É nesta fonte que a água terá de deixar de ser inquinada, quando não a mensagem não passa, antes pelo contrário. Também o optimismo precisa de raízes (no ser) para ter sustentabilidade. Quantas decisões, explícitas ou não, vão no caminho contrário ao da corresponsabilidade dos jovens na vida da comunidade…Vale a pena parar, apreciar e promover as instâncias que efectivamente apoiam os jovens numa vida com sentido e com valores sociais.

Na Linha Da Utopia


A crise do arroz
1. Cerca de metade da população mundial tem no arroz a sua base alimentar. Este mapa cresce tanto mais quando tomamos consciência da acentuação demográfica da Ásia, populações nas quais o arroz se assume quase como uma matriz cultural. A reconfiguração mundial da globalização económica vai-nos trazendo os seus efeitos inevitáveis, e a adaptação aos novos contextos é tarefa sempre difícil. Lembramo-nos de há algumas semanas a crise dos cereais, nomeadamente de trigo, ter despertado as instâncias económicas mundiais para cenários de crise sem precedentes, ou não fosse o trigo da base do pão, o elemento mais básico da alimentação, das mesas humanas.
2. Sem alarmismos, mas na consciência realista do que está a acontecer, vem agora o alerta estatístico da crise no mercado mundial do arroz, tido de «consequências imprevisíveis». O preço tem subido em catadupa, recordes de sempre são batidos. Os níveis de produção são, desproporcionalmente, dos mais baixos desde a década de oitenta. As reservas mundiais estão em risco de colapso histórico, enquanto a procura não para de aumentar. As instâncias dos fundos alimentares e os programas das Nações Unidas da área estão cabalmente em risco... Até mesmo o Banco Mundial vem lançando alertas para os trágicos perigos de problemas sociais para mais de trinta países, onde o arroz tem sido a salvação das gentes.
3. Já se reconhece abertamente que não há arroz para responder às encomendas necessárias. Os países produtores fecham-se nos receios da revolta de suas populações. O grande Brasil suspendeu as exportações, medida com efeitos imediatos; os EUA já têm racionamento à sua venda. América Latina e África, na ausência do arroz agravam a sua crise de fome e instabilidade social. Como sempre, que o diga a negociata global do petróleo, é a oportunidade para os grandes negócios de alguns. A crise tem sempre o reverso da medalha, sendo para uns poucos a oportunidade de enriquecimento na subida astronómica dos preços, como se verifica na Tailândia, o maior exportador mundial de arroz.
4. É o «tsunami silencioso», que já faz da fome a notícia que este século tecnologicamente pródigo vai semeando. Segundo agências de informação, no Vietname os produtores foram proibidos de assinar contratos de exportação a partir de Junho; o Egipto, já desde Outubro, baniu os carregamentos para o exterior; na China, o governo aplicou uma taxa extra de 5% a produtores que pretendam exportar. As medidas restritivas, diante das crescentes incertezas de uma economia mundial comandada pela loucura dos preços do petróleo, vão-se multiplicando. Também se pode juntar a este cenário, não só a nova força dos biocombustíveis mas a chegada dos novos especuladores americanos, que da tragédia dos mercados imobiliários, transitaram agora para as matérias-primas. Novos contextos do ajustamento da globalização económica, mas com novos riscos que fazem temer o pior: a chocante e gritante fome, aqui ao lado, em pleno séc. XXI. Quanto a nós, é proibido esbanjar e estragar comida! Seja um pedacinho de pão!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [27.04.2008]

Na Linha Da Utopia


XVIII FITUA: privilégio para Aveiro
1. A tradição está criada, a qualidade sempre garantida. As gentes da cidade acolhem o XVIII FITUA – Festival Internacional de Tunas da Universidade de Aveiro. Como todos os anos, é em beleza que se iniciam as festas académicas. Da organização cuidadosa da TUA - Tuna Universitária de Aveiro (www.tua.com.pt), núcleo cultural da Associação Académica da Universidade de Aveiro, o FITUA dá o verdadeiro espírito da confraternização festiva da cidade com a universidade, dos estudantes com a sociedade em geral. Faz-nos bem, a uma comunidade construtiva chamada a ser participativa, apreciar este esforço que traz a Aveiro tunas de estudantes de outras paragens: este ano o FITUA, além da habitual presença colaboradora dos da casa e de Portugal, no espírito animado intercultural que caracteriza as juventudes, Aveiro acolherá tunas de Espanha e Peru.
2. A estimulante história é longa, no mar alto, já é o XVIII FITUA. Nas sociedades do futuro, na historiografia a ser realizada sobre os dinamismos criados que construíram sentidos de festa e de comunidade, as tunas representam uma riqueza cultural e patrimonial académica de excelência. E em Aveiro o FITUA constará nessa história como o esforço e a ousadia de estabelecer pontes criativas e envolventes com a comunidade em geral. O tempo actual aproxima todas as distâncias antigas. A internacionalização da vida universitária foi transferida também para a cultura académica que as tunas representam. Dizer que já é o XVIII Festival Internacional representa que de forma precursora se assumiu um desígnio universalista que está inscrito na juventude, esta que estuda nas universidades por esse mundo fora.
3. O Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, nos dias 25 e 26 de Abril, acolhe este acontecimento que é um privilégio para Aveiro. O FITUA faz parte do mapa da cultura local e regional. As tunas, que colaboram generosamente em tantas iniciativas de solidariedade ao serviço de um mundo melhor, são, em si mesmas, esse sentido de comunidade universitária aberta e plural, onde a música e a animação querem colorir de sentido e esperança contagiante a própria vida diária. Como sempre, cada ano é único. Apreciar e reconhecer o mérito é, também, edificar comunidade viva e participativa. Os que foram semeando, organizando e apoiando este acontecimento (diríamos) insubstituível, o que faz dele «o terceiro festival mais antigo do país e um dos mais prestigiados da Península Ibérica» (www.ua.pt/uaonline), sentem a alegria de um momento marcante da vida universitária e da sociedade aveirense.
4. É importante, no tempo actual (por vezes, por um lado tão indiferente, por outro observador e comentador mas pouco “construtor”), reconhecer-se e transferir-se para a comunidade das juventudes esta energia positiva do mérito de tamanho projecto… que percorre os anos a transmitir a estimulante criatividade da festa, cheia de cultura e de vida universitárias! É isso mesmo!...

Na Linha Da Utopia

A essência da Educação: para todos
1. Embora esta afirmação pareça uma evidência muito prática, a verdade é que são já alguns milhares de anos de caminho percorrido nesta descoberta e o horizonte da «educação para todos» e para cada um apresenta-se ainda como tarefa ideal a realizar. Inesgotável por essência, ou não estivessem a riqueza e a pluralidade de expressões humanas inscritas no ser ilimitado, todavia, algumas balizas referenciais já, hoje, são assumidas de forma geral na educação. Mas na medida em que quer o contacto dos povos com a sua diversidade sócio-cultural, quer a própria multiplicidade cada vez mais emergente de tecnologias, tudo lança desafios (desinstaladores quanto estimulantes) às concepções de educação, na fronteira do discernimento entre o essencial que deve permanecer e o acessório a mudar.
2. Proclamado pela Conferência Geral da UNESCO (1995), 23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, na promoção de uma maior consciencialização, mesmo em tempos de Internet, da importância do livro na vida e no desenvolvimento das sociedades. Também este ano 2008, sendo Ano Europeu para o Diálogo Intercultural é o Ano Internacional das Línguas. As línguas como cultura, espelho de identidades e comunidades, super-abundam. São sete mil línguas que existem no mundo. Quanta riqueza! Mas segundo estudos recentes 50% delas, nos novos contextos de globalização de tendência “uniformizante”, correm o perigo de desaparecer. É bom o sentimento de uma língua que seja veículo de comunicação entre todos, mas essa uniformidade faz correr o perigo de um igualitarismo que empobrece a riqueza das expressões humanas nas culturas. Talvez o maior desafio contemporâneo seja o compreender-se, e o agir mesmo politicamente em conformidade, a promoção inclusiva de todas as diversidades de língua e cultura.
3. Este dia 23 de Abril, este ano de forma especial, merece todos os destaques. A globalização comunicacional vai-nos tornando em sintonia on-line. Se as tragédias humanas têm imensa visibilidade, que tenha bem mais o que pode resgatar o mundo. Nesta tarefa importa captar e potenciar tudo o que seja uma educação em consciência universalista como caminho de tolerância, justiça, paz. Uma aula do tamanho do mundo percorrerá o tempo deste dia: às 15h o mundo está a pensar na mesma realidade: O TESOURO DA EDUCAÇÃO É MESMO O SEGREDO PARA UM MUNDO MELHOR! O caminho foi e continua muito longo. Quanto mais tomamos consciência da grandeza da diversidade do mundo mais pequenos nos sentimos. Até na realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (2000-2015) que procuram alcançar a educação primária universal. Tão longe, ainda! Mas já mais perto nesta consciencialização a viver.
4. Deste dia simbólico, para todos os dias, na base da dignidade da pessoa humana, redobra-se o compromisso feito expectativa a construir como realidade diária, da educação plural e dignificante como desígnio para todos os povos da terra. Interessa só a alguns? Não, a educação é tarefa de todos e de cada um. Vale mais que todo o petróleo do mundo!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [22.04.2008]

Na Linha Da Utopia


A Terra é única
1. Quando Neil Armstrong chegou à lua, a 20 de Julho de 1969, e deu um pequeno passo para um homem mas um grande passo para a Humanidade, inaugurava a era espacial com o ser humano presencial. Dessa aventura, devidamente preparada pela missão Apollo 11, em que as imagens a preto e branco na altura percorreram o mundo, uma grande admiração foi o olhar para a Terra à distância, a partir da lua. O terceiro planeta do sistema solar, visto do nosso único satélite natural (a lua), mostrava-nos um lindo planeta azul! Os anos foram passando, a nova era industrial do séc. XX, agora química e tecnológica, trouxe consigo uma cor diferente, o cinzento; as ameaças dos buracos do ozono, como as comprovadas e inquestionáveis alterações climáticas, lançam hoje o alerta SOS Terra; alguns são intransigentes nessa defesa, outros indiferentes a poluir. Mas uma nova «eco consciência», como dever ético, vai-se multiplicando pelas agendas, já políticas (embora ainda pouco), pelo mundo fora.
2. Corria o ano de 1970, ano seguinte ao homem na lua. O senador norte-americano Gaylord Nelson, preocupado com todas estas questões emergentes, promove o primeiro protesto nacional contra a poluição. Desse ano em diante, e a partir de 1990 para outros países do mundo, a data de 22 de Abril passa a ser assinalada como o Dia Mundial da Terra. Comemoração que, como todas, tem o valor que lhes queiramos dar como esforço de ideias e práticas para todos os dias do ano. Inquestionável é que o ser humano tem abusado, explorado desmedidamente, estragado muitos dos ambientes naturais; verdade é também que a vida vive-se à descoberta, e muitas vezes é à posteriori que se detectam os graves erros cometidos no passado. Mas, se a aprendizagem é um dever, então o aprender da história, hoje, assume-se como uma redobrada obrigação protectora, mesmo que colida com os mil interesses político-económicos. Estamos longe deste ideal que, todavia, hoje já faz parte das preocupações.
3. A desordenança ambiental da Terra continua alarmante. Os mais ricos ou a caminho dessa riqueza, e por isso infelizmente os que têm mais poder político, são os mais poluidores do planeta. E vivem uma grave despreocupação efectiva: veja-se hoje os EUA e a China. Segundo estudiosos, a terra terá cerca de 4,5 biliões de anos. Muita idade mas que, por forças incríveis que nos ultrapassam, está sempre nova. Basta sentir a primavera de cada ano, onde a mãe natureza obedece ao grande Arquitecto Criador renovando-se em beleza admirável. A Terra está de parabéns todos os dias e é todos os dias que ela quer pertencer à nossa agenda (Agenda 21) cuidadosa. Cada coisa tem o seu lugar, e as causas do ser humano estão sempre em primeiro de tudo. Mas Francisco de Assis (1181-1226) tinha razão: até como sensibilização e educação ambiental temos de aperfeiçoar a relação de proximidade fraterna para com todas as expressões de vida. Ou não fossem elas obra do mesmo “milagre” da vida na «irmã» natureza.
4. Ou terão as agendas globais e pessoais de sofrer as tempestades reclamadoras do ambiente para transformar os comportamentos exploradores em PAZ com a natureza?! Todo o tempo é precioso porque é VIDA! O legado ambiental aos vindouros nestas últimas décadas tem comprometido gravemente o futuro. Não é um filme inconveniente, é a inadiável (e custosa) revolução das práticas sócio-ambientais.
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [21.04.2008]

Na Linha Da Utopia

A Era da Consciência
1. A sociedade da informação e comunicação inunda todos os espaços com as suas aliciantes propostas. Normalmente, ou não fosse quase sempre o espírito publicitário a presidir às comunicações actuais, a mensagem procura ser extremamente sedutora, desafiando o consumidor a fazer contas à vida. Este “contas à vida” está muito para além dos euros das compras, pois pode representar os valores e os critérios em que cada pessoa da comunidade inscreve as suas razões e opções. Uma das questões por responder é se, de facto, hoje é mais fácil ou mais difícil “ser pessoa”. Pelo menos que é diferente de outros tempos é bem verdade… Outras épocas, e no fundo até esta época em que a informação cria padrões hegemónicos, a realidade seria bem diversa: inquestionavelmente, os mais novos aprendiam quase todo o património de valores dos mais velhos, seguindo a linhagem religiosa, as múltiplas tradições e mesmo ideias de cariz político. Estamos a generalizar, mas reinava uma ideia de que quase tudo, por obrigação (mesmo que inconsciente), passava «de geração em geração».
2. A época actual oferece mil potencialidades, mas as correspondentes incertezas e desafios. Felizmente muito do progresso abriu os mais variados conhecimentos às diversas classes sociais e a diferentes gerações. Quase que se conseguiu universalizar, «para todos», a educação; o mundo está mais perto de todos nós e nós do mundo; cada pessoa, no bem-vindo assumir da individualidade, acolhe a consciência de uma dignidade e um projecto de vida sempre únicos. Mas, não havendo bela sem senão, novos desafios, tornados responsabilidades, brotam para todos, notando-se muitas fronteiras semi-confusas no plano do fundacional entendimento das liberdades. Quando se enaltece a individualidade de cada um (pressupondo o sentido de comunidade original, «ninguém vive por si mesmo»), muitas vezes, vemos essa ideia transvazar na assunção do individualismo tragicamente indiferente em relação ao bem comum. Mau sinal.
3. Algumas concepções, mesmo tidas como de «modernas» e progressistas, que “usam” a noção da individualidade irrepetível de cada pessoa humana, acabam por gerar padrões de vida publicitados e desgarrados, e mesmo indignos, que pretendem transformar a minoria em referência de quase obrigação geral, ou então que ridicularizam (e chamam de conservador) o pensar e agir de uma maioria muitas vezes distante das grandes questões sociais. Determinadas visões, proclamadas “fracturantes”, de família, de dignidade (no nascimento) da vida humana, da eutanásia, da solidão… espelham bem as difíceis fronteiras dos princípios e valores; e quanto menos falarmos neles (na base da dignidade humana que brota dos direitos e deveres humanos), menos património de sentidos de viver as novas gerações angariam para a vida…
4. É a fascinante (e incerta) era da consciência, em que no meio da amálgama de todas as mil e uma coisas, cada pessoa já não vai “à boleia” da sua cultura, mas tem de discernir e fazer opções. É o tempo das causas, em que mesmo que o oceano vá por um lado, uma “gota de água” consciente do essencial da vida vai por outro... É essa frescura criativa e dinâmica a raiz da vida dos que dão a vida pelos ideais de todos. É preciso refrescar as raízes! Mas para isso, e acima mesmo das neurociências, hoje, qual o lugar da consciência para que ela seja alimentada na raiz?
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [20.04.2008]

7 de maio de 2008

Recebido no e-mail, para rir, mas não demasiado

Cruzamento de dados em 2019

- Telefonista: Pizza Hut, boa noite!
- Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas...
- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
- Cliente: Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.
-Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21549 4236, certo? O telefone do seu escritório na Liberty Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel é o 96 266 25 66, correcto?
- Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?
- Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro Queijos e outra Calabresa...
- Telefonista: Talvez não seja boa ideia...
- Cliente: O quê...?
- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.
- Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?
- Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!
- Cliente: Como é que sabe que vou adorar?
- Telefonista: O senhor consultou a página 'Receitas Gulosas com Soja' da Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
- Cliente: Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!
- Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.
- Cliente: Quanto é?
- Telefonista: São 49,99.
- Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?
- Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.
- Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a Pizza.
- Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com o saldo negativo.
- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
- Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos. Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...
- Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?
- Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e então, pensei que fosse utilizá-la.
- Cliente: Chiça.......!!!!!!!!!
- Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente da Autoridade
- Cliente: (Silêncio).
- Telefonista: Mais alguma coisa?
- Cliente: Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
- Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!!
- Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão...!

Um livro bem preciso

(fotografia CMPORTO)

Presidente da CMP na apresentação do livro de José Manuel Moreira

«Estado, Sociedade Civil e Administração Pública – Para um Novo Paradigma do Serviço Público» é o título do livro coordenado por José Manuel Moreira, professor catedrático da Universidade de Aveiro. A apresentação pública decorreu hoje na sede da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários e contou com a presença do Presidente da CMP, bem como dos outros dois intervenientes na coordenação da obra, Carlos Jalali (Universidade de Aveiro) e André Azevedo Alves (London School of Economics), bem como do responsável máximo daquele organismo empresarial, Armindo Monteiro.
Na sua intervenção, Rui Rio mostrou-se bastante crítico quanto à situação actual da Administração Pública e do próprio regime democrático, em geral, que considerou estar em crise, fruto da existência de um poder político «cada vez mais fraco» perante a emergência de diversos «poderes fácticos», que «apenas têm em conta a defesa de interesses particulares, ou de grupo».

6 de maio de 2008

29 de abril de 2008

Durão Barroso

O Presidente da República apoia a continuação de Durão Barroso na Comissão, diz o Público. Parece-nos bem, tendo e conta que o Presidente da Comissão tem feito, na generalidade, um bom trabalho. A sua prestação é, também, um orgulho para os portugueses. Deve ser. É preciso ver as coisas assim, e deixarmos de olhar para nós sem vaidade das coisas boas, sem algum gosto em sermos portugueses, sempre desconfiados de nós próprios, sempre invejosos. O Presidente da Comissão tem feito boa figura. E já viram como ele dá baile em termos das línguas que fala com a maior das naturalidades? Só isso, que, admitamos, é apenas simbólico, já dá motivo para orgulho.

28 de abril de 2008

Timor-Leste

O meu grande amigo, irmão, José Gouveia, com os pés de molho naquelas águas fantásticas de Timor-Leste. Hakuak boot maun.

Estado de coisas

CONTRA O FACILITISMO DO DIVÓRCIO
por Matilde Sousa Franco
Pedi superiormente autorização para votar, na Assembleia da República, contra o Projecto de Lei nº 485/X do Bloco de Esquerda que «Cria o Regime Jurídico do divórcio a pedido de um dos cônjuges». Tendo sido a única deputada do PS a votar contra, julgo dever explicar melhor a minha posição, através desta Declaração de Voto.
Os deputados do BE vêm insistindo há anos no divórcio unilateral. Em Maio de 2007, como lembram agora no Projecto de Lei acima referido, «não faltaram acusações ao Bloco de Esquerda – que queria liberalizar o casamento ou mesmo acabar com ele, que propunha «o divórcio na hora». Afirmaram eles também, por exemplo, que se trata «da mais importante proposta de modernização do direito de família desde 1975».
Entretanto, foi criada na Assembleia da República, com a reforma do Parlamento, a Subcomissão da Igualdade de Oportunidades e Família, à qual pertenço, e estranho este assunto não ter sido aí presente.
1 – Divórcio como prémio para o infractor
Por outro lado, no aspecto jurídico do actual Projecto de Lei, cito o juiz Pedro Vaz Patto no artigo: «O Divórcio Unilateral e a Sociedade sem Vínculos» …«não se trata de qualquer progresso. Será, antes, o culminar de uma progressiva descaracterização do próprio casamento e do próprio direito da família… O casamento passará a ser, talvez, o mais instável e precário dos contratos, mais do que um contrato de trabalho ou de arrendamento… Daqui à abolição do próprio casamento, à sua irrelevância jurídica, o passo é muito pequeno. O divórcio começou por ser encarado como uma sanção contra o cônjuge que violou gravemente os seus deveres conjugais… Com o divórcio unilateral, aquilo que começou por ser uma sanção contra quem viola os deveres conjugais acaba por ser um prémio para o infractor. Sempre se considerou um progresso civilizacional, reflexo da influência cultural do cristianismo, a abolição da figura do repúdio, que permitia ao marido a desvinculação imotivada dos seus compromissos conjugais. Com o divórcio unilateral, pode dizer-se que renasce das cinzas tal figura. Dir-se-á que se trata, agora, de um direito de qualquer dos cônjuges, e já não apenas do marido. Mas, di-lo a experiência e também vários estudos, é, na maior parte dos casos a mulher a sofrer as consequências nefastas (no plano económico, psicológico e afectivo) da ausência de vínculos e do abandono conjugal. Nas famílias monoparentais, o progenitor ausente é sempre o pai. Nunca houve tantas mulheres sós e pobres…»
2 – Essencial estabilidade familiar
Como historiadora, verifico que os proponentes têm uma visão histórica muito restrita no documento em questão e em outras declarações. Sobre o aspecto histórico, cinjo-me agora à obra laica e abrangente (em 2 volumes) «Histoire de la Famille», sob a direcção de André Burguière, Christiane Klapisch-Zuber, Martine Segalen, Françoise Zonabend, edição Armand Colin, Paris, 1986, com prefácio de Claude Lévi-Strauss. Este antropólogo social escreve aqui (pág. 11): «La tendance générale est aujourd'hui d'admettre que la «vie de famille», au sens que nous-mêmes donnons à cette locution, existe dans l'ensemble des sociétés humaines. La famille, fondée sur l'union plus ou moins durable mais toujours socialement approuvée d'un home et d'une femme qui se mettent en ménage, procréent et elèvent des enfants, serait, affirme-t-on souvent, présente dans tous les types de sociétés.» Havendo excepções, escreve na pág. 12 que: «la famille conjugale y semble três frequente et que, partout où sa forme s'altère, on a affaire à des sociétés dont l'évolution sociale, politique, économique ou religieuse à suivi un cours particulier.» A «Histoire de la Famille» abrange desde a Pré-História à época actual, referindo numerosas civilizações e diferentes continentes. Por exemplo, a propósito da antiga civilização egípcia, onde era prática o repúdio por parte do homem e da mulher, são já largamente admitidos os sentimentos pessoais de ambos.
Jock Goody, prefaciador do 2º volume da «Histoire de la Famille», que trata da modernidade, escreve na pág. 12 «… en Chine rouge ou en Union Soviétique, les assouplissements apportés aux législations familiales dans les débuts du régime ont été ensuite modifiés, en partie pour des raisons politiques, en partie pour répondre à des aspirations populaires généralement partagées; des rituels laïcs se sont développés autour du mariage, et le divorce comme l'avortement ont rencontré de plus en plus de difficultés.» Na pág. 13 escreve o mesmo autor: «Des gouvernementes du monde occidental ont adopté une ligne différente en vue de maintenir une stabilité relative de leur population et on même offert des allocations spéciales aux familles nombreuses.»
Quando se invocam o repúdio, o divórcio, o aborto, como sendo modernos e de esquerda, é interessante vermos a antiguidade milenar destas práticas e as flutuações recentes que diversos condicionalismos lhes imprimiram, como, por exemplo, a «Histoire de la Famille» objectivamente refere, e conforme transcrevi. Acentue-se também o enfoque que, perante a «bomba de relógio demográfica» actual, neste livro se dá ao apoio dos governos à criação de famílias numerosas, para o que é essencial estabilidade familiar, não bastando incentivos financeiros.
3 – Cristianismo aboliu Repúdio, protegendo as mulheres
É amplamente reconhecido ser corrente o repúdio também noutras épocas e civilizações, como a judaica, a muçulmana, etc.
Sobre o repúdio judaico leia-se o Evangelho de S. Marcos, 10 – Jesus e o divórcio - «Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher. Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Disseram-lhe: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.» Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito. Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem.»
Anote-se, a propósito, o que quase nunca é mencionado: a declaração de nulidade dos matrimónios que a Igreja Católica tem feito ao longo dos séculos, quer a pedido de mulheres ou de homens, sem grandes custos materiais e muitas vezes demorando menos tempo e envolvendo menores conflitos do que os processos civis de divórcio, e tendo-se as declarações de nulidade continuado naturalmente a realizar mesmo quando não havia permissão de divórcio civil.
É claro que sou a favor do divórcio civil e penso que este sempre devia ter existido, mas não deve tornar-se agora numa espécie de novo repúdio, qualquer que seja a forma adoptada, pois o divórcio envolve sempre tristeza e dor.
4 – Política deve utilizar moderna ciência da felicidade
Sublinhe-se que no séc. XXI há inovadoras formas científicas de lidar com a inteligência emocional e social, que poderosamente ajudam à realização individual e interpessoal, à felicidade, e inclusivamente a evitar divórcios. Portanto, é esta a terceira via que eu advogo, na sequência de anteriores tomadas de posição.
O Projecto de Lei nº 485/X do BE começa por citar: «O tema do divórcio… sugere mal-estar, sofrimento… os processos de ruptura conjugal são emocionalmente dolorosos» (in Anália Cardoso Torres, «Divórcio em Portugal, Ditos e Interditos – Uma análise sociológica», Celsa Editora, 1996, p.1)
Também quero evitar o imenso sofrimento causado por choques emocionais, e igualmente concordo com o Projecto de Lei do BE, quando refere a «exigência da afectividade» e a necessidade da «sentimentalização da família». No entanto, temos de ser realistas e acompanhar os estudos universitários recentes sobre felicidade científica, não podendo sentimentalizar excessivamente o amor, pois este é uma construção permanente, que implica esforço. O divórcio de qualquer tipo (ou divórcios sucessivos), ou meras ligações sentimentais múltiplas não trazem a verdadeira felicidade, como estudos científicos comprovam.
Permita-se-me referir a Declaração de Voto que apresentei em 6 de Junho de 2007 (Diário da Assembleia da República, I série, 8 de Junho de 2007, pp. 49 a 51) sobre a necessidade de se criar uma disciplina obrigatória do 1º ao 12º ano de escolaridade de «Educação para a Felicidade», com base nos conceitos científicos de inteligência emocional, o que me têm dito ser uma urgência. As teorias complementares e ainda mais actuais da inteligência social podem-se aplicar já por exemplo ao divórcio.
Cito Daniel Goleman «Social Intelligence. The Revolutionary new Science of Human Relationships», Bantam Dell, New York, 2007 (livro que tem os subtítulos «Beyond IQ, beyond Emotional Intelligence»). A propósito desta nova ciência, a «social neuroscience», ela tornou-se um assunto científico de topo para o séc. XXI e prova que: «we are hardwired to connect, we are programmed for kindness, and we can use our social intelligence to make the world a better place»; «good relationships nourish us and support our health, while toxic relationaships can poison us. And our success and happiness on the job, in our marriages and families, even our ability to live in peace, depend crucially on the emotional radar and specific skills». Daniel Goleman nesta obra cita por exemplo John Gottman, um psicólogo da Universidade de Washington que se tornou um perito no que faz os casamentos terem sucesso ou falharem: «In dating couples, the most important predictor of whether the relationship will last is how many good feelings the couple shares. In marriages, it's how well the couple can handle their conflicts. And in the later years of a long marriage, it's again how many good feelings the couple shares» (pág. 219).
5 – Portugal pioneiro do humanismo do séc. XXI
Com a Ciência a apontar-nos cada vez mais certeiramente o caminho para a felicidade, através da inteligência emocional, desde há décadas, e agora também através da inteligência social, parece-me um inexplicável desfasamento que a nível das cruciais decisões políticas estes conhecimentos científicos ainda não sejam tidos em conta e aplicados. Portugal, no seu multissecular vanguardismo humanista, deveria, na minha opinião, desempenhar também aqui um vanguardismo descomplexado e até orgulhoso de ir contra a corrente divorcista em moda, evitando a dor e lutando pela alegria que o humanismo implica.
Não são os divórcios unilaterais, na hora, etc., que trazem a felicidade. Luto por uma sociedade profundamente mais feliz, baseada nos afectos. Acredito na comprovada felicidade científica, que passa pela inteligência emocional e pela inteligência social. Urge criar estes princípios e estas práticas na disciplina escolar de Educação para a Felicidade, mas também na legislação que trata da Felicidade dos Indivíduos e das Famílias.
6 – Marco civilizacional: declaração universal dos direitos humanos
Lembro a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que este ano comemora 60 anos, e no seu Artigo 16º estipula: «1 – A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família…; 3 – A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado».
1994 foi o Ano Internacional da Família (AIF) e a simbologia que acompanhou esse ano foi: «Família: A mais Pequena Democracia no Coração da Sociedade». O tema que a ONU propôs a todos foi: «Família: Capacidades e Responsabilidades num Mundo em Transformação».
A Família, que é a mais Pequena Democracia, deve ter o maior apoio da maior Democracia.
Palácio de S. Bento, 27 de Março de 2008

23 de abril de 2008

Rui Marques em entrevista

Hoje do líder do Movimento Esperança Portugal, Dr. Rui Marques, dá uma entrevista à Rádio Universitária do Algarve (102.7 FM), pelas 19h. É o MEP em crescimento no Algarve!

Princípio da subsidariedade

Dois textos importantes no Cachimbo de Magritte: este e este.

21 de abril de 2008

Movimento Esperança Portugal

Sessão pública de apresentação
Aveiro, 18 de Abril, 2008
Biblioteca Municipal


Notícia da LUSA:

Conflito na Educação demonstrou que faltam "pontes" ao PS - Rui Marques (MEP)

Aveiro, 19 Abr (Lusa) - Rui Marques, ex-alto comissário para a Imigração e dinamizador do Movimento Esperança Portugal(MEP) disse sexta-feira que "é fundamental construir pontes, o que a maioria PS não tem sido capaz de fazer". Falando na apresentação em Aveiro do MEP, que quer concorrer como partido às eleições de 2009, Rui Marques expôs como uma das prioridades da acção política do Movimento "uma cultura de pontes e de negociação" que a actual maioria PS "não tem tido capacidade para construir".

"é fundamental construir pontes, como se viu na Educação, em que esta maioria não teve capacidade para construir pontes, o que levou 100 mil professores a manifestarem-se na rua. O momento de abertura da ministra chega tarde, porque era evidente que se devia ter negociado no início do processo e ouvido os professores" comentou. O MEP propõe concretamente o estabelecimento de "pactos de década" para a Educação, a Justiça ou a reforma do Estado. "Não podemos continuar a mudar de políticas em áreas-chave cada quatro anos e por vezes menos", sustentou Rui Marques, dando conta de que o programa político do Movimento estará pronto até ao final de 2008 e deverá concorrer, como partido político, às eleições de 2009.

Em relação ao seu posicionamento no espectro político, o MEP rejeita a classificação tradicional entre partidos de direita e de esquerda, afirmando "a ousadia de pensar diferente" na sua definição ideológica, assumindo-se como "humanista e pela sociedade da confiança". "Temos vindo a perder os laços de confiança entre nós e as instituições e precisamos de um Estado que confia. Os custos da desconfiança são bem maiores do que os da confiança. Defendemos um Estado que se norteie pela reciprocidade no relacionamento com os cidadãos, pessoa de bem, e que assume as penalizações que aplica, quando ele próprio não cumpre.

Queremos um Estado mais árbitro e menos prestador de serviços, que passe da lógica da oferta à da procura e se organize em função das necessidades do cidadão", expôs. Perante "a crise e o desânimo dos portugueses", o MEP responde com "a política da esperança".

"é uma crise séria, que é preciso perceber que vai aumentar, e por isso é fundamental que os portugueses a enfrentem com energia, acreditando em si próprios, correspondendo a três desígnios: ser melhor, transportando o ser uma ideia de identidade. Ser coeso, não deixando ninguém para trás porque todos temos de cuidar de todos. Ser global, porque temos historicamente condições para vingar nesse desígnio, como se viu com os descobrimentos e a emigração", disse.

O MEP, esclareceu, defende a economia social, explicando Rui Marques o conceito: "Os modelos de economia planificada falharam mas é evidente que a economia de mercado é imperfeita pelo que deve ser regulada pelo Estado em função do bem comum".

Elege como uma das suas bandeiras a democracia participativa, retomando a democracia dos cidadãos, porque "o modelo da democracia representativa, com eleições de quatro em quatro anos, não chega" mas garante que o MEP "não surge contra os partidos e os políticos do momento".

MSO. Lusa/Fim


Na Linha Da Utopia

A Era da Consciência
1. A sociedade da informação e comunicação inunda todos os espaços com as suas aliciantes propostas. Normalmente, ou não fosse quase sempre o espírito publicitário a presidir às comunicações actuais, a mensagem procura ser extremamente sedutora, desafiando o consumidor a fazer contas à vida. Este “contas à vida” está muito para além dos euros das compras, pois pode representar os valores e os critérios em que cada pessoa da comunidade inscreve as suas razões e opções. Uma das questões por responder é se, de facto, hoje é mais fácil ou mais difícil “ser pessoa”. Pelo menos que é diferente de outros tempos é bem verdade… Outras épocas, e no fundo até esta época em que a informação cria padrões hegemónicos, a realidade seria bem diversa: inquestionavelmente, os mais novos aprendiam quase todo o património de valores dos mais velhos, seguindo a linhagem religiosa, as múltiplas tradições e mesmo ideias de cariz político. Estamos a generalizar, mas reinava uma ideia de que quase tudo, por obrigação (mesmo que inconsciente), passava «de geração em geração».
2. A época actual oferece mil potencialidades, mas as correspondentes incertezas e desafios. Felizmente muito do progresso abriu os mais variados conhecimentos às diversas classes sociais e a diferentes gerações. Quase que se conseguiu universalizar, «para todos», a educação; o mundo está mais perto de todos nós e nós do mundo; cada pessoa, no bem-vindo assumir da individualidade, acolhe a consciência de uma dignidade e um projecto de vida sempre únicos. Mas, não havendo bela sem senão, novos desafios, tornados responsabilidades, brotam para todos, notando-se muitas fronteiras semi-confusas no plano do fundacional entendimento das liberdades. Quando se enaltece a individualidade de cada um (pressupondo o sentido de comunidade original, «ninguém vive por si mesmo»), muitas vezes, vemos essa ideia transvazar na assunção do individualismo tragicamente indiferente em relação ao bem comum. Mau sinal.
3. Algumas concepções, mesmo tidas como de «modernas» e progressistas, que “usam” a noção da individualidade irrepetível de cada pessoa humana, acabam por gerar padrões de vida publicitados e desgarrados, e mesmo indignos, que pretendem transformar a minoria em referência de quase obrigação geral, ou então que ridicularizam (e chamam de conservador) o pensar e agir de uma maioria muitas vezes distante das grandes questões sociais. Determinadas visões, proclamadas “fracturantes”, de família, de dignidade (no nascimento) da vida humana, da eutanásia, da solidão… espelham bem as difíceis fronteiras dos princípios e valores; e quanto menos falarmos neles (na base da dignidade humana que brota dos direitos e deveres humanos), menos património de sentidos de viver as novas gerações angariam para a vida…
4. É a fascinante (e incerta) era da consciência, em que no meio da amálgama de todas as mil e uma coisas, cada pessoa já não vai “à boleia” da sua cultura, mas tem de discernir e fazer opções. É o tempo das causas, em que mesmo que o oceano vá por um lado, uma “gota de água” consciente do essencial da vida vai por outro... É essa frescura criativa e dinâmica a raiz da vida dos que dão a vida pelos ideais de todos. É preciso refrescar as raízes! Mas para isso, e acima mesmo das neurociências, hoje, qual o lugar da consciência para que ela seja alimentada na raiz?
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [20.04.2008]

17 de abril de 2008

Amanhã - não falte!

Vai realizar-se em Aveiro, com a presença do Dr. Rui Marques, líder nacional do Movimento Esperança Portugal (MEP), uma sessão pública de apresentação e esclarecimento para a qual ficam desde já convidados.

Sexta-feira, 18 de Abril, às 21h00, auditório da Biblioteca Municipal

Esta sessão, que se pretende o mais aberta possível, dinâmica, informal, pretende apresentar o MEP e ouvir as pessoas presentes sobre os temas mais prementes, as preocupações, e, porque não, ouvir também as sugestões sobre o que julgam pode melhorar em Portugal e como.

Uma tarefa de todos nós!

Não falte!


Na Linha Da Utopia


15-0: Parabéns
Magna Tuna Cartola

1. «Quinze a Zero». Foi este o irreverente resultado final escolhido para comemorar nestes dias (16 e 17 de Abril) o 15º Aniversário da Magna Tuna Cartola (http://www.magnatunacartola.net) (MTC), núcleo cultural da Associação Académica da Universidade de Aveiro. O espectáculo, reflexo de muitos anos de inovação e criatividade na área musical académica, também já chegou à ilha virtual do Second Life da UA. Nesta hora aniversária, como em tudo na vida, vem à memória o caminho percorrido, os esforços, sacrifícios e vitórias alcançadas. Muito acima mesmo de todos os prémios recebidos, em que no panorama nacional (e mesmo internacional) as tunas de estudantes universitários em Aveiro têm merecido brilhantes reconhecimentos, os aniversários tornam-se oportunidade de apreciar e aplaudir o quanto a cidade, a vida académica e a comunidade em geral, benificiam desta riqueza cultural que representam as tunas universitárias.
2. Para a sociedade em geral é importante dizer-se que as tunas, constituídas por estudantes, estabelecem uma ponte feliz para com a comunidade mais alargada. Essa sua dinâmica presença está espelhada em inúmeras actuações e animações ao longo de muitos anos, não só nos festivais da especialidade de tunas académicas por esse país fora e no estrangeiro, mas muito especialmente nas festas populares da região, em arraiais típicos e tradições comunitárias e, de salientar, no inestimável contributo que as tunas dão em relevantes iniciativas de solidariedade ao serviço de causas de todos. Todo o riquíssimo caminho cultural e académico realizado ao longo de muitos anos tem, neste sentido cívico de comunidade, o seu ápice como reflexo de uma visão da vida como sensibilizado serviço. Quantas actuações, noites, cansaços, viagens, ao serviço de causas de todos! Ousamos dizer que nestes 15 anos da Cartola e nas vésperas de condignas festas académicas, as tunas da UA (TUA, MTC e Tuna Feminina), que vivem o espírito de cooperação e unidade pelo bem comum, na riqueza da diversidade de cada uma, estão todas de parabéns!
3. Se formos a fazer o filme da vida, das pessoas, dos grupos informais como das associações e instituições, quase que poderíamos perguntar que seria de nós uns sem os outros? Que seria do espírito da vida académica sem as magníficas tunas? As coisas são como são, e a “energia positiva” que estes núcleos culturais trazem à comunidade universitária como animação e abertura de serviço à sociedade é um bem inestimável. Se fazer aniversário é reparar na história que vamos construindo, então será hora de apreciar as pontes que se foram criando pela mão de quem foi dando as ideias e a vida por grupos culturais estimulantes entre nós. Se 15 anos é muito tempo, todavia, é só o princípio! É bom sentir que um dia festejaremos os «30 a Zero»! A gratidão da história construída junta-se à expectativa de que comunidade que acolhe os valores da cultura e da participação é comunidade mais viva, por isso com mais futuro. É isso mesmo! Não há irreverência que (vos) pare! Venham mais 50!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [17.04.2008]

Na Linha Da Utopia


Diálogo de culturas, ciências e religiões
1. «Onde há diálogo não pode haver agressividade» (Emmanuel Mounier, 1905-1950). Consequentemente, quando há agressividade é sinal de que não se assume o diálogo como procura de entendimento do diverso humano. O ano 2000, a passagem do milénio, trazia consigo a expectativa, finalmente, de “todo” o progresso humano; agora que estavam derrubadas as ideologias do séc. XX, faltando unicamente regular, humanizando, a desordem do capitalismo (selvagem) florescente. Este não se regulou e o momento dramático do “11 de Setembro 2001” trouxe consigo o novo imperativo ético de integrar no esforço reconciliador (uma hermenêutica = estruturação com degraus, como uma escada) todas as ordens do pensamento, não só os admiráveis conhecimentos científicos experimentáveis “tocavelmente”. Todas as culturas, filosofias e religiões, na riqueza da sua diversidade, são caminhos de procura de sentido que condensam em si próprios milhentos símbolos e significados que os tempos, apressados, que vivemos dão pouco lugar ao seu reconhecer e mesmo apreciar como apelo ao “sentido”: tarefa essencial para que a bondade substitua a agressividade.
2. Segundo estudo da UNESCO (ano 2000), existem no mundo cerca de cinquenta mil culturas. Neste contexto, a diversidade é, pois, a riqueza maior a destacar, num enraizamento que brota, naturalmente, do desígnio da unidade comum a todos os seres humanos. Por vezes sente-se que o prato da balança tem crescido muitíssimo para alguns em termos de sociedade de conhecimento científico, tecnológico e económico; mas, ao que parece e pelos efeitos de uma certa “agressividade” intolerante espelhada em múltiplos acontecimentos mundiais, tem crescido (ainda) pouco o prato da balança da inclusão positiva dos conhecimentos da ordem mais filosófico-social e cultural, solidária e essencialmente humana. O desafio do século XXI pode estar espelhado no slogan que a Europa escolheu para si própria neste Ano 2008 – Ano Europeu para o Diálogo Intercultural.
3. Assinalando este Ano Europeu em Aveiro, a EPA – Escola Profissional de Aveiro, levou a efeito significativa iniciativa de alargada sensibilização para os valores do diálogo intercultural e inter-religioso. No Centro Cultural e de Congressos de Aveiro as centenas de estudantes, na linha programática da escola, no âmbito da formação humana para a cultura e sociedade contemporâneas, acolheram com agrado intervenientes de diversas culturas e religiões presentes em Portugal e no mundo, numa óptica do «diálogo inter-religioso para a construção de uma Europa pluralista». Vale a pena referir os nomes: da comunidade islâmica esteve Faranaz Keshavjee; da comunidade judaica, Joshua Ruah; pelo cristianismo, Anselmo Borges. Foi especialmente convidado e homenageado D. Ximenes Belo (bispo emérito de Díli, Nobel da Paz 1996), neste desígnio das culturas, ciências e religiões em diálogo na promoção da paz mundial e da inalienável dignidade da pessoa humana. De tanta riqueza partilhada fica a expectativa feita certeza de que o cidadão do futuro terá de ter estas questões bem presentes na sua formação de todos os dias. Dizemos formação e não formatação!... Para que a bondade humana da PAZ brilhe acima de tudo e em todos.
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [16.04.2008]

Na Linha Da Utopia


O Sr. Silva e o Sr. João
1. O Sr. presidente da República está na Madeira. Isto, por si, não seria nenhuma notícia de relevo em regime de liberdade democrática, pois o hábito das visitas de estado já há muito que está consolidado. Sinal de proximidade política dos cidadãos? Talvez nem tanto… Com as visitas dos Sr.s presidenciais e ministeriais vai sempre uma comitiva alargada; percorrem os caminhos e visitam os espaços cuidadosamente limpos e ajeitados para a passagem decorrer da melhor forma possível, mostrando o que de melhor temos ou não temos na vida diária, dando a entender que parecemos melhor do que o que realmente somos. Todos somos assim, pelo menos um pouco, quando há visitas! Mas o excesso da imagem que se quer passar pode, precisamente, ocultar a dura realidade de todos os dias. Nessas passagens, muitas vezes também se juntam à festa o reverso da medalha: manifestações, bandeiras, reivindicações, mas também, na ausência de outra oportunidade, um excesso que desvirtua a mensagem sadia dos problemas diários…
2. Neste contexto a região da Madeira vive a fronteira e a intermitência da festa. Mensagens e recados serão cuidadosamente partilhados entre os dois senhores. Nas vésperas, o Sr. João encarregou-se de dar o timbre da elegância do momento, carimbando de “loucos” os que logicamente pretendiam a visita do Sr. Silva ao local mais emblemático da democracia madeirense, a Assembleia. A preferência do programa foi colocar essa conversa numa jantarada! O Sr. Silva já estava quase no avião de ida quando esta proclamação fora decretada pelo Sr. João. O fio sobre o qual caminha o Sr. Silva é estreito, e o Sr. João é que o tem na mão. Independentemente das qualidades e limites de qualquer político como de qualquer pessoa, e bem acima das virtudes e defeitos, ideias e obras de qualquer pessoa e linha político-partidária, é caricata demais a situação. Na óptica da essência “política” todo o pdeuso-respeito dos “Sr.s” falseia a própria representatividade democrática, e o Sr. Silva parece refém do Sr. João. Não é bom para ninguém, cada coisa no seu lugar.
3. E depois diz-se que os cidadãos estão afastados e permanecem longe da realidade sócio-política da comunidade. Talvez neste caso até permaneçam perto, a fim de ver e ouvir um certo humor feudal que, juntando aqui ou ali razões válidas e/ou questionáveis, muito mais tem de emoções fazendo borbulhar continuamente a terra (em) que o Sr. João põe e despõe no “mapa” nacional. Seja como for, nenhuma obra realizada de nenhum regime que se quer democrático justifica visões autoritárias e substitutivas da inteira representatividade do povo que são as diversidades políticas presentes em Assembleia. O “Sr. Silva”, assim proclamado pelo Sr. João em tempos idos de frequente discórdia estratégica, parece subjugado e suas esforçadas palavras no fio da navalha espelham essa limitação da própria liberdade presidencial (?). Talvez (ou mesmo sem talvez), o Sr. Silva deveria exigir ao Sr. João que a obra mais importante destes dias seria a condigna recepção no espaço mais amplo da democracia madeirense. Ou (acima de tudo o resto) não será?
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [15.4.08]

Na Linha Da Utopia


O ambiente da chama olímpica
1. A chama olímpica anda a tentar percorrer o mundo. O que seria um percurso de festa e sensibilização para o saudável espírito dos jogos olímpicos tem sido um complexo labirinto que reflecte as luzes e as sobras da actualidade. Para a causa do Tibete é a hora inadiável, para Pequim os Jogos começam mesmo a ficar mal assinalados, agora também que Secretário Geral das Nações Unidas confirma que, por motivos de “agenda”, não irá estar presente na inauguração oficial dos Jogos. Quanto à chama olímpica, essa, sem ter culpa nenhuma dos males dos homens, por diversas vezes teve de ser protegida para não ser apagada de vez, pois a sua passagem transporta bem mais que uma lamparina acesa...Afinal, a chama olímpica tem verdadeiro sentido quando existe o pressuposto da paz entre os povos; pelo contrário, antes de tudo e depois e tudo, não há ambiente para grandes festas quando é ferida a “chama humana” fundamental da dignidade da pessoa humana.
2. Não sabemos como será a chegada a Pequim da labareda olímpica. Sabe-se, pela ordem física das coisas, que para uma chama arder tem de ter condições ambientais de oxigénio. A China (como alguns designam de) a actual “fábrica do mundo”, para onde se foram deslocando na última década milhares de fábricas pela sedução da mão-de-obra barata, hoje respira um ambienta nada propício para festas e acontecimentos. Nestes dias que faltam até Agosto, o esforço é enorme; mas a sua sustentabilidade humana e ambiental continua duvidosa. Os alertas do próprio Comité Olímpico Internacional estão aí e, por exemplo, já referiram que, no caso de excessiva poluição que impeça condições razoáveis, a prova da maratona pode ter que ser adiada. Do esforço registe-se que algumas fábricas já pararam, que os automóveis estão a ser retirados de certas estradas; os cientistas botânicos chineses estão já há muito a trabalhar, tanto para haver mais árvores dadoras de oxigénio como para o embelezamento florido dos canteiros de flores em Agosto.
3. Tudo num país “acordado” que quer passar uma boa “imagem”. Mesmo num cenário em que as questões ambientais apresentam-se dramáticas, pois Pequim (com 17,4 milhões de habitantes) é uma das cidades mais poluídas do mundo, sendo que na China, segundo o relatório do Banco Mundial de 2007, a poluição do ar nas cidades causa, anualmente, próximo de 400 mil mortes prematuras e a má qualidade da água provoca mais de 60 mil. Números e realidades dramáticas que a chama olímpica quer destronar. Não só para os jogos, mas para ficar gerando uma nova consciência humana e ambiental. Haverá condições para tal meta de sustentabilidade futura? Os próximos meses serão decisivos, ou talvez não. Os Jogos Olímpicos já muitas vezes foram “usados” como atrimanha de poderio imperial e ilusão de imagem. Estes jogos não são bem vindos mas sim os jogos que querem representar projecto dignificante de humanização humana.

http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [14.04.2008]

Na Linha Da Utopia

A Vocação
1. A palavra “vocação” conduz-nos pelo sentido de uma “chamada”. Mas para esta ser atendida e escutada devidamente exige as justas condições de sintonia e identificação. Talvez, em tempos de uma certa sobrevivência apressada, a palavra “vocação” contenha hoje das dinâmicas mais importantes. Vale a pena começar por ir ao dicionário: «Vocação: s.f.: acto de ser chamado para um determinado fim; inclinação e predisposição para um certo género de vida, profissão, estudo ou arte; tendência; talento; jeito» (dicionário da língua portuguesa). Não é de forma instantânea e fácil que se obtém a plena realização humana; quantas vocações pessoais e profissionais são “aprendidas” ao longo do caminho da vida. Mas também esse sentir-se chamado a algo não se pode situar meramente naquilo que é o “si mesmo”, pois quando se diz que um profissional tem mesmo vocação para esta ou aquela forma de vida é porque serve bem a comunidade. Consciência de vocação é (viver para o) serviço.
2. Já quando as coisas estão desajeitadas, quando ‘a bota não dá com a perdigota’, pode-se ter motivo para dizer que não existe uma identificação plena e realizante com a função que se desempenha, ou então existem outros fins que não o serviço. Outras circunstâncias também existem de vocações (a determinadas profissões bem vistas socialmente ou a certas formas de vida do âmbito da conjugalidade) que, na onda do hábito, pesam mais pelo factor social que por uma opção consciente e escutada profundamente. A este propósito, por vezes, pode haver razão para se dizer, por exemplo, quantos casamentos realizados sem uma inteira vocação, sem levar inteiramente à consciência aquilo por que se opta...(?) Quantas vezes a superficialidade do mais fácil faz com que não se tenha mergulhado nas águas profundas do ser para se conhecer a si mesmo e iluminar na recta consciência os projectos de vida com as suas exigências…(?)
3. Um grande enriquecimento será a capacidade de se ir aprofundando todos os dias a sua própria vocação, o mesmo será dizer, ir pensando a vida e discernindo os caminhos do futuro. Este, hoje, é um valor fundamental que proporciona a identificação da vida de cada dia com o ideal sempre mais elevado que se procura. Sem a sabedoria desta viajem pode-se cristalizar no tempo, deixando apagar a luz interior que comanda uma vida com sentido. Talvez a sociedade, mais do que nunca, precise de uma reflexão transversal e estimulante sobre a vocação à vida e ao serviço, sobre o lugar das diversas vocações humanas e existenciais como riqueza espiritual e opcional de ser humano. Sendo que, por vezes, quando se fala do conceito “vocação” se leva (errada pois) exclusivamente para o campo do religioso, também talvez tal aconteça porque se lhe reconhece grandeza humana e espiritual que está bem acima das coisas práticas. Uma aspiração/convite a todos!
4. Na semana passada a Igreja Católica propôs-se à coragem de reflectir (45ª Semana), em todo o mundo, a problemática das vocações. Profetismo de renovação estrutural à luz do “essencial” ou simples manutenção de modelos? (Por exemplo: que concepção/acção ainda existe em relação ao “lugar” da mulher na Igreja? A sociedade ensina…) Claro que para quem quer “ver” é verdade inadiável, neste tempo, a aprendizagem do pluralismo no contexto das vocações como serviço dedicado à comunidade. Nada de novo que continua sendo tarde… Tudo depende (ou não) do querer, pelo menos, reflectir o futuro! Tem-se dado preferência ao passado…

http://1632un.blogspot.com [Alexandre Cruz 13.04.2008]

16 de abril de 2008

World Competitiveness Yearbook 2007 (WCY): não ficamos lá muito bem na fotografia. Melhor é possível!
Telémaco Pissarro, com música de lá, para ler, pensar, fazer os equilíbrios possíveis.
Sorumbático

15 de abril de 2008

Esplendor de Portugal


Público
segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Na lista negra

Há empresas que são aconselhadas a mudar gestores, se querem partilhar os chorudos negócios que se fazem com o Estado
António Borges é um economista de renome e com uma carreira imaculada no sector privado. Considera-se, há muito tempo, uma reserva da nação. É apontado, ciclicamente, como uma alternativa à liderança do partido e candidato a primeiro-ministro, pelos notáveis do PSD. Não sei se está talhado para esses voos porque, apesar de as suas opiniões sobre a economia serem respeitadas, não conseguiu ainda que os seus correligionários e o eleitorado conheçam o seu pensamento político.
Pelo âmbito das suas intervenções, vejo-o antes como um futuro candidato a ministro das Finanças. Poderia ser, aliás, uma excelente escolha para governador do Banco de Portugal, o que ajudaria a prestigiar e desgovernamentalizar uma instituição que está transformada numa irrelevância. Vão longe os tempos dos governos PSD/CDS, em que o seu governador era elogiado pela sua "independência" que, afinal, e a julgar pela forma como apoia o actual Governo, mais não era do que uma forma encapotada de antagonismo. Constâncio tem sido, aliás, tão acrítico que chega a ser mais papista que o Papa, como aconteceu com as suas recentes declarações sobre o IVA.
Mas, na sua última entrevista, António Borges levantou uma questão política que transcende os seus temas predilectos. Falou, desta vez, do clientelismo e queixou-se que a instituição bancária para que trabalha estará na "lista negra", pelo facto de ele não se ter vergado às pressões do Governo. Ora, esta é uma acusação grave, tanto mais que Borges nunca a faria sem obter a autorização prévia dos seus patrões para quebrar um sigilo que, por norma, se aplica às instituições bancárias e, em particular, no que diz respeito à sua relação com o poder político.
Conhecem-se os "casos Charrua", na função pública, em que o delito de opinião é punido. Pela inversa, pressente-se, por exemplo no caso de Constâncio, que a sua subserviência o ajudou a sobreviver à acusação de negligência, no caso BCP. No entanto, a questão das listas negras tem sido abafada, apesar de ser algo que este Governo, ou pelo menos alguns dos seus membros, tem manipulado de forma pouco sensata.
Sabe-se que há empresas que são aconselhadas a mudar gestores, se querem partilhar os chorudos negócios que se fazem com o Estado e as empresas da sua órbita. Ouve-se que há projectos que soçobram porque os seus autores não são "de confiança". Há pessoas que são proscritas, por força dessas pressões. Há gente que cai em desgraça, por estar do lado errado do espectro político ou apenas por ter criado, pelo uso legítimo da sua liberdade de opinião ou de associação, alguma dificuldade a um qualquer ministério. Por norma, não se fala disso, tanto mais que as vítimas receiam que a denúncia só agrave e prolongue o seu ostracismo. Por isso, e mesmo que se possa pensar que o prejuízo que o seu banco tem vindo a sofrer é o preço a pagar pela alternância e contrasta com os benefícios que já terá colhido quando ele era (e porque ele era) "da situação", Borges pode ter prestado, desta vez, o seu maior serviço ao país e à nossa liberdade que, tantas vezes, sentimos amordaçada.
Rui Moreira, Presidente da Associação Comercial do Porto
Guardar docs na net de graça: fileqube

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YDreams tem um blog, que merece toda a atenção.

Esplendor de Portugal


Público
domingo, 13 de Abril de 2008
Angola é nossa!

"Holocausto em Angola" não é um livro de história. É um testemunho. O seu autor viu tudo, soube de tudo.


Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: "Memórias de entre o cárcere e o cemitério". O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que "já sabiam". Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.


O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam "julgamentos populares", perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores.


A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: "Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela".


Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado.
Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados. Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona. Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa.
Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?
António Barreto, Sociólogo

Sessão de esclarecimento do MEP - Aveiro

Vai realizar-se em Aveiro, com a presença do Dr. Rui Marques, líder nacional do Movimento Esperança Portugal (MEP), uma sessão pública de apresentação e esclarecimento para a qual ficam convidados.

Sexta-feira, 18 de Abril, às 21h00, auditório da Biblioteca Municipal

14 de abril de 2008

Pedro Rolo Duarte sobre o Blog do MEP

Aqui fica o elogio do Pedro Rolo Duarte sobre o blog do MEP na sua crónica para a Antena 3, Janela Indiscreta.

Mercado político

A ler e reflectir:

Perdido o pudor fica o poder, Mário Crespo no JN

10 de abril de 2008

Na Linha Da Utopia


O Tempo da Vida
1. É com este tema «O Tempo da Vida – quantos somos, como seremos» que decorrerá nestes próximos dois anos o Fórum Gulbenkian de Saúde (www.gulbenkian.pt). A opção temática elaborada pelo reconhecido neurocirurgião professor João Lobo Antunes, versando sobre a problemática do envelhecimento humano, é extremamente positiva e estimulante. Como se sabe, a preservação da dignidade da pessoa humana na designada “terceira idade” é temática que, de forma crescente, se reveste de uma premente preocupação social. Diante das fragilidades sociais de relacionamentos, das inconsistências ou ausências da família, a comunidade dos irmãos “mais velhos” sofre (ou sofrerá) a solidão que transforma esse tempo de vida em tempo negativo e pessimista, pois que o futuro se apresenta profundamente incerto diante do presente solitário.
2. Esta jornada de dois anos da FCG (Fundação Calouste Gulbenkian) merece toda a visibilidade pública na sociedade portuguesa (e europeia). Não unicamente pelo facto da presença de grandes especialistas mundiais. Mas apresenta-se como “antídoto” de reflexão necessária e urgente para, nas exacerbadas políticas emergentes do pragmatismo e economicismo, não chegarmos às ondas generalistas de “eutanásia” como solução prática para o “mistério (terminal) da vida”. Esse pragmatismo vazio vai alastrando pela Europa, e representa, no fundo, a concepção que afinal se tem da própria vida. Sobre estas e todas as questões do bem comum, “questões de cidadania”, é urgente a reflexão de qualidade deste género para (in)formar as mentes sociais e para iluminar, com o justo e ético discernimento, as decisões no caminho da dignificação humana.
3. Vidas que não se sentem amadas, no passar dos anos e no chegar das “rugas” do tempo, são vidas de pessoas que, diante do sofrimento humano, sentem-se sós. E na desumana faceta “produtora” das sociedades actuais, ao deixarem de produzir correm o perigo de se sentirem (ou serem colocadas) na margem. Este é um dos dramas que cresce, e tanto mais cresce quanto a (bem-vinda) longevidade aumenta mas em que a “presença” fraterna e solidária diminui. Uma vida que é construída nos valores da fraternidade e da família, na cuidada preocupação de “semear” o jardim dos afectos e da amizade, pode acreditar mais na esperança de acolher o carinho, a presença e o conforto, mesmo diante das maiores fronteiras do sofrimento.
4. Como resposta a uma certa “coisificação” actual da vida, a reflexão sobre a qualidade de TODO o tempo da vida, especialmente nas fronteiras do envelhecimento, é mais que uma reflexão, é preparar e oferecer uma luz para o caminho nas horas em que já não dependemos de nós. Há dias alguém estudado dizia que a facha etária que mais está na “margem” social são as gerações mais idosas (já as crianças são sempre mais amparadas…). Reflectir socialmente para actuar solidariamente, seja este um lema de vida com qualidade… Até ao “fim” sereno, natural e pacífico (que é ponte de passagem, numa esperança que deseja vencer a própria matéria. Já hoje…!)

http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [10.04.2008]

PSD em mudança

Pelo que veio dizer Ângelo Correia, o PSD prepara a mudança. Ele é o porteiro do novo inquilino.

Na Linha Da Utopia


Entender (o que move) a Ásia
1. A medicina chinesa tem cinco mil anos. A religião mais antiga do mundo, o Hinduísmo (posteriormente reinterpretado em diversas variantes) nasceu na Índia há seis-oito mil anos. Nos tempos pós-medievais e nos inícios da chamada Idade Moderna, o “sonho” era chegar à Índia, a terra nas novas promessas, concretização dos povos europeus que coube à comitiva portuguesa de Vasco da Gama. O pós-guerra de meados do século passado começa a ver um Japão erguido na base da tecnologias de vanguarda que, então, seduziam a América do norte.
2. Na actualidade a banca americana entra na “dependência” chinesa; os tecidos e louças da Índia e China “rebentam” com os modelos tipificados ocidentais; o Japão afirma-se como potência que soube captar o segredo da visibilidade aplicada às vanguardas da eficácia científica e tecnológica da imagem. No ano 2000 das dez torres mais altas do mundo (tidas “sinal” civilizacional de progresso), oito estavam erguidas no mundo asiático. Em termos demográficos o contraste entre a Ásia e o resto do mundo “obriga” à diáspora cultural do oriente pelo mundo fora. Mas na bagagem, discreta para ir bem mais longe, não se renega a essência cultural; esta é vivida e assumida (na generalidade) com orgulho preservador.
3. O chamado mundo ocidental (se é que esta designação em tempo global ainda faz sentido…) já parece resignado; o que há décadas parecia “estranho” hoje “entranha-se”. Ainda por cima num clima que parece desordenado em relação ao mundo do trabalho, do ambiente, da dignidade da pessoa humana. Os “novos-ricos” asiáticos, após as gerações escravas precedentes, sabem lidar no tabuleiro do xadrez global, tirando partido da necessidade (a caminhar para a dependência) que o resto do mundo começa a ter do oriente. A sua diáspora estendida por todo o mundo, num mundo ocidental que “não” tem filhos, vai fazer com que daqui a algumas décadas eles estão “em casa” em todo o planeta. Nada de mal, será um facto; desde que exista “casa para todos” na matriz cultural de cada um, mesmo para os que hoje habitam este lado do mundo…
4. A questão cultural das identidades e pertenças talvez se venha proximamente a colocar como nunca na história humana. Porque como nunca viajámos tanto e tão rápido. O desafio do “entendimento humano” das diversidades na base de uma “razão” aberta na sensibilidade à cultura, ergue-se como a “chave” que pode, apesar de tudo, preservar a concepção (tida para nós como) inalienável da dignidade da pessoa humana. Este aprofundamento, agarrando “asas” de transversalidade, pode ser a “nossa sabedoria” ocidental a confrontar criativa e inclusivamente estabelecendo diálogo e “parceria” com o potencial das imensas sabedorias asiáticas. Se não tivermos “sabedoria” um dia seremos estrangeiros, desidentificados, em nossa casa. O ser e o tempo não perdoarão a distracção ocidental! E o mundo precisa da preservação aprofundada dos valores que estão nas raízes do ocidente… O diálogo (não ausência) precisa de todas as partes em presença…
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [09.04.2008]

Na Linha Da Utopia


E o lugar das grandes questões?
1. São as grandes perguntas que conduzem às grandes respostas. Frequentemente, em trabalhos com as mais novas gerações, deparamo-nos com um “sinal” destes tempos: muitas vezes estamos tão preocupados e preparados em dar as grandes “respostas”, todavia, a perguntas que nem sequer existem… Quantos caminhos de possíveis e urgentes reflexões a serem realizadas não partem do ponto de partida? Quantas oportunidades perdidas (ou pelo menos adiadas) em darmos passos adiante naquilo que é o reflectir para desenvolver mais e melhor a qualidade de humanismo, de valores, das relações, da própria democracia em pluralismo, e, em última (e primeira instância), do próprio sentido da vida?!
2. A par da resposta de que “não há tempo”, a onda vai mais no sentido das “coisas” que da ordem do pensar as grandes questões do nosso tempo. De quando em quando, isso sim, quando uns “safanões sociais” lideram as notícias, então aí apercebemo-nos de que temos de construir alicerces…mas logo tudo passa! Das coisas mais alarmantes quanto ao futuro, algo talvez nunca visto (até porque as “juventudes” são fenómeno recente na vida das sociedades), é um vazio “à deriva” em termos de ideias e práticas. É um facto preocupante que, para além de haver sempre uma elite solidária esforçada em causas (claro!), a “grande massa” recebe pouco dessa chama e vive uma indiferença aprendida também por gerações precedentes e pelos “fáceis” modelos sociais reinantes.
3. O próprio valor das palavras vai-se abrindo a novas dimensões, e mesmo aquilo que era o “entretenimento” há uma década, hoje, em determinados quadrantes de vidas, ocupa um lugar não periférico mas é centro da vida. Como que a “brincar”, as coisas vão mudando, e caminhando para a superficialidade do não se perguntar sobre os “grandes porquês”. Dizemo-lo sem pessimismos…como se o “antes” fosse sempre melhor; falamos com realismo preocupante no sentido de que parece que tardamos a compreender que os problemas deste século XXI não são tecnologias nem ciências, são sim “relacionamentos”. Ou será que só na tempestade dos “11 de Setembro” despertamos para além do visível?...
4. Enquanto não conseguirmos criar uma “ponte” que ilumine de referenciais estimulantes a “massa social” em torno das grandes questões (que são culturais e éticas), o tempo da vida fica aquém, ou vai-se mesmo distanciando, de um ideal de fraternidade; valor este proclamado no estado de direito há mais de dois séculos, mas só numa iluminação superior de há bem mais séculos é que se pode inspirar, compreender e viver. As grandes questões têm de existir, se não existem têm de se provocar. A fim da apatia anémica não triunfar. Afinal, é o desígnio de uma sociedade aberta, participativa e solidária, o decisivo teste às juventudes de hoje!
http://1632un.blogspot.com Alexandre Cruz [08.04.2008]